ONG denuncia aumento de “casos degradantes” de violência contra mulheres e crianças na Guiné-Bissau – África
Em declarações à Lusa, a socióloga formada no Brasil enumerou um conjunto de situações que ocorreram no país nos últimos dias para ilustrar o que diz ser a “deriva da violência contra as mulheres e crianças”.
A ativista revelou que “quase diariamente” chegam ao conhecimento de membros da organização denúncias através das redes sociais, de contactos dos jornalistas ou de familiares.
A mais recente denúncia, disse, é o caso de uma menina de 14 anos violada sexualmente por um adulto e que agora está grávida.
O caso ocorreu no bairro de Ajuda, subúrbio de Bissau.
“O senhor era vizinho da casa onde a criança mora”, observou Iolanda Garrafão, frisando que a ONG, que tem estado a dar apoio psicossocial à menina, encaminhou o caso para a justiça guineense, esperando “uma punição exemplar ao violador”.
O suspeito aparenta ter 38 anos e neste momento encontra-se a monte, segundo a Polícia Judiciária que está ao seu encalço, precisou a ativista social Adama Baldé, que segue o caso em nome da organização “Mulher Não É Tambor”.
Iolando Garrafão abordou também o caso de uma mulher de Bafatá, no leste do país, que acabou por morrer em Bissau, por ter sido queimada com fogo e gasolina pelo marido que a acusou de não ter preparado a sua comida.
A mulher explicou ao marido que não fez comida por se encontrar doente, explicou Garrafão, referindo-se aos relatos da vítima, antes de morrer no Hospital Simão Mendes, para onde foi transferida.
“Para a nossa organização estamos perante um crime de feminicídio. Não acreditamos que um homem possa ser morto neste país apenas porque não fez comida para a sua esposa, para já os homens não costumam cozinhar”, defendeu Garrafão.
Em Bôr, arredores de Bissau, um pai esfaqueou, até à morte, a sua filha de 16 anos por não ter gostado do facto de ter dormido fora de casa.
A denúncia chegou à “Mulher Não É Tambor” através da mãe da criança, que, entretanto, já se tinha separado do pai.
Detido pelo Ministério Público, o pai da criança acabou por fugir, explicou Iolando Garrafão, que considera o caso de “muito estranho”.
A Polícia Judiciária lançou uma operação de caça ao homem e promete dar dois milhões de francos cfa (cerca de 3.000 euros) a quem ajudar na localização do suspeito que está a monte.
As organizações da sociedade civil e instituições estatais que promovem os direitos das mulheres e crianças vão organizar, em Bissau, na sexta-feira, uma marcha de protesto contra “a onda de violências”, adiantou Iolanda Garrafão.
De seguida, vão levar a preocupação à ministra da Justiça e dos Direitos Humanos, Teresa Silva, e ao Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló.
“Vamos pedir-lhes justiça para todos estes casos”, afirmou Garrafão.
Crédito: Link de origem



Comentários estão fechados.