Dívidas ocultas: ″Não discutimos a criação da EMATUM″ | Moçambique | DW

Alberto Mondlane disse esta quinta-feira (10.02) em tribunal que “a segurança foi capturada pelo inimigo”. O antigo ministro do Interior acusou a Privinvest e os seus gestores de terem endividado o país em 2,2 mil milhões de dólares.

Mondlane, que falava como declarante no julgamento das “dívidas ocultas”, disse que, em nenhum momento, o Comando Conjunto e o Comando Operativo falaram sobre a Privinvest, acusada do pagamento de subornos.

“Não falámos da Privinvest, de Jean Boustani [negociador], de Iskandar Safa [dono da empresa],. Não falámos destas coisas. Não falámos de aumentar as dívidas”, afirmou.

O declarante adiantou ainda que a criação das empresas EMATUM e Mozambique Asset Management (MAM), ambas envolvidas no escândalo das “dívidas ocultas”, nunca foi discutida nos dois órgãos. “Nunca discutimos esses assuntos no comando operativo”, asseverou.

“Segurança não cumpriu o seu dever”

O depoimento de Alberto Mondlane, esta quinta-feira, vai em contramão com as declarações do arguido Gregório Leão, em setembro passado, que afirmou que a decisão de criar as empresas teria sido tomada pelo Comando Conjunto.

Em tribunal, o declarante disse ainda não entender como as Forças de Defesa e Segurança foram contrair uma dívida de 2,2 mil milhões de dólares. “Nunca imaginei que um Jean Boustani pudesse aqui andar a distribuir dinheiro, como estamos a acompanhar. Eu acho que o setor da segurança não cumpriu com rigor o seu dever de proteger o Estado, o povo, o Governo, e hoje estou aqui por causa disso”, referiu Alberto Mondlane.

O juiz da causa, Efigénio Baptista, quis saber do antigo ministro se ele teria recebido algum material resultante do investimento de 500 milhões de dólares da criação da EMATUM. Mondlane respondeu: “Que eu tenha conhecimento, o Ministério do Interior ,onde eu era dirigente, não recebeu nenhum tipo de material, nem dinheiro nem qualquer outro tipo de material.

Juiz do caso das dívidas ocultas, Efigénio Baptista, e magistrada do Ministério Público Ana Sheila Marrengula

“Recordo, sim, que o senhor Carlos do Rosário [arguido no caso e então diretor da Inteligência Económica do Serviço de Informações e Segurança do Estado] apareceu na minha casa com uma viatura, e perguntei para quê essa viatura e respondeu que era para andar. É o único objeto da ProIndicus com que tive contacto”.

A ProIndicus foi – em conjunto com a EMATUM e MAM – uma das empresas que contraiu as chamadas “dívidas ocultas”.

Polémica após expulsão de advogados

Esta semana, o juiz Efigénio Batista manteve a decisão de expulsar dois advogados do réu Renato Matusse, por alegado desrespeito ao tribunal, e deu-lhe cinco dias para encontrar um novo representante.

Mas Renato Matusse disse esta quinta-feira em tribunal que gostaria de acompanhar o depoimento de Alberto Mondlane com o seu advogado. A Ordem dos Advogados pediu, por isso, a interrupção da audiência. No entanto, o juiz afirmou que o pedido não tinha cabimento: Não sei como o réu Renato Matusse vê a conexão entre Alberto Mondlane e o senhor. Por outro lado, várias vezes os seus ilustres mandatários nunca apareciam aqui”, rematou.

Na sexta-feira (11.02), o Tribunal Judicial de Maputo vai ouvir o ministro das Finanças Adriano Maleiane na reta final da audição de declarantes.


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