Adriano Maleiane toma posse esta sexta-feira (04.03) como novo primeiro-ministro de Moçambique. Substitui no cargo Carlos Agostinho do Rosário, que ocupava a posição desde janeiro de 2015.
Para Ivone Soares, deputada da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o principal partido da oposição, a indicação de Maleiane é acertada.
“É um governante com créditos firmados, uma pessoa competente. É um tecnocrata de mão cheia, que conhece o trabalho que faz, e tem presença. Não é uma pessoa que será abafada por seja quem for”, considera da deputada.
Carlos Agostinho do Rosário foi demitido do cargo de primeiro-ministro
As mudanças no Executivo de Filipe Nyusi não ficaram por aqui. No despacho da Presidência da República, divulgado na tarde de quinta-feira (03.03), Nyusi nomeou ainda Max Tonela,que dirigia o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, para o cargo de ministro da Economia e Finanças.
Carlos Mesquita, que desde 2020 dirigia o Ministério da Indústria e Comércio, passa para o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos. E Lídia Cardoso, que até então era vice-ministra da Saúde, passa a ministra do Mar, Águas Interiores e Pesca.
No entanto, há também novas caras nas nomeações.
Carlos Zacarias, que já foi Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleo, foi indicado para o cargo de ministro dos Recursos Minerais e Energia. Silvino Moreno é o novo ministro da Indústria e Comércio e Amílcar Tivane será vice-ministro da Economia e Finanças.
O porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a segunda maior força política da oposição, mostra-se apreensivo quanto à remodelação governamental.
Não está em causa a competência dos ministros ora nomeados, ou exonerados, comenta Augusto Pelembe, o problema é mais vasto: “Ainda que os ministros fossem tão bons, as pessoas tornam-se incapazes estando dentro do sistema político do regime da FRELIMO”, a Frente de Libertação de Moçambique.
Acomodação de interesses
Para Pelembe, as remodelações feitas por Filipe Nyusi não passam de uma mera acomodação de interesses individuais.
Ivone Soares: “O que nós queremos é que o país avance”
“Tem sido comum os chefes de Estado, quando chegam ao final do mandato, acomodar os seus que ainda não tinham tido pão”, diz o político, acrescentando que este “é mais um ato para acomodar os seus do que para trazer soluções para o povo moçambicano”, conclui o porta-voz do MDM.
A deputada da RENAMO Ivone Soares apela aos recém-nomeados para que arregacem as “mangas”, porque, segundo avisa, “oque nós queremos como moçambicanos é que o país avance com soluções concretas para os problemas quotidianos do país”.
Um Presidente “incompetente”
A ativista social Fátima Mimbire concorda que as mexidas devem se refletir no desenvolvimento do país, porque, segundo observa, o país tem “um Presidente despreparado para um país com o nível de complexidade de problemas que nós temos”.
Mimbire diz que Nyusi é “um Presidente todo-poderoso, porque é presidente do partido, do país, presidente de tudo, mas, no final do dia, é um incompetente”.
Fátima Mimbire, jornalista e ativista social
A ativista estranha, por outro lado, a indicação de Carlos Mesquita para o Ministério da Obras Públicas. Mimbire também considera que se trata de uma “acomodação” de interesses. “Não se trata aqui de colocar alguém que vai dinamizar o Ministério e fazer coisas extraordinárias”, antevê a também jornalista.
Todos unidos antes da reunião do Comité?
Mimbire acredita que, com estas mudanças, Filipe Nyusi estará a preparar a sua máquina partidária, tendo em conta o próximo encontro do Comité Central da FRELIMO.
“É preciso que se vá à reunião do Comité Central com uma perspetiva de reconciliação, de que estão todos inclusos. Então, é como se estivéssemos a acomodar outros interesses para dizer que a FRELIMO está unida e coesa”, observa.
A DW África tentou obter uma reação do partido governamental, a FRELIMO, mas o porta-voz desta formação política, Caifadine Manasse, não atendeu as ligações.
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