Dados de sexo e idade no Censo 2022, apresentados nesta sexta-feira (27) pelo IBGE, mostram a mudança de perfil demográfico dos Estados amazônicos (Foto: Marinho Ramos/ Semcom).
São Paulo (SP) – A região Norte é a mais jovem do País, aponta o Censo 2022. Ela é seguida do Nordeste e Centro-Oeste, enquanto Sudeste e Sul vêem suas estruturas sociais se envelhecerem de forma acelerada. Os dados revelados nesta sexta-feira (27) pelo IBGE indicam ainda que já há mais mulheres do que homens nos estados amazônicos. É um fato inédito, mas que acompanha uma tendência que ocorria nas demais regiões brasileiras desde o levantamento de 2000.
Os dois dados, sexo e idade, foram os novos recortes apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que apresenta aos poucos os resultados do Censo. Eles representam mais do que curiosidades: entender a evolução da população ao longo do tempo, nesse grande retrato do povo brasileiro, permite definir com mais precisão políticas e programas públicos.
Em números gerais, o Brasil possui 104.548.325 mulheres (51,5%) e 98.532.431 homens (48,5%). Apenas quatro Estados brasileiros ainda possuem predomínio masculino e todos eles pertencem à Amazônia Legal: Mato Grosso e Roraima (ambos com 50,3% de homens), Tocantins (50,1%) e Acre (50,04%). Os outros Estados da região Norte já têm mais mulheres do que homens: Pará (50,1%), Amazonas (50,1%), Rondônia (50,2%), Amapá (50,3%) e Maranhão (50,9%). Rio de Janeiro é a Unidade da Federação com maior proporção feminina (52,8%).
Também em números gerais, mas agora por grupos etários, os Estados amazônicos possuem as maiores proporções de jovens e as menores de idosos. Roraima lidera esse ranking, com 29,2% de sua população com até 14 anos e 5,1% acima de 65 anos. Amazonas vem em seguida com 27,3% de jovens e 5,9% de idosos. Apenas para comparar, o Rio Grande do Sul tem 17,5% de jovens e 14,1% de idosos.
Pirâmide demográfica
O Brasil envelhece, censo após censo, seguindo uma tendência mundial. A pirâmide demográfica engorda, deixando o aspecto de uma montanha com uma “base larga”. Quanto mais cresce a fatia de pessoas de 65 anos ou mais, portanto com idade mais próxima de se aposentar, mais caro se torna para manter o sistema previdenciário brasileiro. Com a taxa de fecundidade caindo aos menores níveis da história, conforme apontou a primeira prévia do Censo 2022, o que se vê é a redução drástica de jovens e o aumento da população idosa.
No relatório analítico sobre o Censo 2022, o IBGE lembra que em 1980 a taxa de fecundidade da região Norte era superior a seis filhos por mulher, enquanto a média nacional se mostrava em torno de quatro filhos por mulher. “O estreitamento da base da pirâmide será visto somente a partir de 1991. A população de 0 a 14 anos, que em 1980 representava 46,2% da população total, caiu para 25,2% em 2022 (e era 31,2% em 2010)”, aponta o documento.
Em 1980, 38,2% dos brasileiros estavam na faixa de até 14 anos; 57,7% entre 15 e 64 anos; e 4,0% acima de 65 anos. Em 2000, as respectivas proporções eram de 29,6%, 64,5% e 5,9%. Nos dados deste Censo, 19,8% da população tinha até 14 anos; 69,3% de 15 a 64 anos; e 10,9% para o grupo de 65 anos ou mais.
O IBGE calcula também o “índice de envelhecimento”, que é a proporção entre as pessoas de 65 anos ou mais em relação ao grupo de recém-nascidos a adolescentes de 14 anos. Nacionalmente, essa proporção é de 55,2% pelo Censo 2022, quando em 1980 era de apenas 10,5%. Justamente por serem joviais, os Estados amazônicos novamente se destacam com os menores desses índices: Roraima (17,4%), Amapá (20,3%), Amazonas (21,7%), Acre (23,8%) e Pará (29,6%). Todos eles bem abaixo da média nacional. No oposto desta lista, estão o Rio Grande do Sul (80,4%) e o Rio de Janeiro (73,6%).
A “idade mediana” é, segundo os estatísticos, aquela que representa o divisor entre a metade da população mais jovem e a metade mais velha. Em 2010, esse indicador era de 24 anos na região Norte, e no Censo 2022 foi para 29. Ainda assim, é a mais baixa entre todas as regiões brasileiras. No Sudeste, a idade mediana é de 37 anos, um acima do Sul (36) e dois da média brasileira (35).
Dos 10 Estados brasileiros com a menor idade mediana, nove são representantes da Amazônia Legal: Roraima (26 de idade mediana), Amapá, Amazonas e Acre (27), Pará (29), Maranhão (30), Tocantins (31) e Mato Grosso e Rondônia (32). Quando se analisa no nível municipal, esse dado escancara a jovialidade dos povos amazônicos.
Dos 150 municípios mais jovens do Brasil, 146 são cidades amazônicas. A campeã é Uiramutã, em Roraima, que apresenta idade mediana de 15 anos, seguida de Santa Rosa do Purus (AC), e Normandia (RR) com 17 anos. As duas maiores capitais da região Norte são, comparativamente, bem “mais velhas”: Manaus (30 anos de idade mediana) e Belém (35). No lado oposto desta tabela, 42 cidades gaúchas figuram entre as de maior idade mediana. Em União da Serra e Coqueiro Baixo, ambas no Rio Grande do Sul, esse indicador é de 53 anos.
É no município de Uiramutã, localizado na fronteira com a Guiana Francesa, que fica o Monte Caburaí, o ponto mais “alto” do País, 100 quilômetros mais ao norte do que o conhecido Oiapoque, no Amapá. Nessa cidade roraimense estão as terras indígenas dos Ingarikós. Uiramutã conta hoje com 13.751 habitantes, um acréscimo anual de 4,2% desde o Censo 2010. É mais jovem não só por causa da baixa “idade mediana” de sua população, mas também porque se tornou município há pouco tempo, em 17 de outubro de 1995, completando 28 anos de existência.
Uiramutã, que fica dentro da Terra Indigena Raposa Serra do Sol, guarda uma outra peculiaridade, segundo apontou o IBGE. O Censo 2022 mostrou que o município também tem a maior proporção de indígenas do Brasil (96,11% de sua população se identifica dessa forma).

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