Tive a felicidade de celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Jersey, com a comunidade madeirense ali emigrada, que representa já mais de 20% da população daquele arquipélago e cujo contributo para o seu desenvolvimento, bem como para o do nosso país, em concreto, da Região Autónoma da Madeira, tem sido exemplar e decisivo.
Nos contactos diários desta viagem, que incluiu também uma passagem por Londres, com a comunidade madeirense, registo, em primeiro lugar, o enorme respeito e apreço que as entidades oficiais têm por nós, portugueses, pela nossa inquestionável seriedade e pelo árduo trabalho, aliados à fácil adaptabilidade a outras realidades, sendo certo que nunca é fácil sairmos da nossa zona de conforto e alcançarmos o sucesso.
Em segundo lugar, relevo o apreço por ver, in loco e em cada emigrante, a permanência da portugalidade (“madeirensidade”, no nosso caso específico), algo que a nós, políticos e governantes, cuja função é uma boa governação da res publica, em prol do desenvolvimento e bem-estar da nossa população, nos deve encher de particular satisfação.
Todavia, como tanto se tem visto e, particularmente, na Região Autónoma da Madeira, há, por parte do Estado, um esquecimento dos emigrantes, seja no estrangeiro, seja quando regressam. Essa realidade é bastante evidente, obrigando muitas vezes o Governo Regional da Madeira, dentro das suas parcas possibilidades legais e financeiras, a tomar medidas compensatórias que são dever e obrigação da República.
Na última década, de acordo com o Relatório de Emigração de 2020, mais de um milhão de portugueses saíram do país – o que é um desastre nacional, se pensarmos no problema demográfico que Portugal atravessa, a que se junta, pela quantidade, ser esta a prova de que a governação não tem sido competente e eficaz na criação das condições para os portugueses viverem no seu próprio país, especialmente as gerações mais jovens. E nunca tivemos, como até agora, gerações tão bem preparadas, do ponto de vista formal educativo e qualitativo, como estas.
Dos problemas por resolver, destaco a gritante falta de resposta nos consulados, um problema que se arrasta e se agrava e que faz com que os emigrantes tenham de tratar da sua documentação quando vêm a Portugal, o que é absurdo, mais ainda num mundo global e digital.
Por outro lado, assinalo ainda a perda das ligações aéreas da TAP com a diáspora. O governo socialista meteu milhares de milhões de euros no TAP e, no entanto, os portugueses no estrangeiro têm de viajar noutras companhias, porque a companhia de bandeira não voa para os destinos onde estão radicados os portugueses.
Muito mais se poderia acrescentar sobre a forma como são desconsiderados os nossos emigrantes pelo Estado português, mas o que importa reter, e é isso que levo desta minha visita a Jersey, é que esses portugueses, estejam onde estiverem, estarão sempre com Portugal no coração, embora, infelizmente, muitas vezes, isso não seja recíproco.
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