Banco do Brasil era privado e financiou a Guerra do Paraguai – Diário do Poder

Um dos problemas crônicos daquele sistema bancário rudimentar era a falta de cédulas e moedas em circulação no Império. Para suprir essa deficiência do Tesouro, os bancos privados emitiam vales, que eram cédulas paralelas tão aceitas no mercado quanto as cédulas oficiais do Tesouro.

Esses vales provocaram um efeito colateral sério. Os bancos se sentiam estimulados a produzi-los desenfreadamente porque, quanto mais emissões faziam, mais eles lucravam e mais dividendos os seus acionistas recebiam.

Para o governo, a economia e a população em geral, isso era péssimo. O excesso de dinheiro em circulação alimentava a inflação e desvalorizava a moeda brasileira no mercado internacional, afetando as importações e as exportações do Império.

Nas discussões do projeto bancário de 1853, o senador Visconde de Olinda (PE) avaliou:

— É indispensável pôr em ordem o meio circulante, porque o seu estado é verdadeiramente forçado. Retirar, porém, o papel existente sem um intermédio que o substitua é impossível, e esse intermédio só pode obter-se por meio de um banco.

O senador D. Manoel, concordou:

— Não me oponho de forma alguma a que se regenerem as finanças do país, a que se retire gradualmente de circulação a grande massa de papel fiduciário que existe. Deve-se, portanto, criar um estabelecimento que devidamente preencha esses fins.

Para o senador Hollanda Cavalcanti, a emissão de papel-moeda deveria ser uma incumbência exclusiva do Estado:

— Entendo que banco é sinônimo de casa de moeda e que casa de moeda não a pode ter ninguém senão o governo. Portanto, o banco que emite sendo estranho ao Estado ou é uma anomalia, ou é um status in statu [Estado paralelo].

Dom Pedro II, em óleo sobre tela de Pedro Americo.

O economista Thiago Gambi, estudioso do Banco do Brasil do Império e professor de história econômica na Universidade Federal de Alfenas (Unifal), entende que aquele banco dos tempos de D. Pedro II tem semelhanças com a Petrobras de hoje: “O Banco do Brasil era uma instituição privada com interesse público. Enquanto os acionistas almejavam o lucro, o governo utilizava o banco buscando manter a economia saudável. Os embates entre os dois lados eram constantes. A Petrobras, que é uma empresa de capital misto, repartida entre a União e os acionistas, vive uma situação parecida. Os acionistas pressionam para que o preço dos combustíveis siga o valor internacional, para que tenham mais lucro. O governo, por sua vez, age para segurar o preço dos combustíveis, de modo a manter a inflação mais baixa.”

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