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Carla Leal, BU de digital da Way Carbon, diz que investidores institucionais estão no jogo climático
BU é a sigla que o mercado arrumou para designar uma pessoa multitarefas. No caso de Carla, ela atende pelas posições de CTO (chief technology officer ou diretora de tecnologia), CMO (chief marketing officer ou diretora de marketing), diretora de vendas e diretora de serviços de implementação e suporte da Way Carbon, especializada em tecnologias ESG e mudanças climáticas. Sua missão? Fazer o mercado entender como um módulo da plataforma “Climas”, da consultoria, e batizado de Net Zero, pode contribuir com a gestão de compromissos que as grandes empresa elaboraram para si próprias e que estão em linha com o Acordo de Paris de redução das emissões de GEEs (gases de efeito estufa). Os nomes dos clientes quase dispensam apresentações, como Magalu, Aliansce Sonae, BTG Pactual, Dexco e MRV, entre outras.
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“O que a gente está lançando é diferente. O que o software faz é um planejamento estratégico”, afirma ela. Explicando em miúdos é assim: se uma empresa expandir suas operações, o programa faz uma projeção das emissões futuras da empresa com base nas emissões atuais, ao mesmo tempo que cria um cenário de mitigação e redução dessas emissões baseada em ciência. “O que eu faço é identificar o GAP entre as emissões atuais e as projetadas. Ou seja, onde está exatamente uma operação em relação a onde ele deveria chegar, por exemplo, em 2030”, diz Carla.
Para Carla, o novo instrumento vai em linha com o fluxo global de capitais e a necessidade das empresas em busca de recursos para expandirem as suas operações. Ao fazerem esse movimento, questões de sustentabilidade se tornam mandatórias nos dias atuais. “Se uma empresa tem no seu planejamento estratégico alguma meta de crescimento, geralmente ela tem três formas de se financiar: por meio do seu próprio fluxo de caixa, financiamento bancário ou por IPO ou follow on.”, afirma. “O que está crescendo muito é o fluxo de capitais para o financiamento de tecnologias verdes ou para as empresas que tenham um financiamento atrelado a metas climáticas.”
No primeiro semestre deste ano, o financiamento bancário ou por IPO e follow on responderam por valores globais da ordem de US$ 200 bilhões (quase R$ 1 trilhão na cotação atual), valor acima de igual período de 2022. É nesse ponto que o círculo começa a se fechar.
Dos sete maiores assets globais, cinco estão na iniciativa, incluindo o maior do mundo, o Black Rock, que neste mês de julho informou que sob sua gestão há US$ 9,4 trilhões (R$ 46,9 trilhões), um aumento de 4% em relação ao primeiro trimestre de 2023. “Esses investidores institucionais assumiram o compromisso de fazer com que o capital esteja alinhado à meta de Paris, ou seja, eles trabalham para reduzir as emissões de seu portfólio de investimentos”, afirma Carla. “O principal caminho é fomentar que empresas nas quais eles investem adotem metas de descarbonização e que elas estejam alinhadas ao que diz a ciência.”
No mundo, cerca de 4 mil empresas já assumiram algum compromisso nesse sentido. “Esse público tem crescido, as empresas têm evoluído bastante e a América Latina não está fora. Acreditamos na intensificação desse movimento” que, segundo Carla, tem sido fomentado pelos conselhos de administração. Segundo ela, o top três na lista de temas de conselheiros, de acordo com o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), são mudança do clima, segurança cibernética e inteligência artificial.
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