Associação
São uma associação de jovens de Cabo Verde que vivem no Luxemburgo. O seu objetivo é dar a conhecer a cultura cabo-verdiana e angariar verbas para ajudar as crianças do país.
MeMaia. A explicação para a escolha do nome desta associação está envolvida em magia. Reza a lenda que havia uma mulher, de seu nome Maia, que ajudava as crianças de rua, no século passado, na cidade do Porto Novo em Cabo Verde. Um dia, não tendo nada para lhes dar de comer, fez um pedido de ajuda a São João.
Nesse mesmo dia, quando chegou à praia, encontrou uma enorme tartaruga, o que lhe permitiu alimentar as crianças. A partir de então Maia passou a ser uma devota admiradora deste santo. A cidade mandou erguer uma estátua de homenagem a esta mulher generosa, a que chamaram Memaia, o que significa mãe Maia.
E foi para celebrar esta mulher que os jovens cabo-verdianos que vivem no Luxemburgo decidiram batizar a sua associação com o nome MeMaia. Um nome cheio de significado para nomear um grupo de jovens que pretende fazer atividades para recolher donativos para financiar a educação das crianças que habitam na cidade de Porto Novo na ilha de Santo Antão.
Um dos objetivos desta associação, que nasceu há dois anos, é apoiar o desenvolvimento da Academia de Futebol para Jovens na cidade do Porto Novo na ilha de Santo Antão. “Eles não têm muitas condições e queremos ajudá-los a ter mais materiais como bolas, coletes e equipamentos para que tenham melhores condições para fazer o desporto que gostam”, sublinha Silvio Sousa da Luz, presidente da associação.
Silvio Sousa da Luz entrevistado por Ana Cristina Gonçalves na Rádio Latina. © Créditos: Marc Wilwert / Luxemburger Wort
Depois “gostaríamos de garantir um lanche, uma vez por semana, a todas as crianças, porque há muitos que vão treinar passando o dia sem comer”. A associação nasceu, em 2021, na sequência de um pedido de ajuda de uma cabo-verdiano que precisava comprar próteses para as ancas. Fizeram um jogo de futebol para angariar o dinheiro necessário. Depois aperceberam-se que para que as coisas fossem mais simples era importante criar uma associação. E assim nasceu a Memaia. Para além da organização de jogos de futebol, também promovem iniciativas para divulgar a gastronomia e música cabo-verdianas. A festa de São João em Differdange foi a última iniciativa em que participaram. A associação MeMaia é uma das organizações que integra o Comité de Ligação das Associações de Estrangeiros (CLAE).
Melhorar a escola para migrantes
“Nunca tive esse problema, mas já ouvi relatos de pessoas que se sentiram discriminadas no trabalho e também na escola”, salienta Sílvio da Luz. Mas recorda que quando chegou ao Luxemburgo teve algumas dificuldades em adaptar-se ao sistema educativo. “Tive que trabalhar muito nas línguas. Quando saí de Cabo Verde estava no 10° e aqui tive que integrar o 7° ano, foi um choque porque não esperava perder três anos”, relata. “Acho que a escola podia ajudar os imigrantes de forma diferente”, sublinha.
Depois há a habitação, “a forma como estão os preços hoje em dia está a tornar-se cada vez mais difícil conseguir uma casa”, sublinha.
Um dos objetivos desta associação é apoiar o desenvolvimento da Academia de Futebol para Jovens na cidade do Porto Novo, na ilha de Santo Antão. © Créditos: Marc Wilwert / Luxemburger Wort
Considera muito importante a recente vinda do presidente de Cabo Verde ao Luxemburgo “para tornar ainda mais forte a relação entre os dois países, porque Luxemburgo já é um país que ajuda muito Cabo Verde e está a crescer a cooperação em termos económicos e no setor das energias renováveis”, diz.
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Não votou nas eleições comunais, mas garante que não vai faltar mais, “sinto-me arrependido de não ter ido votar, porque era uma oportunidade para que os imigrantes fazerem ouvir a sua voz”, sublinha. Quanto ao facto de muitos dos mais votados candidatos lusófonos não terem sido nomeados para os cargos, considera que “é complicado, porque recebem os votos e depois por causa da forma como o sistema funciona não são eleitos”, sublinha.
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