A quarta edição do Mercado da Língua Portuguesa está esta sexta-feira de regresso ao Mercado da Vila, em Cascais, e prolonga-se até domingo. Este evento multicultural conta com doze países onde se fala ou falou português, como Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Malaca, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. O Mercado, que abre às 18.00 horas, terá bancas de artesanato, gastronomia e bebidas dos diferentes países: vai desde as cachupas às caipirinhas. A programação inclui ainda muita música, bem como aulas e demonstrações.
A UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa), em parceria com a Câmara Municipal de Cascais, pretende passar a mensagem da organização: homenagear a união entre diferentes culturas dos países de língua portuguesa. “É algo muito presente nas bancas de todos os países e regiões. No fundo, é passar a mensagem para o público geral”, afirmou Anabela Simão, da UCCLA, em conversa com o DN.
O Mercado da Língua Portuguesa teve início em 2019, seguindo a ideia da Casa da América Latina e do seu mercado. “Começamos a pensar “porque não nós?”. Embora seja uma coisa idêntica, o tema seria completamente diferente e depois teve a sua continuação”, acrescentou a representante da organização.
Em 2020, a segunda edição deste Mercado foi online e foi difundida através da publicidade de cada restaurante e loja, e teve concertos também online. Já em 2021, o Mercado avançou, mas com algumas restrições devido à pandemia da covid-19. “Foi feito num local diferente e tiveram de ser contadas as pessoas que entravam e saíam, mas correu bem na mesma, tendo menos pessoas”, disse.
Tertúlia literária está de volta
Na tarde desta sexta-feira, que marca o arranque do Mercado da Língua Portuguesa, conta com a atuação dos angolanos Té Macedo e as Marimbas de Boas Vindas, com a participação de Betinho Feijó. De Angola vem ainda A Banda “da Banda”, e a noite fica completa com as atuações do cabo-verdiano Fattú Djakité e dos brasileiros Inah Samba Modificado.
No sábado, logo às 11.00 horas da manhã, o Mercado vai receber uma demonstração de Tai-chi e Kung Fu, de Macau, seguindo-se uma aula de Zumba, um concerto dos Dadá di Bia e as Freirianas Guerreiras (Cabo Verde). Haverá ainda uma aula de fado bailado, o concerto do angolano Dino de Vidas, uma exibição de fado bailado e os concertos do galego Xavier Mugardos e o grupo português Blues e Outros Tons.
Este ano a tertúlia literária volta a fazer parte da programação, após duas edições que foi possível realizar-se. No domingo, treze escritores com obras publicadas, de doze nacionalidades diferentes, vão ser divididos em dois painéis para discutir o tema Comunicar em Português, uma Forma de União. “Haverá dois painéis separados por um intervalo musical. Temos também presentes as regiões onde já se falou português e que historicamente estão muito ligadas a nós, como a Galiza. Portugal repete-se no painel porque o mirandês também é uma língua oficial portuguesa e, por isso mesmo, também está incluída”, explicou Anabela Simão.
Esta tertúlia será moderada pelo jornalista Nicolau Santos e vai contar com a presença dos escritores Jacinto Lucas Pires (Portugal), Edgar Valles (Goa), Conceição Queiroz (Moçambique), Rui Calisto (Brasil), Olinda Beja (São Tomé e Príncipe), entre outros.
Ainda nesse último dia do Mercado, o vencedor do Prémio Revelação Literária UCCLA/CM Lisboa, o brasileiro Alexandre Siloto Assine, irá apresentar o seu livro de poesia Caligrafia, sendo igualmente aberta a próxima edição deste concurso, cuja sétima edição teve 281 candidaturas de 15 países lusófonos, bem como obras vindas da Ásia (Japão), África, América (Canadá e EUA) e Europa (Suécia, Suíça e Eslovénia). Este prémio conta com a parceria da editora A Guerra e Paz, responsável pela edição e publicação da obra vencedora. O objetivo é estimular e divulgar textos, desde ficção à poesia na língua portuguesa da autoria de escritores que nunca tenham tido obra publicada.
Neste último dia de Mercado, está ainda agendada uma aula de Yoga (Goa), o concerto de Duo A Outra Banda de Macau, a atuação da portuguesa Maria Mirra. O evento termina com o concerto da brasileira Carla Visi.
A organização disse ao DN que, após decisão em assembleia geral, o Mercado da Língua Portuguesa voltará já em outubro este ano, nos dias 27, 28 e 29 em Lisboa. “Considero que o local e o conteúdo vão ser bastante melhorados. E porque isto correr bem tem de ser algo para fazer mais vezes”, finalizou Anabela Simão.
mariana.goncalves@dn.pt
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