Jogou com Rodrygo e chegou a Portugal para o Porto… que vai defrontar pelo Vilar de Perdizes :: zerozero.pt
A vida dá muitas voltas. Marcelo Tadeu nasceu em Santos e, ainda muito jovem deixou de ser um Menino da Vila para seguir o sonho de jogar no Velho Continente. Chegou para o FC Porto mas nunca se chegou a afirmar. Passou por Espanha e França, até chegar a Vilar de Perdizes, onde vai defrontar a equipa que lhe abriu portas ao solo luso.
O brasileiro, que está quase a completar uma década em Portugal, falou com o zerozero sobre um reencontro especial.
«Mudamo-nos para a Europa para concretizar o meu sonho»
Como grande parte dos jovens canarinhos, a história de Marcelo com o desporto rei começou com o futsal: «Tudo começou aos cinco anos. O meu avô levou-me para jogar numa escola que havia na minha cidade (Santos). Com seis fui para o futsal do Santos. Era muito novo, mas destaquei-me logo e continuei por lá até vir para Portugal.»
Marcelo cruzou-se com Rodrygo no Santos @Arquivo pessoal
Nado e criado em Santos, no litoral de São Paulo, todo o seu trajeto no futebol brasileiro passou pelo clube mais conceituado da sua cidade, o Santos FC. Foi lá que se cruzou com alguns jogadores que dão cartas no futebol profissional, com Rodrygo à cabeça. «Tive a sorte de me cruzar com muitos craques. O Rodrygo é o que está num patamar mais alto. Desde sempre foi diferenciado, não é à toa que está no clube onde está hoje. Está muito bem, tanto na seleção e no Real Madrid. Para quem o conhece desde pequeno, não surpreende, sempre foi um jogador com um potencial muito grande», explicou.
Aos 14 anos, um convite mudou a vida de Marcelo: «Cheguei a Portugal com 14 anos, em 2015. Os olheiros do Porto viram-me lá e convidaram-me para vir para vir para Portugal. Conversei com a minha família, decidimos aceitar. Mudamo-nos para a Europa para me dar a oportunidade de concretizar o meu sonho», contou o extremo brasileiro ao nosso portal.
As coisas não correram como esperado na invicta, mas Marcelo não deixou Portugal. Passou pelos escalões de formação de Leixões, Penafiel e Oliveirense, antes de sair de Portugal, para jogar em Espanha e França (representou o Alcorcón e o Béziers) respetivamente, onde considera que passou pela fase de «maior amadurecimento».
«Em Espanha e em França evoluí muito. A parte mais importante do meu amadurecimento foi lá. As equipas ajudaram-me muito e conheci muitas pessoas que me ajudaram a melhorar como pessoa e como jogador. Não foi fácil sair da zona de conforto, saí do Brasil muito novo, mas a minha família acompanhou-me, neste caso fui sozinho.»
O brasileiro passou pelos bês do Alcorcón @Arquivo pessoal
«Queremos marcar o nome na história do futebol português»
Regressou a Portugal pela mão do Joane, onde um bom final de temporada lhe valeu a chegada a Vilar de Perdizes, equipa que milita no Campeonato de Portugal. Apesar de ainda não estar a jogar tanto como gostaria, o jogador assume estar a gostar da experiência, numa vila que «vive o futebol de uma forma muito intensa».
Marcelo, em criança, no museu do FC Porto @Arquivo pessoal
«É uma vila pequena e para eles é um sonho ver a sua equipa a jogar contra uma equipa tão grande e crescer da forma que tem crescido. Estarão lá para nos apoiar e vamos dar o máximo para conseguir honrar a vila. Queremos marcar o nome na história do futebol português», relatou, já antevendo a partida com o FC Porto. «Não há nervosismo, há ansiedade. Quero muito ver o estádio cheio, com as pessoas a apoiar-nos. Vai ser um momento muito especial, só quero desfrutar», acrescentou.
A Taça de Portugal é uma montra para clubes como o pequeno Vilar, de uma freguesia com pouco mais de 400 habitantes e com história quase nula no panorama das competições nacionais. Daí a euforia, quando no sorteio, o papel com o nome do detentor da taça calhou na fava ao clube montalegrense. O momento foi captado pelos jogadores, onde Marcelo também estava presente, e ficou viral.
Marcelo Tadeu
«Não sabia que eles estavam a gravar, estava focado na minha recuperação (risos). Foi uma surpresa muito agradável, principalmente para os meus colegas portugueses. Muitos deles são da zona do Porto e têm o FC Porto como clube do coração. Foi uma emoção muito grande. Queremos sempre jogar nos palcos maiores e mostrar o que valemos.»
O jogo vai ser disputado no Estádio Municipal Eng.º Manuel Branco Teixeira, em Chaves, algo que não estranhará aos jogadores: «Geralmente, treinamos em Vilar de Perdizes, mas o campo ainda não tem dimensões para podermos jogar lá os jogos oficiais. Os jogadores vivem todos em Chaves e por vezes treinamos no complexo, onde jogamos e que neste momento é a nossa casa.»
Por fim, confrontado com qual jogador gostaria de trocar a camisola, Marcelo não hesitou: «Com o Galeno. É um jogador brasileiro, que joga na mesma posição que eu. É um jogador em quem me inspiro e gosto de ver jogar, e até me identifico na forma de jogar.»
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