Aos 26 anos, no pico das suas virtudes futebolísticas, Rúben Neves vai jogar para o Al Hilal
Jack Thomas – WWFC
Ele surge vestido com uns jeans e uma simples t-shirt branca, sentado numa cadeira, câmara bem junto à cara. Como quem vai confessar algo. E vai. Fala dos anos passados naquele clube, naquela cidade, onde chegou como um menino de 20 anos, dois anos depois de se tornar no mais jovem capitão da Liga dos Campeões, pelo FC Porto. Com ele, que era tão melhor, mais refinado, que os outros da 2.ª divisão inglesa, o Wolverhampton tornou-se um clube de Premier League. Foi ali que os filhos viveram os primeiros anos de vida.
Rúben Neves não aguenta e chora. Tem de parar várias vezes, na garganta forma-se um nó por onde as palavras lutam para passar. Soa estranho, afinal de contas o médio português, de 26 anos, vai tornar-se milionário. Os seus filhos, se calhar os seus netos, se quiserem, nem terão de trabalhar.
Mas tudo tem um preço.
Será mais ou menos uma evidência que o médio internacional português é o primeiro jogador no topo das suas valências a aceitar ir jogar para a liga saudita, que está em pleno raide na Europa, a bater à porta de todos os clubes – principalmente do Chelsea, o que vai até criando umas quantas teorias da conspiração -, espalhando o dinheiro que jorra dos seus poços de petróleo para lavar mais branco a sua imagem. Não parece haver um plano, uma ideia de desenvolvimento do jogador local (e é logo aqui que a Arábia Saudita se afasta do falhado investimento chinês de há uns anos), uma vontade de evolução: é gastar agora, chamando os melhores no imediato, pelo menos os que aceitarem ir, numa liga tomada de assalto pelo PIF, o público fundo soberano da Arábia Saudita que controla agora os quatro principais clubes do país.
Ainda há um mês, Rúben Neves dizia-se feliz em Wolverhampton, mas que o seu desejo era jogar “na Champions League”. Falava-se então no Barcelona. Não terá chegado a haver proposta e Rúben Neves virou-se para o Al-Hilal, que terá deixado 55 milhões de euros nas contas do clube inglês, que estará precisado deles. Dos mais de 3,5 milhões de euros que, conta-se, auferia em Inglaterra, Neves passará para o triplo. Pelo menos, revelou o “The Athletic”. Portanto, à volta dos €12 milhões por época, limpos de impostos. É muito dinheiro.
Rúben Neves chorará por muitas razões. Porque vai deixar amigos, um clube que certamente levará no coração. Talvez também chore porque nos próximos anos, a única Liga dos Campeões que vai disputar será a asiática. Por cá, só uns quantos malucos acompanham a Liga dos Campeões asiática e provavelmente assim continuará. Ou haverá mesmo tanta gente disposta a trocar um jogo de Premier League por um do Al Nasr, mesmo com Cristiano Ronaldo em campo? Desportivamente, é difícil compreender. Luka Modric acabou de renovar com o Real Madrid, Lukaku não está na disposição de partir e Son Heung-min já frisou que não vai deixar a Premier League. Todos eles terão sido abordados para irem ganhar muitos milhões para Riade, Jidá ou arredores. É possível dizer não, mas Rúben Neves tem todo o direito de resolver a sua vida e da sua família.
Daqui a três anos, quando terminar o contrato com o Al Hilal, Neves será um jogador de 29 anos, ainda mais que a tempo de voltar à Europa. Mas o historial de futebolistas que há uns anos fizeram o mesmo percurso, mas para a China, conta-nos que poucos deles conseguiram regressar com sucesso ao futebol europeu. Axel Witsel e Yannick Ferreira-Carrasco serão honrosas exceções. Por muito que o investimento saudita pareça mais forte e possivelmente mais duradouro que o chinês, é difícil pensar numa liga competitiva a curto/médio prazo. Porque, espero, ganhar a Liga dos Campeões tem de ter mais peso que um contrato milionário num campeonato periférico, num país que não respeita os mais básicos direitos humanos. Se assim não for, o futebol enquanto fenómeno popular deixa de ter razão de existir e passará apenas a ser mais uma empresa.
Tudo isso terá de pesar numa decisão destas. Bernardo Silva, que terá uma proposta com números ainda mais altos, bem mais altos, que os de Rúben Neves, também estará com uma lista mental de prós e contras a encher-lhe os pensamentos. Terá de optar entre continuar rico em algum dos melhores clubes da Europa ou tornar-se milionário na Arábia Saudita. Decisões.
Zona mista
Tem um sabor especial. Pelo dia que foi, pela homenagem que me fizeram, pelo jogo 200 pela seleção. Culminar com um golo, não posso pedir mais. Foi espetacular e inesquecível
Cristiano Ronaldo, logo após a vitória de Portugal na Islândia, onde se tornou no primeiro jogador a chegar às 200 internacionalizações por uma seleção. O capitão marcou o único golo de um jogo em que Portugal jogou poucochinho, para mais em tão importante ocasião
O que aí vem
Segunda-feira, 26
⚽ Se não consegue mesmo passar sem futebol, há um prometedor El Salvador – Martinica, a contar para a Gold Cup, o campeonato de seleções da CONCACAF (23h30, Sport TV1)
🎾 ATP 250 de Eastbourne (14h30, Sport TV3) e Maiorca (Sport TV2, 15h)
Terça-feira, 27
⚽ Portugal joga o seu futuro no Euro sub-21, frente à Bélgica (17h, RTP1)
Quarta-feira, 28
⚽ Euro sub-21: Inglaterra – Alemanha (17h, RTP Play) e Itália – Noruega (19h45, RTP Play)
Quinta-feira, 29
⚽ Gold Cup: já bem tarde, o convidado Catar, de Queiroz, joga com as Honduras (0h45, Sport TV2)
🚴 Apresentação da Volta a França (18h30, Eurosport 1)
Sexta-feira, 30
🎾 Meias finais dos ATP 250 de Eastbourne (14h, Sport TV1) e Maiorca (14h30, Sport TV2)
🏁 F1: GP Áustria, qualificação (16h, Sport TV4)
Sábado, 1
🚴 Primeira etapa da Volta a França, em Bilbau, já com alguma montanha (12h, Eurosport 1)
🎾 Finais dos ATP 250 de Eastbourne (14h30, Sport TV1) e Maiorca (17h, Sport TV1)
🏁 F1: GP Áustria, sprint shootout (11h, Sport TV4) e corrida de sprint (15h30, Sport TV4)
Domingo, 2
🚴 Etapa 2 da Volta a França, com final na bela cidade de San Sebastian (12h, Eurosport 1)
⚽ Gold Cup: Estados Unidos – Trindade e Tobago (0h, Sport TV1)
🏁 F1: GP Áustria, corrida (14h, Sport TV4)
Hoje deu-nos para isto
Foi há tanto tempo que talvez já nos falhe a memória, 15, 20 anos, por aí, mas longe vai essa época em que sabíamos que algures numa afamada academia da Flórida, que já havia forjado Andre Agassi e Maria Sharapova, treinava uma portuguesa com jeito para se tornar algo nunca antes visto no nosso modesto ténis.
O seu nome era Michelle Larcher de Brito, que aos 14 anos já batia recordes de precocidade no circuito WTA e nos dois anos seguintes foi arrumando várias tenistas do top 20, conseguindo também roubar um set a Serena Williams, numa altura em que a norte-americana era intocável. Seguiram-se depois alguns anos intermitentes, até que há precisamente 10 anos, quando Michelle já tinha 20, chegou a verdadeira bomba: na 2.ª ronda de Wimbledon, a portuguesa derrotou Maria Sharapova, número 3 mundial.
O feito acabaria por não colocar Michelle de novo na rota da glória. Poucos anos depois, a portuguesa já não constava dos quadros dos melhores torneios, depois já nem sequer dos mais modestos. Largou tudo. O nosso Pedro Barata tentou procurá-la, uma década depois daquele dia em Wimbledon. Sem sucesso. Está aqui a história dessa busca. E nem antigos colegas ou a própria Federação Portuguesa de Ténis sabem onde pára Michelle.
Michelle celebra o maior feito do ténis feminino português, há precisamente 10 anos, em Wimbledon
ADRIAN DENNIS/Getty
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