Alunos cabo-verdianos marcam presença pela sétima vez no concurso de Robótica First Global Challenge

Em entrevista ao Balai, Déborah Cristina Vera-Cruz que é o ponto focal em Cabo Verde da First Global Challenge (FGC), explica que este concurso mundial é uma espécie de Jogos Olímpicos da Robótica, onde Cabo Verde participa desde 2017. Cristina Vera-Cruz que abraçou o projeto em 2018 avança ainda que os jogos são destinados a alunos com idades entre os 14 e 18 anos. Segundo a interlocutora, o primeiro professor a abraçar o desafio a nível nacional foi João Pinheiro, na altura ligado ao projeto WebLab (uma iniciativa do NOSi em parceria com o Ministério da Educação) em São Vicente. Como o desafio da FGC engloba a montagem de um robot a partir de um kit com peças enviadas pela organização, ou seja é um trabalho que é feito semanalmente e de forma presencial, foi mais prático também optar por alunos de São Vicente e até ao presente são os jovens que estudam nas escolas secundárias em Mindelo que têm participado no concurso.

“Todos os países devem fazer os seus robots com as peças do kit e não podem usar nada de fora. A organização depois faz uma inspeção (…) se eles verificarem que foram usadas peças de fora, és desclassificado”, explica a interlocutora.

A seleção dos alunos participantes localmente no projeto obedece a vários critérios. Um dos pontos é que haja um equilíbrio entre os novos elementos do grupo e os que já participaram na edição anterior. Também está presente a questão de género. A dedicação de cada elemento ao longo das etapas do concurso também é levada em consideração bem como um equilíbrio na representatividade de escolas, na idade, mas também a questão de quem tem os documentos, nomeadamente o passaporte, em dia. No final, uma equipa de apenas cinco alunos vai acompanhada de dois adultos para a final do concurso. 

Este ano, são nove os alunos que estão a participar na construção do robot, cinco dos quais vão para o evento final. Ao longo destes anos cerca de 13 jovens, alguns mais do que uma vez, participaram presencialmente dos eventos finais. Segundo Vera-Cruz, o feedback os estudantes têm sido incrível até porque para muitos é a primeira viagem ao estrangeiro.

A última etapa do concurso é um evento global que a cada ano acontece num país diferente com a participação de dezenas de países, cada um com o seu respetivo stand, e onde as equipas de cada país têm de criar alianças de três para executar os jogos com os seus robôs, ou seja há uma dupla vertente, competição e aliança, explica Vera-Cruz. O objetivo é que os alunos nesta idade ganhem uma afinidade com outras culturas assim no futuro podem ter uma visão do mundo mais global. A deslocação de cada equipa para o evento final é assegurada pela organização.

Depois da edição do México em 2018 onde Cabo Verde conseguiu um Safety Award, em 2019 alguns países africanos que participam no First Global Challenge fizeram uma edição única de um evento regional que aconteceu na África do Sul. Nessa edição, a equipa cabo-verdiana teve um contratempo com o robot que acabou por não chegar no destino final a tempo e tiveram de improvisar um novo em tempo recorde.

Devido à pandemia da covid-19, em 2020 e 2021 a competição aconteceu apenas em formato online e não houve a construção do robot.

No regresso ao formato presencial, a comitiva nacional já participou na final do First Global Challenge na Suíça no ano passado e este ano prepara-se para ir para a Singapura de 5 a 11 de outubro. Para participar no evento, os jovens cabo-verdianos vão pedir licença na escola. No final de cada competição o robot fica para a equipa de cada país.

Além de fomentar o gosto pela tecnologia e robótica, um dos objetivos do concurso é incentivar o intercâmbio entre os diferentes países.

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