Segundo a mindelense de 25 anos, morar em Marrocos tem sido uma experiência “bastante desafiadora” por causa da cultura que é diferente. A jovem nunca imaginou que poderia um dia vivenciar de perto um sismo, um momento que descreve como traumatizante.
“Nunca imaginei que poderia acontecer algo do tipo em Marrocos. Realmente, pegou-nos desprevenidos. Vivo no país há 7 anos e, sinceramente, a única coisa que nos tinha deixado em estado de medo e alerta foi quando supostamente o país iria sofrer um ataque terrorista em 2018. Felizmente, nada aconteceu e a polícia conseguiu agir rapidamente. Essa experiência que passei nos últimos dias foi bastante traumatizante”, conta em entrevista ao Balai.
Jennifer recorda que quando o sismo aconteceu encontrava-se em casa a dormir depois de um dia cansativo no estágio numa clínica na vila de Berrechid.
“Nesse dia, fui dormir bastante cedo e por volta das 23h00 comecei a sentir a cama e a casa a tremer. Tudo começou devagar e como moro ao lado da linha de comboio pensei que poderia ser por causa disso. (…) Mas quando aumentou de intensidade, vi que não se tratava de um comboio e saltei da cama. Sem entender o que estava a acontecer, abri a porta ainda de pijama e comecei a descer as escadas, mas não consegui porque a casa estava a tremer. Foi algo bastante forte. Já senti um tremor de terra em Cabo Verde, mas como essa intensidade nunca”, conta.
Jennifer reside sozinha e após conseguir deixar a residência, lembrou que tinha deixado para trás o seu animal de estimação, teve que regressar e foi impedida pelos vizinhos porque a casa podia cair. “Mesmo assim fui teimosa e fui buscar o meu cão. Quando desci a visão que tive foi de pessoas desesperadas a entrarem nos carros e outros a correrem pelas ruas. Ninguém dizia nada, estava a sentir-me sozinha”, diz e acrescenta que ficou desorientada e sentou no chão a chorar. “No fundo estava com medo de morrer sabendo que já há 4 anos que não vou a Cabo Verde.”
Desesperada, entrou em contacto com a família em Cabo Verde e depois regressou a casa para buscar documentos e alimentos e dirigiu-se a uma praça onde estavam outros estudantes cabo-verdianos e várias famílias marroquinas. Passou a noite na praça e no dia seguinte regressou a casa que estava cheia de fissuras na parede. “Tomei banho e fui para o estágio porque as pessoas podiam precisar dos meus serviços”, conta e acrescenta que na sua zona as pessoas ficaram traumatizadas e com pequenos ferimentos.
“De momento as pessoas estão bastante traumatizadas e assustam-se com o mínimo de barulho possível. Ainda tenho a minha bolsa preparada no pé da porta para qualquer eventualidade. Todas estão em sentido de alerta, não estão a dormir um sono de qualidade e ainda há pessoas a dormir ao ar livre porque não estão confiantes em entrar nas suas residências”, diz e revela que as casas são antigas, feitas de tijolos e frágeis.
Segundo a enfermeira, em Marraquexe há um grande hospital universitário que ainda está com capacidade para receber pessoas e ainda não houve transferências de pacientes para outras unidades de Saúde. Entretanto, já recebeu propostas para ir trabalhar nas zonas que foram afetadas pelo sismo e está a ponderar em ir ajudar.
“Nesse momento, acredito que posso trazer bastante ajuda no território marroquino e pretendo continuar o meu estágio e enriquecer de experiência. Já recebi propostas para ir nas zonas onde aconteceram catástrofes porque nessa altura precisam bastante de anestesistas. (…) É a profissão que escolhi e vivo para ajudar as pessoas. (…) O território marroquino já fez bastante por nós e sou grata pela minha formação, então, se for o caso vou ajudá-los na área de saúde.“
Segundo a DW, o terramoto, que ocorreu a uma profundidade de 18,5 quilómetros às 23:11 locais, teve como epicentro na localidade de Ighil, 63 quilómetros a sudoeste da cidade de Marraquexe, foi sentido em Portugal e em Espanha.
Segundo a rádio portuguesa TSF, o número de mortos provocados pelo sismo em Marrocos subiu esta terça-feira para 2901, com 5530 feridos decorrentes do tremor de terra.
De acordo com a agência Reuters, este foi o sismo mais letal e mais forte no território marroquino desde 1960.
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