Tecnologia e inovação são aliadas no caminho para a sustentabilidade da economia

Por mais obstáculos que se coloquem entre o presente e um futuro mais sustentável, a contagem decrescente para atingir objetivos de neutralidade carbónica não abranda. Depois de ter sido o primeiro país da Europa a definir 2050 como prazo máximo para lá chegar, Portugal antecipou a meta para 2045. Para lá chegar, porém, é preciso garantir um alinhamento entre Estado, empresas e cidadãos. “É fundamental criar parcerias estratégicas com diversos players relevantes nesta área [da mobilidade], sejam do meio empresarial, governo, instituições de pesquisa ou académicas”, pode ler-se na resposta da Volkswagen Autoeuropa às perguntas do Expresso.

O transporte rodoviário representa cerca de um quinto do total das emissões de gases com efeito de estufa na União Europeia, uma realidade que tem motivado, ao longo dos últimos anos, uma revisão permanente das regras a que a indústria automóvel tem de obedecer. Os construtores têm procurado adaptar-se às novas exigências, com a construção de automóveis com menos emissões de CO2, mas também com o aumento da oferta de opções alternativas, com os elétricos à cabeça. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a venda de veículos elétricos aumentou 55% no mundo em 2022 e prevê-se que volte a crescer, já este ano, cerca de 33%.

Em Portugal, a Volkswagen Autoeuropa continua a ser líder nas exportações nacionais e isso confere-lhe uma responsabilidade adicional neste caminho rumo à sustentabilidade. A empresa já confirmou que irá produzir, em Palmela e a partir de 2025, um novo modelo híbrido do grupo alemão, mas o ministro da Economia, António Costa Silva, anunciou nas últimas semanas que o governo está a preparar “um incentivo” para que seja possível “fabricar uma nova geração de carros elétricos” naquelas instalações. Não há, para já, detalhes sobre a negociação que estará a decorrer entre a Autoeuropa e o executivo.

“A transição para um futuro sustentável requer uma abordagem colaborativa, sob risco de as empresas não serem capazes de aproveitar de uma forma ágil as oportunidades que a digitalização e a eletrificação, entre outras soluções inovadoras, oferecem às sociedades contemporâneas”, segundo a Volkswagen Autoeuropa

Tecnologia é chave para a transição

Para lá das emissões dos veículos, a transformação dos processos e a aposta na eficiência é essencial para reduzir o impacto sobre o ambiente. “Na fábrica de Palmela, a inovação desempenha um papel fundamental na otimização dos nossos processos de produção”, assegura a empresa, que fala na “análise de dados em tempo real e a automação avançada” como formas de evitar o desperdício. Os avanços tecnológicos são, para a indústria como um todo, cruciais para atingir a neutralidade carbónica. “Tecnologias como a inteligência artificial, a internet das coisas, a cibersegurança, o metaverso ou os gémeos digitais estão a permitir que as indústrias sejam mais ágeis e produtivas”, exemplifica o CEO da Siemens Portugal, Fernando Silva.

Hoje, é possível criar os chamados gémeos digitais para simular, ao detalhe, o funcionamento de uma fábrica, os seus impactos ambientais e para otimizar a sua produtividade. Um estudo da Deloitte aponta que os gémeos digitais podem encurtar os ciclos produtivos em 20%, um número relevante quando a AIE atribui 30% das emissões globais à indústria. De acordo com a Siemens, é possível reduzir para metade os materiais consumidos com a utilização desta tecnologia. Entre os principais desafios à digitalização nas empresas está, de acordo com Fernando Silva, “o envolvimento e o compromisso das pessoas” com os processos de transição, em que, cada vez mais, a atualização de competências será fundamental. Endereçar a temática das qualificações implicará, também, uma cooperação permanente entre empresas, Estado e academia, acredita o responsável.

Ainda que os ganhos em matéria de sustentabilidade, produtividade e eficiência sejam transversais a todas as indústrias, a tecnologia tem efeitos particulares no sector da saúde. Em Portugal, já existem casos em que a inteligência artificial está a ser aplicada à monitorização dos doentes e ao apoio à decisão dos médicos – um exemplo é o Hospital de Cascais, que tem um sistema automático para o rastreio ao VIH nas urgências. Desde fevereiro, também o Hospital da Luz e o Instituto Superior Técnico estão a desenvolver um projeto-piloto para acompanhar 50 doentes crónicos através de sensores e agregação de dados que permitem sugerir aos profissionais de saúde abordagens clínicas.

“Portugal 5.0 – Accelerate Digital Transformation” é o tema da próxima conferência do ciclo “Vamos falar de sustentabilidade”, que o Expresso transmite no dia 12 a partir das 10h.

é a percentagem de emissões de CO2 que, em todo o mundo e de acordo com a Agência Internacional da Energia, têm origem na indústria

O que é

Consciente da importância de alcançar uma economia cada vez mais sustentável, o Expresso criou o ciclo de conferências “Vamos falar de sustentabilidade” para motivar o debate sobre o que é preciso fazer para, de forma coletiva, criar um futuro mais verde. O próximo capítulo é “Portugal 5.0 – Accelerate Digital Transformation”, com apoio da Siemens, em que será possível conhecer casos de sucesso em várias indústrias, da energia à mobilidade, passando pela saúde.

Quando, onde e a que horas?

O evento será transmitido no Facebook do Expresso na quarta-feira, dia 12, a partir das 10h

Quem são os oradores em destaque?

  • António Costa Silva, ministro da Economia e do Mar;
  • Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde;
  • Jean-Luc Herbeaux, CEO Hovione;
  • Miguel Stilwell, CEO EDP;
  • Thomas Hegel Gunther, Plant Manager Volkswagen Autoeuropa;
  • Roland Busch, presidente e CEO da Siemens AG;
  • Fernando Silva, CEO da Siemens Portugal.

Porque é que este evento é importante?

Portugal quer atingir a neutralidade carbónica até 2045, antecipando em cinco anos a meta europeia. Para isso, porém, será necessário reforçar a aposta na transição energética e na transformação da sua economia, que só será possível em parceria com as empresas. A tecnologia, a inovação e o conhecimento especializado serão essenciais para alcançar os objetivos de sustentabilidade, mas há desafios que importa ultrapassar e oportunidades que não se podem perder.

Como posso ver?

Através da página de Facebook do Expresso.

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