Lula chama de ‘ameaça’ imposições adicionais da União Europeia ao acordo com o Mercosul
O presidente Lula criticou nesta sexta-feira (23), na França, exigências ambientais da União Europeia para concluir o acordo com o Mercosul. Na França, diante de líderes do mundo todo, ele chamou de ameaças essas novas imposições.
Ambientalistas liderados pela sueca Greta Thunberg foram ao centro de Paris para cobrar a participação dos países ricos no financiamento da proteção ambiental.
Dentro do Palácio Brongniart, o presidente da França reuniu cerca de 1,5 mil pessoas – entra elas, chefes de governos e de instituições – para buscar novas estratégias financeiras para combater as desigualdades sociais e, principalmente, as mudanças climáticas.
A participação na cúpula era o evento mais importante da agenda do presidente Lula em Paris e ele levou a mensagem de que, para o Brasil, os países mais ricos do mundo têm responsabilidade maior diante dos problemas causados pelas mudanças climáticas.
Na Cúpula do Clima de 2009, os países mais ricos do mundo prometeram fazer um financiamento de US$ 100 bilhões anuais para os países em desenvolvimento combaterem as mudanças climáticas. Hoje, 14 anos depois, Emmanuel Macron anunciou que, enfim, essa promessa vai ser cumprida.
Em 2025, o Brasil vai sediar a COP 30. Pela primeira vez, a Cúpula do Clima será realizada na região amazônica: em Belém, capital do Pará.
Lula defendeu o desenvolvimento sustentável da região amazônica sem destruir a floresta, e acrescentou que a preocupação com o ambiente tem que vir acompanhada do combate às desigualdades.
“Não é possível que, em uma reunião entre presidentes de países importantes, a palavra desigualdade não apareça. Se nós não discutirmos essa questão da desigualdade e se a gente não colocar isso com tanta prioridade quanto a questão climática, a gente pode ter um clima muito bom e o povo continuar morrendo de fome em vários países do mundo”, defendeu Lula.
Falando ao lado de Macron, Lula criticou as exigências ambientais apresentadas em março pela União Europeia para a conclusão do acordo comercial com o Mercosul. Esse acordo foi finalizado em 2019, depois de 20 anos de negociações. Mas, desde então, está em fase de revisão e ainda precisa ser aprovado por todos os países dos dois blocos.
“Eu estou doido para fazer um acordo com a União Europeia, mas não é possível. A carta adicional que foi feita pela União Europeia não permite que se faça um acordo. Vamos fazer a resposta e vamos mandar resposta, mas é preciso que a gente comece a discutir. Não é possível que nós temos uma parceria estratégica e haja uma a carta adicional fazendo ameaça a um parceiro estratégico”, afirmou o presidente brasileiro.
Em março de 2023, a União Europeia enviou ao Mercosul um documento com instrumentos adicionais a serem acrescentados ao acordo. São esses aditivos que Lula chamou de ameaça. Um deles proíbe a importação pela Europa de produtos de áreas desmatadas depois de 2020.
Em seguida, o presidente almoçou por cerca de 1h30 com Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu, sede do governo francês. Lula convidou Macron, de forma oficial, para participar da Cúpula da Amazônia em agosto. A Guiana Francesa, no norte da América do Sul, é um território francês e tem parte da floresta.
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