Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, foi recebida esta sexta-feira pelo líder da oposição, Luís Montenegro, em Braga, após a reunião do Conselho de Estado. A última paragem na agenda da maltesa em visita oficial a Portugal, a convite do Presidente da República, foi o congresso dos jovens do PPE, onde discursou para duas centenas de congressistas acompanhados por líderes sociais-democratas.
Após Luís Montenegro ter discursado no Congresso da Juventude do Partido Popular Europeu no Altice Forum, em Braga, dirigiu-se a um evento paralelo na Casa dos Coimbras para receber Roberta Metsola. Quando chegou, os outros líderes sociais-democratas levantaram-se para o receber. Três eurodeputados, Lídia Pereira, organizadora do evento, Rui Rangel e José Manuel Fernandes, além do presidente do município, Ricardo Rio, saudaram o chefe da oposição.
Num evento destinado aos jovens, Montenegro apelou ao Governo para que adotasse políticas que os fixassem. “Somos incapazes de os reter”, disse, evidenciando a diáspora para outros países europeus. Exigiu o aumento dos salários e reduções fiscais dirigidas aos mais novos para se conseguirem emancipar e singrarem no futuro sem recorrerem à emigração.
Primeiro fintou a questão sobre a audição de Fernando Medina, na Comissão Parlamentar da TAP, e depois pediu honestidade, que se evitasse a “partidarite” no relatório final da Comissão de İnquérito. Apontou as incongruências na gestão e o despedimento de Alexandra Reis como episódios “demasiado estranhos” e colocou o foco de dúvida no aconselhamento jurídico que estimou o valor da indemnização. “Não ponham a partidarite à frente da verdade”, afirmou, para se remeter aos deputados socialistas. “É muito estranho o processo de saída e de indemnização de Alexandra Reis, a passagem pela NAV”, após a saída da TAP, e que “um ministro não cuide de o saber”.
Diz-se preocupado com o alegado aumento de criminalidade, que associa à falência generalizada dos serviços públicos, mas à boa economia propalada pelo Governo, Montenegro retorque com “os homens e as mulheres que não conseguem pagar serviços básicos como o são a alimentação, o combustível ou a saúde”. Atribui o crescimento económico do país ao acesso reforçado a fundos europeus e não o considera suficiente para a fixação dos jovens. Cobra ao Governo a redistribuição do excedente na receita fiscal e pede uma diminuição dos impostos sobre o trabalho, além de um aumento da competitividade do país através da diminuição dos impostos sobre as empresas. Defende que os jovens paguem cerca de um terço dos impostos devidos em cada escalão, além da diminuição do IVA na eletricidade e a redução progressiva do IRS. Pistas do que será o programa político de fiscalidade que prometeu, brevemente, apresentar.
Metsola elogia Portugal
Metsola chegou e interrompeu a entrevista coletiva de Montenegro. Posaram para a fotografia e receberam aplausos dos congressistas. Sentaram-se na frente acompanhados por Lídia Pereira. O discurso sobre a guerra começou musicado por Kateryna Ptashka, uma jovem ucraniana de 21 anos, paramédica no regimento Azov, que cantou no congresso jovem do Partido Popular Europeu, em Braga, para pedir a continuação do apoio militar e humano à Ucrânia.
Os reparos continuaram contra os apoiantes menos relutantes da Ucrânia, como Metsola havia já frisado na Assembleia da República, e reconheceu o esforço de Portugal no acolhimento de refugiados: “Não disseram que estavam longe ou que esta não era a vossa guerra”. E louvou a predisposição nacional no quadro do alargamento europeu à Ucrânia, referenciando o país como impulsionador do estatuto de candidato. “É um dever apoiar um país que luta pelos nossos direitos, pela nossa estabilidade”.
Emendou a ideia dos custos económicos do apoio militar à Ucrânia e defendeu que a sua manutenção “é a nossa bravura, a nossa visão para uma União Europeia que não se limita criar padrões económicos”. Uma mensagem de empoderamento aos jovens gravada por Ursula Von Der Leyen foi transmitida no início do congresso. Apesar da idade dos congressistas, o substantivo etário não tem correspondência semiótica, pois muitos já exercem cargos de poder político nos países de origem ou no Parlamento Europeu. Foram eles que colocaram as perguntas a Metsola. Montenegro abriu o debate a falar inglês, culpou o governo socialista pelos atrasos no desenvolvimento do país e dirigindo-se aos jovens rematou: “Vocês são a nossa esperança”.
No Conselho de Estado, a presidente dos 27 terá advogado pelo aprofundamento da dimensão política europeia e os restantes conselheiros assinalado o clima internacional de incerteza. Marcelo Rebelo de Sousa destacou a necessidade de coesão europeia e a defesa dos direitos humanos, do Estado de Direito, do combate às alterações climáticas. A embarcação que naufragou no mediterrâneo e assassinou dezenas de migrantes resultou no choque dos lideres políticos e dos conselheiros reunidos. Da agenda de Metsola, durante a visita de dois dias, constou o jantar com o Primeiro-Ministro, António Costa, o discurso na Assembleia da República e o lanche na baixa de Lisboa com o autarca Carlos Moedas.
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