A voz inesquecível da dona Florinda ficou na memória dos brasileiros e atravessou gerações. Ao ouvir a frase “vamos tesouro, não se misture com essa gentalha”, o sentimento nostálgico é praticamente inevitável. O seriado “Chaves” fez parte da infância de muitas pessoas a partir dos anos 70, quando começaram as gravações.
No Dia da Voz, celebrado neste sábado (16), o temmais.com conversou com a dubladora da dona Florinda, Marta Volpiani, de 65 anos, que relembrou os trabalhos que realizou e os frutos da trajetória como dubladora e atriz (assista ao vídeo abaixo com a entrevista completa).
Marta nasceu em Votuporanga, no interior de São Paulo. Aos 10 anos, a família dela se mudou para São Paulo (SP), onde a dubladora cresceu e estudou teatro na Universidade de São Paulo (USP).
“Um dia eu fui e falei ‘como é que faz isso? Eu quero assistir dublagem, quero ver como é que é isso’. Eu ficava no estúdio assistindo ao pessoal. Logo começaram a me dar pontinhas da dublagem. Então, eu fazia as novelas no estúdio de gravação e, quando terminava, corria para o estúdio de dublagem”.
Depois de ela ter dublado a primeira novela, o diretor e dublador do “Chaves”, Marcelo Gastaldi, a convidou para dublar a personagem dona Florinda, interpretada pela atriz Florinda Meza.
“A dublagem do ‘Chaves’ foi um presente, não só para mim, como para todo mundo que dublou o ‘Chaves’, porque não era uma dublagem normal, convencional, era uma dublagem que a gente podia criar em cima. A gente criou em cima dos personagens”.
‘Tremenda responsabilidade’De acordo com Marta, ela recebe mensagens de fãs do seriado até os dias de hoje. Alguns relatos são de pessoas que encontraram na voz dela um consolo durante dificuldades enfrentadas na infância.
“Hoje, eu acho que a gente tem uma tremenda responsabilidade, com tudo o que a gente faz, com todos os trabalhos que a gente pode acrescentar positivamente ou não na vida das pessoas.”
“Tinha uma moça que sofria abuso na época, e ela me procurou anos depois para me dizer: ‘olha, a sua voz, quando entrava na minha casa, era o único consolo que eu tinha. Parece que a tua voz me abraçava, me consolava, aliviava um pouco tudo aquilo que eu passava’. Então, eu passo por emoções fortes com as pessoas que eu não tinha noção que a minha voz poderia alcançar tanto as pessoas, de tantas formas diferentes”.
Crédito: Link de origem



Comentários estão fechados.