Esposa de um dos haitianos mortos em explosões em silo no PR está grávida de 8 meses, diz primo | Oeste e Sudoeste

Primo afirmou que um dos haitianos mortos após explosões deixa esposa grávida de 8 meses — Foto: Reprodução RPC

“Trabalhamos todo mês para mandar dinheiro para família no Haiti. […] O pai do meu primo tem 11 filhos, só ele que saiu para o Brasil. Agora como fica? A mulher dele também tem família lá. Como vai ficar? Ela está grávida de oito meses. É muito difícil”, afirmou.

As explosões foram registradas na quarta-feira (26). Além de Louis, outros sete haitianos e um brasileiro também morreram. Veja a seguir quem são as vítimas:

  • Louis Michelet – 41 anos (haitiano)
  • Jean Michee Joseph – 29 anos (haitiano)
  • Jean Ronald Calix – 27 anos (haitiano)
  • Donald ST Cyr – 24 anos (haitiano)
  • Alfred Lesperance – 44 anos (haitiano)
  • Eugênio Metelus – 53 anos (haitiano)
  • Reginaldo Gegrard – 30 anos (haitiano)
  • Saulo da Rocha Batista – 53 anos (brasileiro)

Jean conta que após um forte terremoto em 2010, que devastou o Haiti, a vida por lá se tornou muito difícil e que veio para o Brasil em busca de trabalho. Anos depois, o primo seguiu os mesmos passos e veio ao Paraná com a mulher. Ele afirma que ambos estavam legais no país.

“Em 2010 quebrou nosso país, achamos muito difícil para viver, então a pessoa que tem algum dinheiro vem para o Brasil. Então o Brasil deixa a gente entrar e depois ser regularizada toda documentação nossa e para a gente poder trabalhar direitinho”, destacou Jean.

O brasileiro foi velado nesta quinta-feira (27) e enterrado na manhã desta sexta-feira (28), em Palotina. O velório coletivo dos sete haitianos começou na manhã desta sexta em um ginásio de esportes da cidade. O enterro deles está previsto para esta tarde.

Oito pessoas morreram nas explosões — Foto: Arquivo

‘Tragédia os sete caixões com nossa bandeira’

A haitiana e professora de línguas Ruth Nicolas afirmou que ver os amigos sendo velados é muito difícil. Ela é porta-voz da ONG Embaixada Solidária que atua na região oeste do Paraná e dá suporte a imigrantes que chegam na região, segundo ela, em busca de melhores condições de vida.

“Um dia lamentável, estamos todos de luto, uma tragédia ver aqueles sete caixões ali, com a bandeira do nosso país, isso arrebata o coração de qualquer um. […] Todo haitiano que sai de sua terra é em busca de uma vida melhor, além do próprio sustento da família que deixam (no Haiti)”, frisou

Ela explicou que diferentemente do Brasil, que no Haiti os velórios costumam demorar mais dias para que todos os familiares e amigos possam se despedir do ente querido. Diferentemente do que ocorre com as vítimas.

Homem está soterrado por 10 mil toneladas de milho após explosões de silos em Palotina — Foto: Corpo de Bombeiros

Ela afirmou que alguns não tinham familiares no Brasil e que estão sendo velados pelos amigos.

“A comunidade toda está em luto é desolador. […] “Alguns aqui não tinham família, estão sendo velados por amigos, isso é uma dor, a família não terá a oportunidade de dar adeus”, disse a representante da ONG.

Para a jornalista Edna Nunes que também atua na organização sem fins lucrativos, as dificuldades para a adaptação ao novo país são inúmeras, desde a cultura, língua entre outros.

Neste momento, ela credita que a distância das famílias e do próprio país tornam o momento ainda mais difícil, mas que a ONG está trabalhando para dar todo suporte para que os direitos deles sejam garantidos.

“Damos assistência a eles desde antes do acidente e não vamos parar até que toda a assistência básica, que os direitos sejam garantidos, em especial a dignidade da pessoa humana, estamos atentos aos detalhes”, destacou.

Explosões em silo de grãos no PR: veja o que se sabe

Na tarde de quarta-feira (26), explosões sequenciais foram registradas em um silo de armazenagem de grãos da cooperativa. Veja o que diz a C.Vale mais abaixo.

As causas das explosões ainda são investigadas pela Polícia Civil e também com acompanhamento do Ministério Público do Trabalho (MPT).

De acordo com o a cooperativa, dos oito mortos, um é funcionário da C.Vale e outros sete são terceirizados do Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias (Sintomage), sindicato que presta serviços à cooperativa.

Ainda de acordo com a cooperativa, dos 11 feridos, 10 são funcionários da C.Vale e um é do sindicato.

Em nota o sindicato informou que lamenta o ocorrido e que se solidariza aos familiares e amigos das vítimas “expressando as mais sinceras condolências por todas as vidas perdidas”.

A nota diz ainda que o sindicato não terá expediente na sexta-feira (28) “devido à grande perda e em respeitos as famílias”.

“A C.Vale informa que está prestando apoio integral às famílias das vítimas da explosão dos silos ocorrida em 26 de julho. As ações incluem o acompanhamento hospitalar, apoio aos familiares, disponibilidade de transporte aos parentes de vítimas que se encontram internadas em hospitais de outros municípios, apoio e contato com serviço público de assistência social e disponibilização de médicos e enfermeiros.

A cooperativa também liberou do trabalho os colaboradores que quiserem participar dos velórios, questão que está sendo acompanhada pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Poder Judiciário. Mais de 200 profissionais coordenados por um Comitê de Gerenciamento de Crise estão envolvidos nas operações de resgate e apoio aos familiares e vítimas da explosão.

Por fim, a C.Vale informa que tem diversas unidades espalhadas por todo Brasil, sendo que as atividades continuam funcionando normalmente, com exceção da unidade atingida.”

Mapa detalha local de explosões em silos, em Palotina, no Paraná — Foto: g1

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