O secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné – Central Sindical (UNTG-CS), Júlio Mendonça, disse que 70% da população guineense vive abaixo do limiar da pobreza, com menos de 4 dólares diários por família.
Na mensagem de esta segunda-feira aos trabalhadores guineenses, no quadro das comemorações do 1⁰ de Maio, Júlio Mendonça lamentou a situação da fome no mundo e em particular na Guiné-Bissau, agravada com agressões dos trabalhadores pelo patronato.
“Infelizmente temos testemunhado um aumento da miséria no mundo, em particular na nossa querida Guiné-Bissau. A fome está infiltrar-se nas famílias das classes trabalhadoras. Os trabalhadores enfrentam agressões agravadas pelo patronato e da ausência da justiça”, denunciou Júlio Mendonça que destacou ainda as “demissões, salários não pagos, não cumprimento das indemnizações judiciais, pensões não recebidas, insegurança no emprego, altos custos da educação e da saúde”.
De acordo com o sindicalista o “escândalo de desvio de enorme quantia de dinheiro ocorre impunemente. Infelizmente herdamos uma Guiné-Bissau endividada até a garganta”, e onde 70% da população guineense vive abaixo da linha da pobreza, segundo líder da UNTG-CS.
“Setenta por cento da população vive abaixo da linha da pobreza, apenas 69% das crianças em idade escolar estão matriculadas no ensino primário, apenas 0,9% da população recebe pelo menos uma prestação da protecção social, 68% não pode pagar uma dieta saudável e nutritiva que se estima custar 4 dólares ou seja 2234 Fcfa por uma família e por dia, 23,5% das mortes de crianças com menos de cinco anos devem se à má nutrição, 93,2 % de caso de crianças que têm repetido um ano na escola deve se, de alguma forma, à má nutrição”, precisou Júlio Mendonça.
Sobre a classe política guineense, o sindicalista afirmou que “as instituições da república foram desviadas das suas missões legais e subjugadas a ambições ditatoriais duma classe política que não respeita a Constituição do país e viola suas próprias leis. O nosso Estado está cada vez mais fora da lei e as infracções das liberdades tornam-se comuns”, sendo necessário, para Júlio Mendonça, a união “para restaurar o Estado do direito e preservar as conquistas democráticas”.
Na mesma alocução o secretário-geral da UNTG-CS aproveitou para denunciar a tentativa de assalto à sede do Central Sindical por “supostos” militantes do Movimento para Alternância Democrática (MADEM G-15).
Fazendo alusão a uma reunião de militantes do MADEM G-15, que terá ocorrido a 29 de Abril, o líder sindical disse que “não é segredo que o objectivo dessa reunião é assaltar a sede da UNTG-CS. Podem usar a polícia através do Ministério do Interior, mas nós lideres sindicais da UNTG-CS continuaremos a nossa luta para o bem da classe trabalhadora guineense”.
Uma fonte sindical confirmou à e-Global que a UNTG-CS não comemorou o Dia do Trabalhador de 1 de Maio na sua sede “por falta de segurança”.
Mamandin Indjai
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