Datalake na saúde: a tecnologia a favor da vida | Colunas

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No meu último artigo, falei sobre a importância dos dados na saúde – e que eles têm pouca ou nenhuma utilidade se estiverem desprovidos de uma inteligência que analise os números e que gere ações eficientes. E, nesse processo, os cientistas de algoritmos são fundamentais, transformando dados em informações capazes de melhorar, para pacientes e médicos, o sistema e a fluidez da jornada de cuidado, promovendo a evolução do setor como um todo.

Insights clínicos, histórico unificado do paciente, diagnósticos mais rápidos e precisos e redução de custos são apenas alguns dos benefícios de uma gestão de saúde data-driven, com a análise de dados como parte da estratégia do negócio.

E, por trás de cada inovação conquistada por meio de inteligência artificial, existem os bancos de dados, também chamados de data lakes. São estruturas complexas e robustas, compostas por uma engenharia tão sofisticada que, afirmo dizer, são tão importantes quanto os algoritmos que auxiliam na detecção de doenças. Para se ter uma ideia do papel do data lake, uma pesquisa da Aberdeen revelou que esse tipo de sistema pode significar um aumento de performance pelo menos 9% maior em relação a outros players. O uso inteligente de dados está relacionado ao crescimento orgânico da receita e comprovam, na prática, que o sistema é uma vantagem competitiva importante.

Os data lakes são, portanto, pontos de partida para oferecer produtos e serviços cada vez mais customizados. Para entender, na prática, como eles funcionam, podemos pegar como exemplo o segmento de saúde. Cada organização do setor é um sistema vivo e complexo, com informações sendo geradas e circulando o tempo todo. A cada interação, seja quando fazemos o cadastro de entrada em um hospital, seja quando recebemos uma prescrição, criamos informações digitalizadas, que ficam no sistema de captura inicial, também chamado de transacional, de cada unidade ou operadora de saúde.

Com o objetivo de organizar, gerenciar e tornar esses dados interoperáveis, empresas têm investido em grandes repositórios em nuvem, capazes de armazenar de forma elástica bilhões (sim, bilhões) de informações. No setor de saúde, por exemplo, em redes com diversas unidades de negócios, todos os dados vão para o mesmo local (data lake) para serem utilizados de forma estratégica, como a identificação de gaps de cuidado, de rastreio e de transição de cuidado, a fim de facilitar a vida de médicos, pacientes, parceiros e gestores do negócio.

A estruturação e refinamento desses dados, operados pelas equipes de engenheiros e arquitetos, são o ponto de partida para a empresa ter sucesso nos seus serviços e em sistemas de IA. Afinal, data lakes precisam ser robustos o suficiente para absorver um grande volume de dados brutos e, ao mesmo tempo, flexíveis para gerar os diversos modelos de extração demandados por analytics e algoritmos. E, principalmente, devem ser seguros para proteger as informações geradas pelos pacientes e garantir a utilização dentro da LGPD. Os grandes responsáveis por tornar esse repositório viável são os engenheiros de dados, que deixam o data lake cada vez mais leve, performático e, principalmente, o mais barato possível.

Isso porque hoje um dos principais desafios de se manter data lakes é o encarecimento da operação. Além do custo de implantação da nuvem e armazenamento desses dados, cada processamento realizado gera uma despesa. No entanto, por mais que a consolidação de data lakes possa significar um grande investimento inicial para as empresas, o valor se paga no médio prazo.

É ilusório pensar no futuro das empresas, principalmente, no setor de saúde, sem a adoção de sistemas que permitam a interoperabilidade fluida das informações (e sabemos que, em geral, é inviável pensar em consolidar/integrar somente um sistema transacional na ponta de atendimento). Os gestores que preterirem esse investimento não perderão somente em receita, mas estarão com a longevidade de seu negócio comprometida. Afinal, nos dias de hoje, nada é mais mandatório do que usar a tecnologia a favor da vida.

* Danilo Zimmermann é diretor-geral de Tecnologia e Transformação Digital da Dasa

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