Presidente do Sindprof preocupado sobre condições de trabalho e emigração de professores em Cabo Verde
Lígia Herbert declarou que a imigração sempre foi uma realidade histórica, impulsionada por uma variedade de factores, incluindo a busca por melhores condições de vida e oportunidades de emprego.
No entanto, expressou perplexidade com o fato de que, para os professores, a emigração se tornou uma alternativa de vida.
“É preocupante que professores desmotivados, após ingressarem na carreira docente através de concursos, busquem licenças sem vencimento e partam para outras paragens em busca de melhores condições de trabalho”, disse.
Lígia Herbert destacou ainda existência de pendências não resolvidas, promessas não cumpridas e orientações que muitas vezes não estão alinhadas com a legislação vigente e instou o Ministério da Educação a resolver essas questões pendentes, afirmando que os professores não podem continuar a ser submetidos a essa situação desmotivadora.
“O ministério não pode varrer o problema por debaixo do tapete, dizendo que Cabo Verde é um país migratório”, enfatizou a líder sindical, apontando também para a falta de incentivo e a inadequação salarial dos professores, especialmente à luz do aumento dos preços dos produtos essenciais.
A sindicalista salientou que o descontentamento e a desmotivação estão se espalhando entre os educadores, o que pode ter um impacto prejudicial na qualidade da educação no país.
“O ministério sabe muito bem qual é o problema do professorado, o professorado desmotivado, quando vai para a reforma do jeito como começou a carreira, ninguém vai querer ser professor”, continuou.
Lígia Herbert também criticou o processo de avaliação e promoção dos professores, afirmando que o sistema precisa ser revisto para reconhecer adequadamente as contribuições dos educadores.
Prosseguindo argumentou que a criação de orientações e regulamentos por parte de técnicos que muitas vezes não estão familiarizados com a realidade das salas de aula resulta em um sistema que não atende às necessidades dos professores.
“Nós temos técnicos nos gabinetes a criar orientações, a criar leis de avaliação, a criar isto e aquilo. Mas, entretanto, são pessoas que dificilmente conhecem uma sala de aula, não conhecem a sociedade que temos, não conhecem uma sala de aula e criam copiando aqui, ali e acolá, em diversos lugares, criam orientações, criam tudo para o professor cumprir”, realçou.
A presidente do Sindicato Democrático dos Professores continuou destacando a importância de valorizar os educadores, resolvendo questões pendentes e oferecendo condições de trabalho dignas.
Herbert afirmou que, se não forem tomadas medidas para melhorar a situação dos professores, o sistema educacional cabo-verdiano pode enfrentar a fuga de intelectuais e uma deterioração na qualidade da educação oferecida aos estudantes.
“Com isto, quem vai ficar na educação? E ali leva-nos aos miúdos, aos estudantes, às crianças, aos adolescentes que têm que ter uma continuidade de estudo, têm que ter um professor e então, de ano para ano, eles vão mudando do professor porque o professor A, B ou C já foi dá licença sem vencimento e já ninguém quer ser professor”, alertou.
Inforpress
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