Você já deve ter visto circulando nas redes sociais alguns vídeos de uma serpente com o rabo que se parece com uma aranha. Trata-se da víbora rabo-de-aranha (Pseudocerastes urarachnoides), que habita regiões montanhosas do Oriente Médio, como Irã, Iraque e Egito. O que se parece com uma aranha é, na verdade, a cauda do animal modificada em forma semelhante a uma aranha [veja vídeo].
Engodo caudal: conheça as serpentes que usam essa estratégia para atrair presas
Essa adaptação permite que o animal execute um comportamento chamado de engodo caudal, estratégia utilizada para atrair presas. No Brasil, também temos espécies com comportamentos parecidos. É o caso de algumas jararacas e outras espécies como as do gênero Tropidodryas: Cobra-cipó (Tropidodryas serra) e Jararaquinha (Tropidodryas striaticeps), endêmicas da Mata Atlântica.
O biólogo e especialista em répteis e anfíbios, Willianilson Pessoa, explica que cada serpente tem sua peculiaridade na hora de caçar. No caso da víbora rabo-de-aranha, ela caça no modo ‘senta espera’, que consiste em ficar parada e camuflada, só esperando a presa passar. “Essa cauda que se parece com uma aranha faz com que outros animais cheguem perto, então ela detecta o movimento, o cheiro e dá o bote”, explica.
O engodo caudal é um movimento de contorção voluntária na ponta da cauda que possui a cor amarelada ou branca para que as presas a confunda com uma larva. Junto com esse padrão da cauda, as serpentes possuem, geralmente, uma coloração críptica, ou seja, coloração de camuflagem no ambiente. Assim, ao executar o engodo caudal estando totalmente invisível pela camuflagem, a possível presa avista somente a ponta da cauda colorida e não nota o predador ali. As jararacas jovens possuem a ponta da cauda parecida com uma larva. Ao se aproximar dessa “larva”, a presa é surpreendida pela serpente que aproveita a chance.
Willianilson destaca que o fato de serpentes terem cauda branca e fazerem engodo não significa que elas sejam peçonhentas. “A Tropidodryas striaticeps, por exemplo, é uma espécie que faz esse comportamento de engodo, mas que não tem peçonha”, conta.
De acordo com a plataforma The Reptile Database, a pseudocerastes foi descrita em 2006 e o primeiro indivíduo encontrado foi a cerca de 200 metros de altitude, o que indica que essas serpentes vivem em lugares mais altos.
Segundo o herpetólogo, existem exemplos de espécies brasileiras que também fazem engodo caudal, como as jararacas da Mata Atlântica: jararaca-do-rabo-branco (Bothrops leucurus), jararacuçu (Bothrops jararacussu), jararaca-verde (Bothrops bilineatus). No norte do Brasil temos a jararaca-da-amazônia (Bothrops atrox). Já a representante do Cerrado é a jararaca-pintada (Bothrops pauloensis). Estas, quando jovem, possuem a cauda branca ou amarelada parecida com uma larva, o que atrai pequenos lagartos e anfíbios.
Diferentemente da maioria das jararacas, a jararaca-verde vive em arbustos e utiliza troncos e galhos para se esconder, se abrigar e ainda caçar suas presas. Por ter hábito arborícola, a jararaca-verde atinge – principalmente – a parte superior do corpo de quem passa desatento em meio à vegetação. Sua cor ajuda a se camuflar nas árvores. Possui hábitos noturnos e vive em florestas da Amazônia e parte da Mata Atlântica. Na região amazônica pode ser encontrada na Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Equador, Peru e Bolívia, além do Brasil.
Pseudocerastes x Cerastes
O herpetólogo Willianilson Pessoa explica que a Pseudocerastes é uma falsa Cerastes. “É como a coral verdadeira e a coral falsa, a diferença é que as duas são peçonhentas. A Cerastes é uma serpente conhecida como víbora-de-chifres, é nativa dos desertos do Norte da África e algumas partes do Oriente Médio. Ela tem um par de chifres em cima dos olhos que são duas escamas modificadas, então ela se enterra na areia do deserto e fica só esperando a presa passar para dar o bote”, explica.
Segundo Willianilson, existem indivíduos sem chifres e outros que possuem chifres menores. “É uma serpente que pode chegar a 85 cm de comprimento, sendo as fêmeas maiores que os machos. Elas se alimentam principalmente de lagartos, mas também de pequenos mamíferos e aves”.
Além das Pseudocerastes e das Cerastes, outras espécies como jararacas, cascavéis e surucucus-pico-de-jaca pertencem à família das víboras (Viperidae). Já as corais são da mesma família das najas, mambas-negras e cobras-reis, a Elapidae.
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