Cerca de 30 mil pessoas passaram pelo recinto do festival Gamboa 2022

A noite começou por volta das 22h00 com a animação do DJ Tufon e com grandes filas de espera de pessoas que queriam entrar no recinto do festival, uma situação que foi alvo de crítica por parte do público.

O anfitrião da noite, DJ Pensador, começou por lembrar ao público que esta provavelmente é a última edição do festival que acontece no areal que lhe dá o nome.
Depois de uma breve atuação do MC Anti NPui, seguiu-se a atuação de três representantes do rap de rua, como eles próprios fizeram questão de referir: subiram ao palco Bodon, Boy Game e PCC. No final, Bodon que destacou entre vários temas “Txuba” , afirmou ao Balai que se sentia feliz e realizado após a sua estreia no Gamboa, sentimento partilhado por Boy Game.

O convidado seguinte dispensou apresentações. Com cerca de 40 anos de palco, Manu Lima, teclista e fundador dos Cabo Verde Show, esteve em palco acompanhado por uma banda cabo-verdiana. O principal desafio da noite, foi nas palavras do próprio, conquistar a nova geração.

Sem pisar o palco do Gamboa há pelo menos dez anos, Manu Lima mostrou-se surpreendido com a quantidade de pessoas presentes no festival. O também produtor e compositor mostrou-se feliz com a retoma das atividades culturais e destacou a importância do pagamento de direitos de autor, que, no seu caso, permitiram passar com mais segurança a época da pandemia que foi particularmente difícil para a cultura.

A mesma fonte revelou que o próximo projeto dos Cabo Verde Show é publicar um documentário sobre esta mítica banda.

A primeira atuação feminina da noite foi de Elida Almeida que fez a sua estreia no festival. Esta filha de Santa Cruz fez questão de revistar temas desde o início da carreira, como foi o caso de ‘Ora Doce Ora Margos’, mas trouxe também músicas mais recentes, como ‘Segredu’s’, e o público presente interagiu incansavelmente do início ao fim da atuação que contou também com a participação de Hélio Batalha.

“O público da Praia não poderia receber-me de outra forma”, afirmou visivelmente emocionada no final da sua atuação. Apesar de estar ainda a promover o trabalho Gerason Nobu, Elida avança que em outubro vai lançar no mercado um novo trabalho onde vai estar integrado o novo single com Jimmy P – Mau Menino.

Seguiu-se o cabo-verdiano Sandro, para depois entrar em palco outro artista da casa Ló de Pina. Defendendo o lema de que todos merecem uma oportunidade, o artista homenageou em palco o falecido jovem artista Nataniel e chamou ao palco Sonny Silva, um sósia do falecido cantor Jorge Neto, que foi sempre uma grande inspiração para Ló.

No final da sua atuação, Ló classificou a sua participação como excelente e enalteceu a presença massiva do público. O artista prometeu um novo trabalho ainda neste mês de maio e que vai contar com a participação de Gama e Princezito, entre outros.

Já passava das 4h00 da madrugada quando Leo Pereira, artista residente em Portugal, subiu ao palco e brindou o público com uma diversidade de temas e géneros. Em entrevista à imprensa, o jovem mostrou-se feliz com a sua segunda atuação no Gamboa que superou as suas expectativas e adiantou que vai lançar no próximo dia 26 um single novo.

Quando Garry subiu ao palco foi recebido pelo público também aos gritos. Depois de cantar alguns dos seus temas mais românticos, o artista ‘rapicou’ o funaná.

Seguiram-se vários momentos de emoção durante o show que contou com a participação do jovem Enilson Mendes Vieira, um fã de Santa Cruz que veio especialmente para o evento e que se mostrou feliz por ter atuado com o seu ídolo.

Sob aplausos e pedidos de encore, Garry encerrou o show já ao amanhecer quando passava das 6h00. Ainda muito emocionado com o show, o cantor foi parco nas palavras aos jornalistas, mas agradeceu o carinho dos fãs. O cantor adiantou que vai iniciar um novo ciclo na carreira que promete muitas novidades.

A segunda voz feminina da noite foi Gama que começou por interpretar temas mais antigos como Tentação. “Hoje é até meio-dia”, estimulou o público presente que não arredava pé da areia.

E para alegria dos presentes Tony Fika subiu por volta das 7h00 da manhã e interpretou vários temas, entre kizomba e funaná, o artista ainda teve oportunidade de atuar ao lado de Gama e Garry, com os quais interpretou “Nu ta ama” e “Nca ta skeci di bo”, respetivamente. “Foi campion”, afirmou no final aos jornalistas e prometeu continuar a trabalhar para atingir novas metas a nível profissional.

Ainda estou a tremer. É um orgulho e um privilégio encerrar o Gamboa. Não tinha noção que era tanta gente.

Soraia Ramos

Coube a uma mulher encerrar o último dia do festival da Gamboa. Soraia Ramos que subiu ao palco embrulhada numa bandeira de Cabo Verde, interpretou durante cerca de uma hora vários hits, alguns dos quais já bastante conhecidos do grande público. É o caso de Bai, I love you too, O Nosso Amor, Não Dá Ah Ah, entre outros.

Foi ao som do Bu Ka Bali Nada que caiu o pano às 9h da manhã sobre a 28ª edição do festival Gamboa. No final, Soraia mostrou-se radiante com a sua estreia no palco do Gamboa. “Ainda estou a tremer. É um orgulho e um privilégio encerrar o Gamboa. Não tinha noção que era tanta gente. (…) posso voltar a Portugal tranquila porque estou muito contente”.

Hoje já está disponível um novo tema de Gil Semedo, onde a cantora participa ao lado de Calema e Mito Kaskas. Ainda este mês Soraia Ramos promete lançar um dueto com uma artista cabo-verdiana num registo mais alegre. “Já chega de dor”, finalizou a sorrir.

Francisco Carvalho satisfeito com retoma e garante que o festival vai continuar a chamar-se Gamboa

Em declarações à imprensa, o presidente da Câmara da Praia, Francisco Carvalho, mostrou-se satisfeito com a retoma do festival da Gamboa. “Constatamos uma grande alegria junto das pessoas que participaram, junto dos munícipes, junto também das pessoas que tiveram cá pequenas atividades geradoras de rendimento, os artistas também estão contentes, logo nós, enquanto câmara municipal também ficamos satisfeitos”.

Num segundo dia do evento com uma audiência significativamente maior, o edil explica que ainda não tem dados definitivos sobre o número de pessoas que estiveram no certame, mas estima-se que cerca de 30 mil pessoas passaram pelo areal do Gamboa.

Questionado sobre a segurança no recinto, o presidente da CMP afirmou não ter conhecimento de incidentes no recinto e elogiou quer a prestação louvável da Polícia Nacional, quer de outras forças de autoridade presentes no local, como a Guarda Municipal, outros colaboradores da CMP, os Bombeiros Municipais, a Cruz Vermelha e de uma empresa de segurança privada.

Quanto à mudança do local de evento, o presidente da CMP não confirmou a efetiva deslocalização do festival. “É sabido que este terreno foi vendido e existe um projeto neste espaço, mas uma coisa garanto que o festival vai continuar a chamar-se Gamboa. Este nome não será alterado, sendo realizado cá ou noutro local. Vamos a ver se o festival será realizado cá ou não no próximo ano”.

Contactado pelo Balai, Gelisa Rodrigues, da Cruz Vermelha de Cabo Verde, presente no espaço, relatou que se a primeira noite do festival foi mais tranquila com duas ocorrências, já na noite de sábado foram registados dois ferimentos ligeiros com arma de fogo e um com arma branca e ainda pessoas que foram assistidas devido a intoxicações com álcool e substâncias psicoativas.

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