Por que Bolívia e Peru são ótimos adversários para o início de Diniz na seleção

Eugênio Leal, especial para o ESPN.com.br7 de set, 2023, 12:00Leitura: 5 min.

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O atacante do Arsenal foi convocado no lugar de Antony, que foi cortado da seleção brasileira

Um novo ciclo de Copa do Mundo se inicia, mas pouca coisa mudou nos nossos rivais sul-americanos. Marcelo Moreno (36 anos) e Paolo Guerrero (39) continuam liderando as seleções de Bolívia e Peru – os primeiros adversários, respectivamente, da seleção brasileira na ‘Era Diniz’. Uma tabela quase perfeita para que um novo modelo de jogo seja implantado pelo técnico interino.

Se alguns nomes são os mesmos, as esperanças destes países estão sempre se renovando. Desta vez, menos pela evolução técnica de seus jogadores e mais pelo aumento no número de vagas no mundial da Fifa – que pela primeira vez terá 48 participantes.

A Bolívia, que tem passado longe de se classificar, já faz suas contas para voltar aos Estados Unidos (sede do próximo Mundial ao lado de Canadá e México), onde disputou sua única Copa, em 1994. Aquela seleção é tão fora da curva que seu principal jogador, Etcheverry, foi eleito recentemente o maior da história do esporte no país.

Desde então, Marcelo Moreno se transformou no jogador com mais atuações (102) e também no maior artilheiro da história da seleção (31 gols). O atacante, ex-Cruzeiro e atualmente no Independiente del Valle, começa estas eliminatórias com a ideia de que, ganhando os jogos em casa, a Bolívia terá uma das seis vagas diretas do continente.

Acontece que, apesar do fantasma da altitude, o desempenho boliviano na sua fortaleza de 3.600 metros de altura passa longe dos 100%. No estádio Hernando Siles, eles ganharam apenas 49% dos jogos disputados na história das eliminatórias. Ainda assim, é um desempenho excelente se comparado ao de visitante: apenas três vitórias em 82 jogos. Na última edição, a equipe ficou sem vitória longe de casa e terminou em penúltimo lugar, 8 pontos atrás da sexta colocada, a Colômbia.

Este time vai precisar melhorar muito, mas o que fez para isso? Não muita coisa. O futebol de clubes local segue com enormes problemas. O último é um escândalo de manipulação de resultados envolvendo não só jogadores como também dirigentes e árbitros. Na semana de estreia nas eliminatórias, a Federação anulou o campeonato que vinha sendo disputado desde fevereiro.

O Bolívar, impulsionado pelo seu dono, Marcelo Claure (um executivo multimilionário que vive nos Estados Unidos), tem investido em infraestrutura e iniciou um projeto de formação de atletas em parceria com o Grupo City que pode colher frutos no futuro, mas ainda não desenvolveu atletas que possam mudar o nível técnico da equipe.

O técnico argentino Gustavo Costas (60 anos) é um andarilho do continente. Ex-jogador do Racing, ele coleciona títulos nacionais em países sul-americanos, mas nunca dirigiu uma seleção. Em pouco mais de um ano de amistosos à frente de ‘La Verde’, não deu provas de que pode surpreender. Costas convocou nada menos que 48 jogadores. Muitos do Bolívar, alguns do Strongest e os ‘legionários’, como são chamados os que vêm do exterior. Três deles atuam no Brasil, mas são desconhecidos do grande público. Miguelito Terceros e Enzo Monteiro são do Santos, enquanto Fernando Saucedo está no Athletico-PR. Todos na categoria sub-20.

Moreno acredita que o time precisa mudar de postura e jogar “de igual pra igual” nas Eliminatórias. Mas nem Gustavo Costas confia nisso e está montando um 5-4-1 para o jogo contra o Brasil, em Belém, no Pará, com um time diferente daquele que receberá a Argentina em La Paz na segunda rodada, quando o nível de dificuldade para a equipe de Diniz vai aumentar um pouco.

Jogadores da seleção brasileira recebem orientação de Fernando Diniz em treinoVitor Silva / CBF

Peru pode ameaçar o Brasil de Diniz?

A seleção peruana está um degrau acima da boliviana no aspecto técnico e jogará em Lima, mas não terá lotação máxima no Estádio Nacional devido a uma punição imposta pela Conmebol após problemas registrados nas últimas eliminatórias que determina o limite de 75% da capacidade de público.

Paolo Guerrero, campeão do Mundial de Clubes com o Corinthians e atualmente na LDU que eliminou o São Paulo da CONMEBOL Sul-Americana, voltou ao comando do ataque e será dirigido por um compatriota. Juan Reynoso ficou com o lugar de Ricardo Gareca, que foi embora após a eliminação nos pênaltis para a Austrália na repescagem para a última Copa.

O novo comandante tem um perfil vitorioso e conseguiu quebrar longos jejuns sem títulos nos clubes que dirigiu no próprio país e no México, onde se consagrou como zagueiro.

A renovação do time não é simples de ser feita e ainda esbarra nas lesões. São nada menos que nove jogadores vetados para a estreia contra o Paraguai e a maioria não vai se recuperar a tempo de jogar contra o Brasil. Diante deste quadro, além de Guerrero, provavelmente ouviremos nomes familiares como Advincula, Trauco, Carrillo e Yotún. Uma geração que levou o país ao Mundial da Rússia, em 2018, mas já não está mais no seu auge faz tempo.

Desfalcado na arquibancada e no campo, o selecionado peruano deve ser mais uma boa oportunidade para o ‘Dinizismo’ ganhar força na seleção brasileira.

Próximos jogos da seleção

  • Bolívia (C) – 08/09, 21h45 (de Brasília) – Eliminatórias

  • Peru (F) – 12/09, 23h (de Brasília) – Eliminatórias

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