Richard Linklater critica estado do cinema. A culpa “é do pessoal da tecnologia” – NiT

Richard Linklater critica estado do cinema. A culpa “é do pessoal da tecnologia”

O premiado cineasta confessa a desilusão. “Será que alguém desta nova geração dá valor a esta arte?”

O mundo pode dividir-se em dois tipos de pessoas: os otimistas e os catastrofistas. Por estes dias, no que toca ao cinema, este é um duelo que coloca frente a frente Francis Ford Coppola e Richard Linklater. Se o primeiro se mostrou entusiasmado com o mega sucesso da estreia simultânea de “Barbie” e “Oppenheimer”, o segundo tem uma visão bastante mais sombria da indústria.

O criador de filmes como “Antes do Amanhecer” e “Boyhood” — e o mais recente “Hit Man”, que estreou a 4 de setembro no Festival de Veneza — mostra-se desiludido com o estado atual das coisas. “Parece que se foi tudo com o vento ou, neste caso, com o algoritmo”, confessa em entrevista à “The Hollywood Reporter”

Linklater recorda os seus primeiros anos como realizador, na década de 90, como “a última boa era para fazer cinema”. Uma era que deu origem aos tempos modernos onde diz que os filmes se tornaram “em sistemas avançados de entrega de publicidade”. “Por vezes, falo com alguns realizadores da minha idade, com quem cresci nos anos 90 e comentamos: ‘Meu Deus, nunca poderíamos fazer o que fizemos atualmente’. Por um lado, acabas por pensar, de forma algo egoísta, que nasceste na altura certa. Pudeste participar naquela que consideras ter sido a última boa era para fazer cinema. E depois ficas a desejar que melhores tempos se avizinhem.”

Nem todos sucumbiram à máquina e aos caprichos da distribuição, que diz estar perdida. “Será que haverá uma nova geração que realmente valorize o cinema? Esse é um pensamento sombrio”, conclui.

Apesar do negativismo, Linklater confessa que gere um clube de visionamento e que encontra, nos miúdos mais novos, algumas exceções. “Cruzo-me com tantos miúdos que adoram cinema, que vêm todos os filmes. Mas sei que, culturalmente, eles são a exceção. Temo que não haja suficiente massa crítica na cultura para manter o que tínhamos anteriormente.”

Ainda assim, Linklater é capaz de admitir que poderá estar errado, ao confessar que não tem “uma análise mais profunda do que qualquer outra pessoa”. “Sinto apenas que estamos em águas turbulentas e espero que não nos afoguemos. Certo é que vivemos tempos de incerteza.”

Há, contudo, um grande alvo desta irritação do realizador, bem como uma possível explicação para aquilo que provocou “uma mudança cultural e tecnológica”. “É difícil imaginar um tempo em que o cinema volte a ter a importância que já teve. Conseguimos prever que isso ia acontecer assim que começaram a chamar ‘conteúdo’ aos filmes”, nota. “Mas isso é que acontece quando deixas que o pessoal da tecnologia tome conta da tua indústria.”

Carregue na galeria para conhecer as novas séries que chegam à televisão em setembro.


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