Petrobras testa tecnologia inédita de eólica offshore

Bacia de Campos (foto divulgação Petrobras)

Na semana passada, foi divulgado que o processo de instalação da primeira das 277 turbinas no maior parque eólico offshore (em alto-mar) do mundo estava em andamento no Reino Unido. A SSE, empresa de energia britânica, prevê a conclusão do parque eólico em 2026.Enquanto isso, o Brasil encontra-se no processo de busca de soluções de baixo carbono e de regulamentação. O marco legal de energia eólica offshore é considerado prioridade. No legislativo, o projeto de lei 576/2021 já foi aprovado pela Comissão de Infraestrutura do Senado Federal e seguiu, em junho, para análise da Câmara dos Deputados.

A energia eólica offshore é um dos caminhos da Petrobras para desenvolver soluções de baixo carbono no contexto de seu Planejamento Estratégico. Nesta quinta-feira, a companhia divulgou que testou a performance de um modelo de tecnologia eólica offshore (gerada a partir do vento) inédita no país, desenvolvido em parceria com a Escola Politécnica da USP. “Esse projeto demonstra como a questão da transição energética é transversal na Petrobras e está entre suas prioridades”, disse o Diretor de Transição Energética da Petrobras, Maurício Tolmasquim.

O objetivo dos testes foi avaliar o desempenho de um sistema eólico flutuante em escala reduzida – composto por um aerogerador apoiado em uma estrutura semissubmersível de quatro colunas – posicionado no tanque do Laboratório de Tecnologia Oceânica da COPPE/UFRJ. O cenário de aplicação reproduziu as condições ambientais e de mar típicas do pré-sal da Bacia de Santos, onde a tecnologia poderá ser implementada em etapa posterior, se comprovada sua viabilidade técnica e econômica.

Em escala real, a capacidade de cada sistema flutuante será de até 15 MW, o que representa de 10% a 30% da energia elétrica necessária para abastecer uma plataforma do pré-sal. Em uma aplicação offshore, os pesquisadores analisam o cenário de conexão do equipamento de geração eólica à plataforma ou a um sistema submarino – posicionado em águas profundas – por meio de um cabo elétrico (chamado umbilical elétrico) para prover a energia elétrica de baixo carbono para ativos de produção de petróleo e gás.

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Parceria

Unimos forças com a USP e UFRJ, duas das mais importantes universidades brasileiras, para testar uma tecnologia 100% nacional, de eólica offshore, capaz de reduzir as emissões em nossas plataformas do pré-sal. Esse projeto demonstra a importância das parcerias da Petrobras com a academia para impulsionar o movimento de transição energética no país, com grande potencial de deflagrar uma onda de inovação sem precedentes no Brasil”, afirmou o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates.

O teste analisou o comportamento do sistema flutuante eólico diante das condições ambientais extremas do pré-sal, localizado em profundidades acima de 2 mil metros. “Com os resultados do teste, vamos comparar essa iniciativa com outras opções para descarbonização das operações de exploração e produção da Petrobras, no que diz respeito ao suprimento energético das plataformas. Vamos considerar as melhores alternativas em termos de custos para atender às nossas metas de descarbonização dentro das mais rigorosas condições técnicas, ambientais e de segurança”, frisou o diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Carlos Travassos.

Pesquisa e desenvolvimento

Trata-se de uma iniciativa que envolve o nosso Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes) e a nossa área de Exploração e Produção, em nosso principal ambiente de produção, o pré-sal, que trará informações relevantes para a avaliação das oportunidades em eólica offshore” disse Tolmasquim.

Na Conferência Climática das Nações Unidas (COP27), realizada em novembro do ano passado, no Egito, representantes da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEolica), presentes ao evento, citaram que a energia eólica onshore no Brasil (produzida em terra), ocupa 13% da matriz elétrica, com capacidade instalada de 25GW, e que o país é o 3º do mundo que mais investe em eólica onshore e o sexto em capacidade instalada. A partir do desenvolvimento da eólica offshore e do hidrogênio verde, na opinião da presidente da ABEEólica, Elbia Gannoum, o Brasil pode assumir a liderança mundial de energia e, principalmente, de energia renovável.

Os investidores se mostraram muito interessados. Hoje, o nosso grande desafio nem é atrair investidores. Eles já estão ávidos por investir, inclusive estamos com 170GW de projetos com pedido de licenciamento do Ibama”.

De acordo com o Ibama, a perspectiva é que sejam produzidos 700Gw de energia caso todo o potencial eólico brasileiro seja explorado, o que corresponde a dez vezes mais que o produzido por todos os empreendimentos de geração de energia instalados no Brasil, atualmente.

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