Angola espera reforçar cooperação – DW – 10/06/2023

O Presidente angolano, João Lourenço, manifestou ontem ao seu homólogo guineense, Umaro Sissoco Embaló, a “esperança” de que os dois países “continuarão a trabalhar juntos para explorar as potencialidades recíprocas e projetar a cooperação bilateral”. Após as legislativas na Guiné-Bissau, no domingo (04.06), também o Brasil felicitou a Guiné-Bissau pela “tranquilidade” e “organização”.

De forma semelhante, a mensagem de João Lourenço, que é também o presidente em exercício da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), visou saudar o Presidente guineense “pela forma ordeira, exemplar e democrática como decorreram as eleições legislativas na Guiné-Bissau”, realizadas no passado dia 04.

João Lourenço saudou seu homólogo guineense pelas legislativas do último domingo e espera reforçar a cooperação Foto: João Carlos/DW

“Transparência e estabilidade”

“Quero realçar o facto de o povo da Guiné-Bissau ter podido, em condições de grande abertura, transparência e de estabilidade, escolher livremente (…) a coligação PAI – Terra Ranka, que trabalhará com o senhor Presidente da República na condução dos destinos da Guiné-Bissau nos próximos tempos”, destacou João Lourenço.

O Presidente angolano manifestou ainda “a convicção de que a Guiné-Bissau saberá vencer o grande desafio que tem pela frente, no sentido de edificar as bases sobre as quais assentará a unidade de todas as forças vivas da nação, às quais caberá, num verdadeiro clima de unidade nacional, impulsionar o desenvolvimento” do país. 

Nesta sexta-feira, também o Brasil felicitou a Guiné-Bissau pelo “ambiente de tranquilidade” e a “forma ordeira e organizada” como decorreram as eleições legislativas, no passado domingo, que a coligação PAI-Terra Ranka venceu com maioria absoluta,

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“Ambiente de tranquilidade”  

“O Brasil felicita o Governo e o povo da Guiné-Bissau pela realização das eleições parlamentares, no último dia 04 de junho, conduzidas em ambiente de tranquilidade e de forma ordeira e organizada, conforme anunciado pela Missão de Observação Eleitoral da CPLP”, indicou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil em comunicado.

“Ao cumprimentar a divulgação dos resultados preliminares pela CNE, o Governo brasileiro reitera seu apoio às instituições democráticas bissau-guineenses”, acrescentaram as autoridades brasileiras, que recordaram ainda que os dois países mantêm relações desde 1974.

Relações essas “pautadas pela cooperação técnica, com importantes projetos de caráter estruturante no país africano”, frisou o Governo brasileiro.

Domingos Simões Pereira, líder da coligação vencedora das legislativas guineenses, durante a votação, no último dia 04Foto: Alison Cabral/DW

Coligação vencedora

O líder da coligação vencedora das legislativas guineenses, Domingos Simões Pereira, disse ontem que em breve será conhecido o nome a ser proposto para chefiar o novo Governo e garantiu estar aberto a falar com outros partidos.

Por outro lado, o chefe de Estado guineense, Umaro Sissoco Embaló, afirmou durante a campanha eleitoral que não nomearia Domingos Simões Pereira primeiro-ministro do país caso vencesse as legislativas, mas na quinta-feira, numa mensagem à Nação, reconheceu os resultados e recuou na sua intenção.

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Resultados

Os resultados provisórios indicam também que o Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15) obteve 29 deputados na Assembleia Nacional Popular, mais dois assentos do que em 2019 e o líder do partido, Braima Camará, já felicitou o vencedor, manifestando-se pronto para colaborar e ajudar a arranjar soluções de estabilidade política para o país.

O Partido de Renovação Social (PRS) conseguiu 12 deputados, uma grande descida em relação às legislativas de 2019, quando obteve 21 assentos, e o líder da formação política, Fernando Dias, disse que respeita a vontade do povo e a mensagem de “repreensão pela companhia em que se encontrava”, referindo-se ao facto de ter integrado o anterior Governo.

O Partido dos Trabalhadores Guineenses (PTG), criado no final de 2021, e liderado por Botche Candé, obteve seis deputados na sua estreia eleitoral.

O grande derrotado nas eleições legislativas é a Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau, liderada pelo primeiro-ministro cessante Nuno Gomes Nabiam, que obteve apenas um deputado, quando em 2019 elegeu cinco deputados.

O dia do voto na Guiné-Bissau

As eleições legislativas da Guiné-Bissau decorreram num ambiente tranquilo, apesar de alguns problemas logísticos. Na diáspora, houve confusão. Líderes políticos pedem que a “vontade do povo” seja respeitada.

Foto: F. Tchumá/DW

A votação começou pontualmente às 7h locais em toda a Guiné-Bissau, segundo as autoridades eleitorais. Em Bissau, a DW constatou que, apesar de longas filas, a votação arrancou num ambiente tranquilo e sem problemas.

Foto: F. Tchumá/DW

Mesmo com a falta de tinta indelével em alguns locais de votação, os eleitores seguiram o processo eleitoral normalmente, de acordo com relatos dos correspondentes da DW na capital guineense.

Foto: Darcicio Barbosa/AP/picture alliance

Longe de Bissau, em Gabú, no leste do país, o Presidente Umaro Sissoco Embaló depositou o seu voto na urna acompanhado de vários apoiantes. Em declarações à imprensa, Sissoco Embaló avisou que não vai permitir a contestação dos resultados das eleições legislativas: “O povo está a votar e quem for eleito é que vai governar”, garantiu.

Foto: DW

“Bom-senso” nas eleições

Em Bissau, Domingos Simões Pereira, que lidera a coligação Plataforma Aliança Inclusiva (PAI) – Terra Ranka, disse temer “a eventualidade de alguém querer brincar com a vontade expressa pelo povo guineense”. “Espero que tenhamos o bom-senso para não incorrer neste tipo de brincadeira”, afirmou Simões Pereira.

Foto: Iancuba Dansó/DW

“Celebração da democracia”

O líder do MADEM-G15, partido que está no Governo desde 2020, votou no centro de Bissau e afirmou que estas eleições são uma “celebração da democracia”, o caminho pelo qual os guineenses vão “encontrar a estabilidade consistente e duradoura”. “Esta é a vez da Guiné-Bissau”, disse Braima Camará.

Foto: A. Cabral/DW

“Aceitem a vontade do povo”

Botché Candé, do Partido dos Trabalhadores Guineenses (PTG), exerceu o seu direito de voto na cidade de Bafatá, no leste do país. Em declarações à imprensa, disse esperar uma boa convivência entre o Presidente da República e o candidato eleito nestas eleições. Também lançou um apelo aos líderes políticos do país: “Aceitem a vontade do povo”.

Foto: privat

A única mulher candidata à liderança do Governo nestas eleições fez um apelo à paz minutos após exercer o seu direito ao voto. Joana Cobdé, presidente do Movimento Social Democrático (MSD), disse que o país está cansado das crises políticas e questionou: “Se continuarmos a brigar, quem é que vai estabilizar este país?”.

Foto: I. Dansó/DW

A votação na Embaixada da Guiné-Bissau em Lisboa foi marcada por uma confusão na longa fila que se formou desde cedo. As autoridades eleitorais da embaixada admitiram que não foi fácil gerir o processo, mesmo com a ajuda da polícia portuguesa. Em Dacar, a votação foi adiada devido aos confrontos na capital senegalesa.

Foto: João Carlos/DW

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