No Luxemburgo, pusemo-nos a experimentar a cozinha de Angola e do Brasil, de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, de Moçambique, de Portugal e de São Tomé e Príncipe. Trazemos-lhes as receitas. E as histórias à volta da panela.
Gastronomia
No Luxemburgo, pusemo-nos a experimentar a cozinha de Angola e do Brasil, de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, de Moçambique, de Portugal e de São Tomé e Príncipe. Trazemos-lhes as receitas. E as histórias à volta da panela. A primeira: moamba de Angola.
Moamba de Angola
Luísa Teixeira lembra-se bem: quando o pai chegava de viagem, era dia de festa. “Ele era caixeiro-viajante, viajava por Angola inteira a vender todo o tipo de produtos. Mas também comprava muita coisa na volta – sobretudo comida.” Na casa dos Teixeira aparecia frequentemente peixe-seco, cabrito e ananás, mesmo nos dias de guerra. “O que nunca faltava era a moamba, que a minha mãe cozinhava no quintal e onde era sempre bem vindo quem passava. E é essa a memória que eu tenho mais presente. Era simultaneamente o prato de todos os dias e a preparação da festa rija. Dificilmente haverá algo que explique tão bem o espírito de partilha e de solidariedade que existe no coração dos angolanos.”
Por mais voltas que tenha dado ao mundo, Luísa Teixeira reencontra-se sempre com os seus à volta de uma panela de moamba. Fotos: António Pires
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Por mais voltas que tenha dado ao mundo, Luísa Teixeira reencontra-se sempre com os seus à volta de uma panela de moamba. Fotos: António Pires
Durante cinco anos, não pode provar do tacho. Em 1980, quando a guerra civil tirava o tapete do chão a um povo inteiro, a família mudou-se para Lisboa. “Ao fim de uns anos fui para Genebra, sozinha e à aventura. Foram anos extraordinários mas fez-me falta aquele conforto da vida que sempre conheci, e a comida era um passaporte para África”, conta. Quis o acaso que uma prima a desafiasse a conhecer o Luxemburgo – e que Luísa se apaixonasse pelo Grão-Ducado à primeira vista. Foi aqui que se sentiu em casa. E que recuperou a tradição da moamba.
Luísa Teixeira é locutora do “Mwangolé”, um programa que a Rádio Latina dedica ao povo angolano. É também presidente da Omusa, uma organização de solidariedade com as mulheres do seu país que organiza encontros mensais. Quando se encontram, a moamba desbloqueia a conversa – sobretudo se a reunião for debaixo do seu teto. Juntam-se donas de casa de vários países, põem-se a falar das jornas em que o repasto se preparava no quintal, em que havia um prato para toda a gente, em que uma refeição servia de resistência a um país em convulsão. E agora continuam a usar a moamba como arma. Quando se abre a tampa do tacho, a única conversa que importa é a alegria.
Moamba à moda da Luísa (para 4 pessoas):
Ingredientes:
- 1 galinha cortada em pedaços
- 400 gramas de polpa de dendém
- 250 gramas de quiabos
- 1 limão
- 1 lata de tomate pelado
- 1 cebola
- 1 limão
- 3 dentes de alho
- 3 folhas de louro- Óleo de palma
- Sal e jindungo (ou piri-piri) a gosto
Preparação:
Pisar o sal, dois alhos e o louro num almofariz, juntar-lhe o sumo de limão e envolver a marinada nos pedaços de galinha. Numa panela, refogar a cebola, um alho e a polpa de dendém num fio de óleo de palma. Juntar o tomate e deixar apurar. Depois, junta-se o frango, deixa-se alourar e acrescenta-se água. Tempera-se a gosto. Quando o frango estiver cozido juntar os quiabos e deixar ferver durante cinco minutos. Acompanha com funje de mandioca ou milho.
(Ao longo dos próximos dias, o Contacto vai publicar as receitas do Brasil, de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, de Moçambique, de Portugal e de São Tomé e Príncipe.)
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