Igor Paixão é uma sensação na Europa. Com 12 gols e 9 assistências em 55 partidas, o atacante do Feyenoord coleciona grandes atuações e muitos elogios na imprensa internacional. No entanto, antes de entrar em campo contra o Atlético de Madrid, pela fase de grupos da Champions League, ele foi reduzido a “descendente de escravos” pelo jornal “As”, da Espanha.
No início desta terça-feira, a manchete da reportagem de Héctor Pérez dizia o seguinte: “Igor Paixão, o descendente de escravos que ameaça o Atleti”. No texto, o jornalista conta alguns detalhes do início de carreira difícil que o atacante teve por ser de origem pobre. O periódico atualizou o título da matéria após a repercussão.
A matéria não é de toda negativa e, inclusive, enaltece os números alcançados pelo jogador. Porém, se vale do racismo estrutural em toda a sua construção. É um exemplar da clássica história, intelectualmente preguiçosa, de superação do atleta negro e humilde que “subiu” na vida.
– O local onde cresceu ficava perto da fronteira com a Guiana Francesa , zona onde não conhecia luxos, mas conhecia o esforço familiar – diz Héctor em um trecho.
A revolta dos internautas foi imediata. Inclusive, a repercussão começou com os próprios leitores espanhóis. Horas depois, a informação chegou ao conhecimento dos brasileiros, que bombardearam as redes sociais do As. Foram inúmeros comentários rechaçando o trabalho, intelectualmente preguiçoso, realizado pelo repórter espanhol.
Horas depois, o título foi ajustado para o que está no ar neste momento: “Igor Paixão ameaça Atlético”. O problema é que o estrago já estava feito.
Como a Espanha lida com o racismo no futebol?
O episódio desta terça se soma a outras dezenas na Espanha. Inclusive, o sistema racista que o futebol encara em terras espanholas é muito forte. O caso mais emblemático no país aconteceu neste ano, quando Vinicius Júnior, do Real Madrid, foi alvo de uma série de ataques racistas na La Liga.
Durante semanas, a organizadora do Campeonato Espanhol utilizou o discurso de “episódio isolado” para definir as ofensas constantes que o brasileiro enfrentava. O incidente com mais repercussão aconteceu em 26 de janeiro, quando um boneco com uma camisa de Vini apareceu pendurado, simulando um enforcamento, em uma ponte da capital. O fato aconteceu horas antes do clássico Real Madrid x Atlético de Madrid, pela Copa do Rei, em que os merengues venceram por 3 a 1.
No ano passado, houve um comentário racista no “El Chiringuito de Jugones”, famoso programa de debate da emissora espanhola Mega, no qual o empresário Pedro Bravo mandou Vini Jr. parar de “fazer macaquices”. A fala gerou a campanha #BailaViniJr, em que o jogador foi incentivado por companheiros, celebridades e inúmeros outros clubes a dançar em campo.
– Você tem que respeitar o adversário. Quando você faz um gol, se quer dançar, que vá ao sambódromo no Brasil. Aqui o que você tem que fazer é respeitar os companheiros de profissão, e deixar de fazer macaquice – disse Bravo.
Além de Vinicius, outros brasileiros também foram alvo de racismo dentro do próprio Real, como Rodrygo e Éder Militão. A postura do clube e da La Liga só mudou quando o tema ganhou a mídia internacional. A onda de críticas atingiu em cheio o presidente do campeonato, Javier Tebas, que precisou se retratar depois de afirmar que o racismo é “um caso extremamente pontual”.
Só na La Liga, mais de 20 casos de racismo foram apontados neste ano. Com isso, a organização da competição decidiu criar uma ferramenta, que funciona como canal de denúncia. No “La Liga vs Racismo” existem informações sobre as competências da instituição e como ajudar a combater o preconceito.
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