Trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão em Pérola, voltam para o Paraguai

O Ministério Público do Trabalho (MPT) de Umuarama resgatou sete trabalhadores paraguaios de uma situação análoga à escravidão numa plantação de mandioca em Pérola, na quinta-feira (03). Eles voltaram ao Paraguai nesta sexta-feira (04).

Conforme o procurador do trabalho André Vinicius Melatti, os trabalhadores foram trazidos do Paraguai sob a promessa de um salário de R$ 2 mil por mês. Contudo, o empregador descontava tudo do salário (servidão por dívida): aluguel da casa que ficavam, transporte ao trabalho, água, luz, alimentação e até instrumentos de trabalho.

Eles estava alojados em uma residência na cidade, e se deslocavam diariamente à roça, onde eram submetidos à jornadas exaustivas e desumanas, enquanto realizam os trabalhos na plantação e colheita de mandioca.

Com os descontos, os trabalhadores chegavam a receber R$ 100 por semana. E deste valor, ainda tinham que comprar comida, alimentação resumida em mandioca, farinha, e raras as vezes pés de galinha e salsicha. Cada um gastava cerca de R$ 10 por dia no mercado, para se alimentar o dia inteiro. Sobrava no máximo R$ 25 a R$ 30 por semana e eles não conseguiam comprar passagem para voltar ao Paraguai.

O período em que os homens estavam vivendo sob essas condições varia entre 4 meses a 1 ano. Nem o chuveiro possuía água quente.

Após o resgate, os trabalhores foram encaminhados ao MPT, onde foi feito um acordo para que o pagamento dos salários devidos fosse realizado. Na tarde de sexta-feira (04), eles foram escoltado por uma equipe do BPFron (Batalhão de Polícia de Fronteira), até o consulado paraguaio em Guaíra, e de lá voltariam para o Paraguai.

Ainda segundo o Ministério Público do Trabalho, na casa também havia uma mulher e seu filho de 16 anos, mas eles teriam deixado o local dias antes do resgate. As autoridades também irão investigar a situação dessa mulher.

O responsável pelos trabalhadores deverá responder a um Inquérito Civil Público no MPT, e poderá enfrentar acusações criminais por manter os homens em condições análogas à escravidão no Ministério Público Federal. Outros possível envolvidos com a situação, podendo ser incluido até mesmo a empresa que comprava as mandiocas também serão investigados e se provado a relação, responsabilizados.


Crédito: Link de origem

- Advertisement -

Comentários estão fechados.