Desde há cerca de quatro meses que a Guiné-Bissau assiste ao aumento sucessivo do custo de vida. Os preços dos produtos de primeira necessidade aumentam num ritmo inédito e neste momento, o maior receio é com um aumento dos preços dos combustíveis e derivados.
Nas ruas de Bissau os guineenses apontam várias causas para o fenómeno, como crise entre a Rússia e a Ucrânia, mas outros denunciam a total ausência de estratégias do Governo sobre a tabela de custos. O Ministério do Comércio não se pronuncia sobre a matéria e os comerciantes continuam a disparar os preços.
Num país cujo comércio é praticado maioritariamente por estrangeiros, os dados sobre os preços que são praticados no mercado acabam por depender das estratégias comerciais de cada comerciante. O Governo em situação de pressão estabelece os preços, mas não consegue montar estruturas de fiscalização.
A situação agravou com a invasão da Rússia à Ucrania, e as gasolineiras já aumentaram em cerca de 32 Fcfa cada litro, sem que o Estado pronunciasse. Um litro de gasolina passou de 668 para 700 Fcfa. O custo da botija de gás butano também já sofreu um aumento. O famoso ‘fumu kaba’ que custava 6500 Fcfa/botija, está a ser vendido por 17 mil Fcfa. A última remessa acabada de chegar ao país, começou a ser comercializada e este preço.
O arroz, base de alimentação da maioria dos cidadãos, também conheceu alguma mudança. Alguns tipos de arroz sofreram aumentos de cerca de 1000 Fcfa por saco e outros nem chegam aos mercados.
A subida dos preços está também a afectar significativamente o custo do sabão e óleo alimentar. Este último foi o primeiro a disparar já em Dezembro de 2021, muito antes da guerra na Ucrania, quando um litro passou de 900 Fcfa para 1400 Fcfa. E o preço não alterou, apesar dos serviços de inspecção do Comércio precisarem em conferência de imprensa de que nada justificava este aumento, porque não houve ruptura de stock. Os comerciantes, para além de não cederem, justificaram os aumentos com as taxas que são cobradas no desalfandegamento dos seus produtos.
O sabão, também viu subir o seu preço. Uma barra que outrora custava 900 Fcfa, está agora a ser comercializada a 1200 Fcfa, um aumento de cerca 30% do custo inicial. Na maioria de casos, os comerciantes preferem vender a retalho, para garantirem mais lucro.
Com o início do Ramadão, os fiéis muçulmanos na Guiné-Bissau iniciaram o jejum, e neste período tradicionalmente consomem bastante açúcar. No entanto 1 quilograma de açúcar que custava 700 Fcfa no princípio de Março, actualmente não tem preço, porque os donos das lojas, cacifos e armazéns, preferem vender retalho, porque por motivos de lucro e variações constantes dos preços dos seus fornecedores.
Dos produtos alimentares aos transportes, o aumento dos preços não pára e atinge todos os sectores. Os transportes urbanos conhecidos como “toca-toca” eram tradicionalmente cobrados ao longo de 17 anos 100 Fcfa, e nunca os operadores deste sector optaram por subir a tabela, apesar de várias tentativas. Há um mês, ninguém consegue viajar num “toca-toca” sem pagar 150 Fcfa. Os operadores do sector alegam que decidiram apenas aplicar o que já tinha sido aprovado pelos serviços de viação e transportes terrestres.
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