As gestoras de investimentos BlackRock e Vanguard também aumentaram significativamente seus ativos na Minerva entre 2019 e 2022: uma passou de US$ 840 mil para US$ 4,8 milhões e a outra de US$ 4,5 milhões para US$ 8,6 milhões, respectivamente.
Compromissos verdes?
Esses investimentos, diz a Global Witness, ocorrem apesar de as financiadoras apresentadas no relatório terem compromissos de sustentabilidade por meio de esquemas como a Net-Zero Banking Alliance e a Net Zero Asset Managers Initiative.
“Esses bancos têm compromissos voluntários, quase todos com políticas de combate ao desmatamento e processos de rastreabilidade extensivos”, disse Hammans. “Mas o que descobrimos é que ou os processos não estão funcionando corretamente, ou eles estão apenas aceitando isso como parte de seus negócios, que se trata de ganhar dinheiro”.
Como sua análise demonstra, as iniciativas voluntárias não têm sido suficientes para as instituições financeiras limparem seus portfólios, e a Global Witness tem feito campanha por uma legislação mais rigorosa, particularmente na União Europeia. “Há o projeto de lei [para impedir a importação de bens ligados ao desmatamento para a UE] que está chegando em breve. No entanto, ele não inclui as finanças”, disse Hammans.
A Minerva tem 25 abatedouros na América do Sul, cinco deles no Paraguai. A empresa diz que implementou o monitoramento de suas fazendas de abastecimento direto no Paraguai, embora não de fornecedores indiretos — o maior problema.
A Minerva não respondeu aos pedidos de comentários da Global Witness, e o Frigorifico Concepción negou qualquer infração. Entre as instituições financeiras, apenas o BNP Paribas respondeu, dizendo que abordou a empresa brasileira para ter mais informações e discutir medidas de rastreabilidade em sua cadeia de produção.
Crise de desmatamento no Paraguai
O Paraguai perdeu 32% de sua floresta tropical nativa entre 2001 e 2021 — a quarta maior taxa do mundo, atrás das ilhas periféricas dos EUA no Pacífico, Dominica e Haiti, segundo a Global Forest Watch.
Além da pecuária, uma rodovia intercontinental conhecida como Corredor Bioceânico aumentou o ritmo do desmatamento no Chaco — segundo maior bioma da América do Sul, atrás da Amazônia — e pressionou as comunidades da área.
“As obras estão avançando rapidamente, e isto impactará nosso povo”, diz Tagüide Picanerai, líder do povo indígena Ayoreo. Picanerai vive na capital Assunção, a cerca de 500 quilômetros de sua terra natal e de onde tem representado sua comunidade nas negociações com o Estado paraguaio.
Nas últimas décadas, muitos dos Ayoreo foram forçados a deixar suas terras ancestrais e a mudar seu modo de vida, mas cerca de 150 membros permaneceram sem contato — o único grupo que vive em isolamento voluntário nas Américas fora da Amazônia. Como caçadores-coletores, eles se movimentam pela área coletando frutas e caçando. A recente seca no país, disse Picanarei, pode ter prejudicado seu acesso à alimentação.
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