A polícia moçambicana alerta para o aumento de infiltrados nas aldeias afetadas pelos ataques armados no norte de Moçambique, que fornecem informações de alvos a serem atacados pelos terroristas em Cabo Delgado.
O comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Cabo Delgado, Vicente Chicote, afirmou que os terroristas estão a recrutar os seus familiares para se inflitrarem nas comunidades, particularmente nas aldeias de reassentamento, fazendo-se passar por deslocados.
“Os terroristas que são chefes estão a tirar as suas famílias para se apresentarem aqui como pessoas que fugiram, enquanto estão a fugir à fome lá no mato. E essas pessoas, quando chegam às nossas aldeias e bairros, em vez de procurarem apenas alimentação, têm olhos para olhar mais outros sítios”, apontou.
Estes familiares, continua Vicente Chicote, funcionam como “espiões” que localizam as zonas prioritárias a serem atacadas pelos grupos armados, “dão informações aos outros”.
Vicente Chicote, comandante da PRM em Cabo Delgado
“Aqui tem comida, podem vir atacar, não tem problemas. Não tem polícia, não tem soldado aqui”, exemplificou.
O comandante apelou, por isso, à “vigilância” da população. “Se nós não formos vigilantes, aqueles que hoje em dia estão lá em Macomia, em Mocímboa da Praia, em Quissanga hão-de chegar também aqui”.
Vigilância não pode atropelar direitos humanos
Vicente Chicote exortou também para a necessidade de se prestar auxílio às vítimas da insegurança, porque, sublinhou, nem todos os deslocados são colaboradores dos terroristas.
O ativista social Abudo Gafuro concorda com as autoridades e afirma que é necessário impedir que as comunidades se tornem esconderijos de malfeitores: “O comandante Chicote fez bem [apelar à vigilância da população]. Isto é muito importante”. No entanto, frisa que essa vigilância deve respeitar os direitos humanos: “Não podemos entrar em choque com a população [deslocada]”.
Gafuro lembra que a prerrogativa de denunciar prováveis ligações com o extremismo violento pode resultar em discriminação e acerto de contas, com denúncias até de indivíduos sem quaisquer bases por mera vingança ou rivalidades.
Abudo Gafuro sugere, por isso, muita cautela e aprofundamento das investigações: “Temos de saber identificar quem é o terrorista e quem não é terrorista, se este é um deslocado normal. Temos de procurar saber o histórico [do deslocado], de onde vem, o que fazia, o que faz e porque veio para esta comunidade, qual é a intenção que faz com que venha aqui. Será que veio por segurança ou procurar a família, qual o objetivo nesta comunidade onde se quer integrar. É a isto que apelamos para que haja sobretudo o respeito pelos direitos humanos”.
A Missão da SADC em Moçambique também apontou recentemente a estratégia de infiltração de terroristas nas comunidades que fogem da pressão da força conjunta na zona de combate. De acordo com o chefe da SAMIM, a colaboração da população, com foco nos líderes locais, tem permitido identificar esses casos.
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