Projeto é cofinanciado pela União Europeia e pelo instituto Camões.
Dezenas de imames da Guiné-Bissau iniciaram esta quinta-feira uma formação para prevenir o extremismo violento no âmbito do projeto Observatório da Paz, que visa monitorizar e fazer um alerta precoce para situações de radicalismo no país.
“A falta de conhecimento do fenómeno do radicalismo e extremismo violento constitui fator potencializador de risco da sua disseminação do país”, afirmou o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Augusto Mário da Silva.
“Daí a necessidade de munir a sociedade, particularmente os líderes religiosos, de instrumentos para enfrentar com sucesso a propagação de correntes ideológicas ou religiosas retrógradas e atentatórias aos valores da tolerância e da sã convivência entre os guineenses”, salientou o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos.
O projeto Observatório da Paz, cofinanciado pela União Europeia e pelo instituto Camões e executado pela Liga Guineense dos Direitos Humanos e pelo Instituto Marquês Valle Flor, visa monitorizar e fazer um alerta precoce para situações ou sinais de extremismo violento na Guiné-Bissau, numa sinergia entre as organizações da sociedade civil, poder tradicional e as entidades estatais guineenses.
“Numa sociedade multicultural e onde o sistema de ensino continua a enfrentar desafios estruturais, a ação de prevenção orientada para o reforço de conhecimento sobre a problemática de radicalismo e de extremismo violento afirma-se imprescindível para a promoção da paz e da coesão social”, destacou Augusto Mário Silva.
O chefe da secção de política da União Europeia em Bissau, Pedro Saraiva, destacou que “não poderá haver desenvolvimento sustentável sem paz e segurança” e recordou um estudo elaborado pela organização, que concluiu que existem “alguns fatores de risco” e recomendou a “sensibilização das comunidades para os perigos associados ao extremismo”.
“É precisamente no seguimento dessas recomendações que se insere a formação, que pretendemos que contribua de forma determinante para a prevenção da radicalização e do extremismo violento na Guiné-Bissau”, afirmou Pedro Saraiva.
O chefe da secção política da União Europeia em Bissau salientou que a região do Sahel “tem vindo a sofrer com a crescente insegurança, que agravou certas fragilidades”.
“Essa situação espalhou-se para além das fronteiras do Sahel e hoje assistimos a uma situação regional multidimensional, com vertentes económica, social, política e humana, que se estendem nomeadamente ao Mali, Burkina Faso e Níger”, salientou.
Pedro Saraiva disse também que a situação está a afetar países da zona costeira da África Ocidental, onde se situa a Guiné-Bissau, que “correm o risco de um conflito que deve ser cuidadosamente monitorizado”.
Nesse sentido, o responsável recordou que os chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, que estiveram reunidos no passado domingo em Bissau, manifestaram também essa preocupação.
A formação, que já foi feita a elementos da igreja católica e deverá ser também ministrada a elementos da igreja evangélica, inclui 40 imames e termina na terça-feira.
Crédito: Link de origem



Comentários estão fechados.