Vamos falar de milho?
O milho, o cereal mais plantado no planeta, está dando o que falar, aqui e em todo o mundo. Sua cotação na Bolsa de Chicago anda subindo. Ele teve sucessivas altas, junto com a valorização do trigo, da soja e até do petróleo.
Nos EUA, o plantio da safra americana anda patinando. O governo norte-americano deu indicações de que na mistura com a gasolina o teor de etanol aumentará e poderá passar do E10 para o E15. O objetivo é tentar conter o aumento nos preços da gasolina. O aumento de etanol na mistura poderia reduzir o preço da gasolina em 10 centavos por galão. Isso explica parte também dessa alta em Chicago.
No Brasil, paradoxalmente, o preço do milho anda em baixa. A principal razão está na previsão de uma safrinha recorde de milho, segundo a Conab. A chamada segunda safra brasileira 2021/22 de milho está estimada em 88,5 milhões de toneladas, superando as expectativas. Alguns já arriscam falar de 90 milhões de toneladas. Se confirmada, será um recorde e 45,8% superior à temporada 2020/21. O incremento deve-se sobretudo ao aumento da área plantada e aos ganhos de produtividade (clima favorável e uso de tecnologias). A Conab projeta um aumento de 36,3% da produtividade do milho nesta segunda safra.
No total, esta safra brasileira de milho está estimada em 115,6 milhões de toneladas, 32,7% superior à do ciclo anterior, segundo a Conab. E isso apesar da queda de 20,4% na produtividade da região Sul durante a primeira safra, causada pela ausência de chuvas no final de 2021 e início de 2022.
Esse cenário de ampla oferta no futuro tem afastado compradores do milho nacional e provocado queda nos preços. Resultado: negócios lentos e um mercado de milho retraído com reflexos na queda de preço até na Argentina e no Paraguai.
O Paraguai é um dos países do mundo onde mais cresce a produção de grãos. A presença de agricultores brasileiros no país tem muito a ver com essa dinâmica. O país aumentará sua produção de milho “safrinha” e deverá exportar mais. A safra do país ainda é pequena e pouco superior a 5 milhões de toneladas. O Paraguai não tem condições de absorver e processar essa safra. Ele exportará um volume recorde de milho para não sofrer um refluxo nos preços, dadas as suas limitações logísticas.
Uma coisa é certa. Nesta festa junina, tão próxima, não faltará milho cozido e assado, nem para canjica, curau, pamonha e pipoca. Essa entrada de milho no mercado nacional ajudará no barateamento das rações animais e trará algum reflexo positivo na queda de preço dos alimentos, na proteína de frango e suínos, no leite e em outros produtos.
Crédito: Link de origem



Comentários estão fechados.