Esses dados foram avançados esta manhã, na cidade da Praia, pela directora Nacional da Saúde, Ângela Gomes, quando presidia à cerimónia as I Jornadas Nacional sobre Células Falciformes, no âmbito do Dia Mundial da Anemia de Células Falciformes, assinalado a 19 de junho.
“Não se conhece o número exacto de pessoas portadores destas doenças no País devido a falta de recursos diagnósticos e inexistência de uma estratégia de resposta organizada, mas sabe-se que a anemia falciforme é mais prevalente nas ilhas de sotavento, especialmente, em Santiago”, disse.
A nível do continente africano, indicou a existência de 200 mil casos, uma prevalência a volta de 5% da população, sendo que mais de 40% dos casos são diagnosticados nas crianças.
Na sua comunicação Ângela Gomes alertou para o facto de existirem casos não identificados, nas ilhas, particularmente as com maior número de imigração de pessoas provenientes do continente africano.
A responsável ressaltou ainda a necessidade de uma abordagem mais científica, multidisciplinar e especializada para reduzir a mortalidade e morbilidade da doença e, assim, garantir a qualidade de vida dos doentes e familiares.
Avançou ainda a previsão, no programa do Governo, da implementação do instituto de sangue e transplante que, segundo disse, terá uma valência no pacote de cuidados a ser oferecido a estes tipos de pacientes.
“O programa nacional de segurança transfusional tem implementado vários postos de transfusão de sangue a nível das ilhas e reforçou esforços a nível de se conseguir medicamentos mais eficazes para a patologia, assim como aquisição de equipamentos que devem ser utilizados para esses tipos de doentes”, afirmou.
Apesar de todas estas medidas adiantou existirem muitos desafios a serem ultrapassados a nível da abordagem terapêutica, devido ao alto custo dos medicamentos.
Apontou como desafios a dispersão dos doentes em várias ilhas, a melhoria da capacidade de diagnóstico laboratorial, capacitação contínua dos profissionais, bem como informações dos doentes e cuidadores.
Referindo-se à patologia, o director do Hospital da Praia, Imadoeno Cabral avançou que em 2022 o serviço de Hematologia do hospital registou mais de 130 casos, um número aparentemente não significativo, mas com o seu peso a nível nacional.
A coordenadora do grupo do HUAN, Linette Fernandes, por sua vez, manifestou a sua preocupação com a falta de estudo de base populacional, afirmando que o que existe é a nível hospitalar e alguns estudos académicos a nível de mestrados.
“É uma doença genética hereditária, em que ambos os progenitores são portadores da hemoglobina que não é norma. E estes têm 25% de possibilidade de transmitir a doença”, disse, realçando que a patologia afecta de forma diferente, de pessoas para pessoas, provocando quadros de cansaço, dores ósseas e retardo na aprendizagem, crescimento e AVC.
A Anemia falciforme é uma doença hereditária (passa dos pais para os filhos), caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, tornando-os parecidos com uma foice, daí o nome falciforme. Essas células têm sua membrana alterada e rompem-se mais facilmente, causando anemia.
O dia 19 de junho foi oficialmente designado como o Dia Mundial de Conscientização da Doença Falciforme com o objetivo de aumentar o conhecimento e a compreensão do público sobre a doença e os desafios vivenciados pelos pacientes, seus familiares e cuidadores.
Inforpress
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