Paulo Cupertino, acusado de matar Rafael Miguel e os pais, usou nome falso e se escondeu no Paraguai | Jornal Nacional
Por um mês, o homem que quase não mostrava o rosto se registrou em um hotel na Zona Sul de São Paulo como Cristiano. Para disfarçar, o hóspede do quarto 27 andava pelos corredores sem olhar para as câmeras. Carregava uma bengala e usava duas máscaras e um chapéu. Na segunda-feira (16), meia hora depois de entrar no quarto, os policiais apareceram no corredor. Cupertino, sem chapéu e sem máscara, já estava preso.
Paulo Cupertino é acusado por triplo homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil, e por não dar chance de defesa às vítimas. De acordo com a denúncia do Ministério Público, em junho de 2019, ele matou Rafael Miguel e os pais do rapaz porque não aceitava o namoro do ator de 22 anos com a filha Isabela Tibcherani, na época com 18 anos. Câmeras de uma lanchonete mostraram o começo da fuga.
Paulo Cupertino se escondia há quase três anos. A polícia acredita que ele tenha voltado à Zona Sul de São Paulo, onde cometeu o crime, há pouco mais de um mês. Nesse longo período de fuga, a polícia recebeu mais de 300 denúncias. Algumas em oito estados diferentes e em três países: Argentina, Venezuela e Paraguai.
O Ministério Público diz que Paulo Cupertino teve a ajuda de dois amigos. O primeiro, o levou até Sorocaba. De lá, Cupertino seguiu sozinho para a cidade de São Pedro, também no interior paulista. O outro amigo emprestou dinheiro, e Paulo Cupertino foi até Campinas. De lá embarcou para Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.
Lá ele mudou de cidade. Se instalou em um sítio em Eldorado, onde trabalhava como caseiro. Com uma barba longa e branca e uma certidão de nascimento falsificada, o fugitivo viveu como Manoel Machado da Silva. Quando a polícia descobriu o esconderijo, Cupertino fugiu para o Paraguai.
Na segunda-feira, dia da prisão, Paulo Cupertino já tinha outro visual: cabelos pretos, bigode e cavanhaque, e não quis dar nenhum detalhe de como se escondeu por tanto tempo.
“Só voltou para São Paulo há aproximadamente 30 dias porque estava com muita saudade dos filhos e que ele precisava de dinheiro, que ele realmente estava sem nada de dinheiro. E que esse tempo todo foi trabalhando, fazendo pequenos bicos para lá e para cá”, conta a delegada Ivalda Aleixo.
Um kit disfarce foi apreendido nesta terça-feira (17) no quarto do hotel: três chapéus, um paletó, uma calça, um par de tênis, bengala e uma carteira de habilitação falsificada. Cupertino usou lentes azuis para tirar a fotos para os documentos. Com esse visual, ele caminhava pelas ruas da Zona Sul de São Paulo e frequentava o comércio do bairro.
“A parte processual relativa aos homicídios está pronta. Ele, inclusive, está denunciado e vai responder em juízo. Nesta feita, nós vamos averiguar se terceiros ajudaram na fuga dele, ou ele ficar em esconderijo. Aí ele responde a novos crimes e novas penas”, explica o delegado Wendel Luiz Pinto de Sousa e Silva.
A filha de Cupertino se disse aliviada.
“É uma notícia que minimamente alivia. É muito bom saber que ele foi preso, e o senso de justiça. Desejo que ele pague pelo que ele fez”, afirma Isabela Tibcherani.
A irmã do ator Rafael Miguel, que perdeu toda a família também, espera pelo final dessa história que chocou o país.
“A gente pode pelo menos respirar um pouco, pelo menos por um momento aliviados, de que uma pessoa que não deve estar solta na sociedade finalmente foi presa”, diz Camila Miguel.
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