Mercado de tecnologia ainda é desigual entre homens e mulheres, apesar de ofertar mais vagas

Nos corredores do Parque Tecnológico de São José dos Campos, é possível escutar uma maioria de vozes masculinas. São homens que ocupam cargos técnicos em laboratórios da instituição, em pesquisas em diversas tecnologias. Contudo, a voz que fala quando todas as outras se calam para aprender é de uma mulher. Rubiane de Oliveira é coordenadora de laboratórios de engenharia do Parque, uma das únicas mulheres no local a ocupar um cargo técnico, lidando diretamente com tecnologia. “Nessa área, nós mulheres precisamos nos reafirmar todos os dias”, conta Rubiane em entrevista a OVALE. Doutora em engenharia elétrica, ela faz parte de uma minoria de mulheres que trabalham na área de tecnologia, que é formada majoritariamente por homens. De acordo com a pesquisa da plataforma PretaLab realizada em 2019, as mulheres representam 31,7% dos atuantes nas carreiras de tecnologia, contra 68% de homens. A pesquisa também levantou dados relacionados à cor e apenas 37% do público, entre homens e mulheres, é negro. 

A realidade fica pior quando a desigualdade de salário é analisada. Uma pesquisa da consultoria Mercer, divulgou que no nível de executivos de empresas de alta tecnologia a disparidade salarial chega a 36%. Apesar de ser uma área em constante ascensão, principalmente no Vale do Paraíba, faltam profissionais qualificados para ocupar vagas.

Um dos motivos desse déficit é a dificuldade em formar pessoas de acordo com as expectativas da empresa. Contudo, no caso das mulheres, o problema tem raízes mais profundas. Na hora de escolher uma carreira, é raro que uma mulher opte por cursos relacionados à tecnologia. “É importante quebrar os estereótipos que afastam as mulheres dessas carreiras, quebrar o mito de que elas não são boas em exatas, que devem seguir carreiras administrativas. Temos exemplos de mulheres bem-sucedidas nessa área, contudo, elas não têm o destaque que merecem”, afirma Regina Acher, diretora executiva da Laboratoria, uma iniciativa que busca formar mulheres na área de tecnologia. Assim como o Laboratoria, o Minas Programam também oferece cursos na área para mulheres, para incentivar a entrada no mercado de trabalho. A Barbara, diretora da ONG, conta que a iniciativa começou após ela perceber, em ambientes de periferia, que meninas têm menos oportunidades na área de tecnologia. “A bagagem de quem pensa nas soluções através da tecnologia importa muito na hora do desenvolvimento. Percebemos que afastar mulheres, principalmente as negras, desse processo, influencia muito no tipo de tecnologia existe”, explica ela.

Mercado. Empresas como a NuBank e a Magazine Luiza estão criando iniciativas para diminuir a desigualdade de gênero na área tecnológica, criando programas para formar e contratar mulheres em cargos da área. Regina Acher, da Laboratoria, afirma que é essencial que as empresas se envolvam na discussão. “Eu acho que as empresas devem se responsabilizar por isso. É importante investir no talento feminino”, afirma ela. A NuBank, por exemplo, se comprometeu a ter 50% da liderança formada por mulheres até 2025.

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