Depois da Netflix, partilha de contas pode acabar na Disney+ — e preços vão aumentar em Portugal

A história repete-se, desta vez numa das plataformas vizinhas: depois da Netflix ter acabado com a partilha de contas da forma a que os subscritores estavam habituados, a Disney+ prepara-se para dar o mesmo passo e também aumentar os preços do serviço. A gigante do entretenimento está “ativamente a explorar formas de abordar” esta partilha, anunciou o CEO da Disney, Bob Iger.

No momento em que esta plataforma de streaming se depara com a terceira queda trimestral consecutiva dos seus assinantes — 11,7 milhões entre março e junho, uma descida recorde —, a Disney promete encontrar formas de recuperar, já que a faturação, embora tenha aumentado ligeiramente no último trimestre, está bastante abaixo das expectativas dos analistas.

A primeira solução parece ser aumentar os preços da Disney+ nos vários mercados onde opera. Portugal não é exceção: a subida, a aplicar a partir de 1 de novembro, vai ser de dois euros por mês ou 20 euros para quem tem uma assinatura anual. A subscrição mensal sobe de €8,99 para €10,99, a anual dos atuais €89,99 para €109,99.

Nove países europeus — Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Noruega, Reino Unido, Suécia e Suíça — vão passar a ter uma modalidade com anúncios a um preço parecido com o atual plano básico; para ver sem anúncios, os subscritores terão de pagar mais do que pagavam, passando também a existir uma versão premium. Os custos variam entre os países, mas no caso espanhol, por exemplo, o plano standard com anúncios custará €5,99, o standard sem anúncios €8,99/€89,90 e o premium €11,99/€119,90.

Partilha de contas deve mesmo chegar ao fim

Além da perda de subscritores, a partilha de contas entre utilizadores parece ser outra grande preocupação para os executivos da empresa norte-americana. No evento onde se revelaram os resultados trimestrais, que aconteceu na passada quarta-feira, Bob Iger explicou que o primeiro passo será “começar a atualizar os contratos dos assinantes com termos adicionais e com as políticas de partilha” de contas.

O CEO diz que o número de pessoas que partilham a password dos serviços Disney (nos Estados Unidos, detêm também a Hulu e a ESPN+) é “significativo”.

Para quando? Ainda não se sabe ao certo, mas são esperadas mudanças deverão já em 2024. “Certamente estabelecemos isto como uma prioridade real. Achamos que existe aqui uma oportunidade para nos ajudar a expandir os nossos negócios”, referiu Bob Iger, realçando que a companhia está “ativamente a explorar formas de abordar” a questão.

Os efeitos desta mesma decisão no caso da Netflix, que causou grande alvoroço entre os subscritores, diferem entre territórios e, em muitos casos, ainda estão por apurar completamente. O fim da partilha de palavras-passe terá originado um crescimento superior a 5 milhões no número de assinantes nos Estados Unidos, total que é avançado pela própria plataforma.

Por cá, o caso parece ser diferente e a desilusão dos subscritores falou mais alto: de acordo com o BStream, barómetro de plataformas de streaming da Marktest, 13% dos subscritores em Portugal optaram por abandonar o serviço entre janeiro e abril deste ano, um decréscimo que se fez notar depois da atualização na política de partilha de contas, anunciado em fevereiro. Desde esse mês que a Netflix só permite a partilha de conta nos tarifários mais caros, aos quais será necessário “adicionar um membro extra” por €3,99 adicionais todos os meses.

Em Espanha, a Netflix terá perdido mais de um milhão de subscritores depois desse anúncio, segundo um estudo do grupo Kantar. No país vizinho, o custo para adicionar uma pessoa extra sobe para os €5,99.

Mesmo com os números exatos de desistências por apurar, e mesmo que o fim das contas partilhadas possa não explicar tudo, os cancelamentos resultaram numa mudança no top de plataformas de streaming do vizinho ibérico: pela primeira vez, a Netflix não lidera o mercado, lugar que é agora ocupado pela Prime Video, da Amazon.

Netflix

NurPhoto

Crédito: Link de origem

- Advertisement -

Comentários estão fechados.