O anúncio surge poucos dias antes da visita, na segunda-feira, do Presidente norte-americano à ilha de Maui. Joe Biden declarou rapidamente o estado de emergência, o que permitiu o envio de ajuda federal. Durante os incêndios, os avisos oficiais na televisão, na rádio e no telemóvel revelaram-se inúteis para muitos habitantes, sem eletricidade ou sem conexão à internet.
Os sobreviventes afirmam que não foram avisados de que um incêndio se dirigia a Lahaina, a cidade portuária com 12 mil habitantes. A maior parte das vítimas ficaram presas nas suas casas ou nos seus carros enquanto tentavam desesperadamente escapar às chamas que as consumiam.
O sistema de alertas do Havai, o maior do mundo, não foi ativado, admitiram as autoridades, e as sirenes permaneceram em silêncio.
Na quarta-feira, Andaya tinha defendido a não utilização do sistema de alertas, argumentando que, como tinha sido criado em caso de tsunamis, poderia levar as pessoas a fugir da costa, em direção às chamas.
O sistema de sirenes de alerta foi criado após um tsunami que matou mais de 150 pessoas na Ilha Grande do Havai em 1946 e, de acordo com o portal do sistema na Internet, pode ser usado para avisar sobre incêndios.
O número provisório de mortos nos incêndios subiu para 111, sendo que a maioria dos corpos foram até agora encontrados perto da orla marítima ou no oceano, uma vez que dezenas de pessoas saltaram para a água para escapar às chamas.
Até à data, apenas alguns dos corpos encontrados em Lahaina foram identificados. Peritos forenses, alguns dos quais trabalharam nos ataques de 11 de setembro, acidentes de avião e grandes incêndios, estão em Maui para ajudar a identificar os corpos gravemente queimados.
Inquérito independente
Há uma semana que as autoridades locais estão a ser julgadas por incompetência, com os habitantes a queixarem-se da falta de avisos e a apontarem numerosos erros cometidos antes, durante e depois da catástrofe.
Os sobreviventes revelaram à AFP que só souberam do incêndio quando viram as chamas a alastrarem-se pela sua rua. Os residentes queixaram-se também de que o governo demorou a vir em seu auxílio após a tragédia, com muitos a afirmarem que as ONG estavam mais envolvidas.
A procura dos corpos das vítimas tem sido lenta, alimentando a raiva e levando a uma perda de confiança nos representantes eleitos e nas autoridades.
Na semana passada, o Governador do Estado do Havai, Josh Green, ordenou a abertura de um inquérito sobre a origem deste terrível incêndio, a fim de tirar lições do mesmo.
A Procuradora-Geral do Havai, Anne Lopez, anunciou na quinta-feira que em breve será nomeado um organismo independente para efetuar a investigação.
“A condução do inquérito por uma terceira entidade assegurará a responsabilidade e a transparência e garantirá ao povo do Havai que todos os factos serão revelados”, declarou Anne Lopez.
c/ agências
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