‘Após me reconstruir dos traumas de um relacionamento abusivo, me tornei maquiadora e criei uma ONG que ajuda brasileiras em perigo na Alemanha’ | Eu, Leitora

“Tive o privilégio de nascer na região mais cobiçada do mundo, no coração da Amazônia. Sou a caçula de uma família de origem indígena e com raízes portuguesas. Os abusos que sofri na infância, inclusive sexual, aconteceram em Belém e me causaram traumas, que trato até hoje. Mas eles não me impediram de correr atrás dos meus sonhos. Determinada, busquei vencer na vida.

Aos 15 anos, perdi a minha mãe. Nada foi tão traumático quanto esse momento. Porém, não tive outra saída a não ser fazer a saudade virar combustível para seguir em frente.

Nos anos 90, conheci um belíssimo alemão que passou por Belém, e me apaixonei. Como não tinha um visto para o seguir na viagem, descobri que – no município de Oiapoque, naquela época – havia algumas canoas que levavam clandestinos para a Guiana Francesa. Durante três dias, enfrentei tempestades e ataques de tubarão na travessia perigosa do mar violento.

Mesmo sabendo que, horas antes de embarcar, uma canoa tinha virado, e que dezenas de pessoas estavam desaparecidas, não desisti porque tinha fé em Deus. A única coisa que queria era encontrar o meu grande amor da época. Para isso, resolvi encarar a morte de frente sem ao menos saber o perigo que corria.

Débora Denecke abriu o jogo sobre a sua história de vida — Foto: Divulgação Jessy Bezerra

Ao chegar na Alemanha, encontrei o rapaz e nos casamos quando eu tinha 28 anos. Nesse relacionamento, fui vítima de violência doméstica. Isso fez com que a minha saúde mental ficasse ainda mais debilitada. Passaram-se 15 longos anos, tive a coragem de pedir o divórcio e me livrar da armadilha na qual me envolvi. Não imaginava que ainda passaria por uma provação que colocaria em risco a minha vida de uma forma bem dolorosa e brusca.

Durante a pandemia, conheci a sensação de quase morte quando contraí o vírus da Covid-19. Minha chance de sobrevivência era mínima, chegando a entrar em coma. Fui praticamente dada como morta. Naquele momento, redobrei minha fé e cheguei a negociar com Deus a minha alma. Vencer a doença foi o desafio mais difícil da minha vida.

Se hoje estou viva, tenho certeza que foi obra dEle. Tenho gratidão pelas orações e pela equipe de enfermeiros e médicos que cuidaram muito bem de mim para que eu pudesse cumprir a minha missão de ajudar o próximo. Tomei as rédeas do meu destino.

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Minha experiência de vida me levou a criar a ONG BEPAlemanha (Brasileiras em perigo na Alemanha) em 2021, tendo como madrinha a ativista e palestrante Luiza Brunet, que conheci através de amigos. Depois que ela ouviu a minha história, aceitou o convite e participou da inauguração do projeto.

Luíza Brunet é madrinha da BEPAlemanha, ONG de Debora Denecke — Foto: Divulgação

Hoje, aos 43 anos, minha missão é ajudar mulheres vítimas de todos os tipos de abusos e violência. Por esse motivo, me tornei ativista. Além disso, me destaquei como make-up artist e sou freelancer da minha própria empresa. Meus pincéis servem para embelezar e abrilhantar almas não só de fora, mas também do lado de dentro. Quero que eles se tornem ferramentas de autocuidado em todos os sentidos. Que eu seja benção para cada pessoa.

Celebremos o poder feminino em todas as suas formas. Que as vozes das mulheres sejam ouvidas, que as leis sejam severas para proteger as mulheres. Juntas, podemos construir um mundo onde todas as mulheres possam prosperar e florescer plenamente.

Debora Denecke falou sobre o combate à violência contra a mulher — Foto: Divulgação Jessy Bezerra

Como maquiadora, tive grandes conquistas. Atuei no festival de Cannes, trabalhei com produção de TV, cinema e em desfiles de moda, como a Paris Fashion Week, e vários outros renomados eventos no mundo. Já recebi medalha de honra na Academia de Letras na França, na época em que me tornei embaixadora, ganhei troféu melhor profissional brasileira da estética e beleza do Brasil em uma cerimônia no palácio de Kensington, em Londres.

Faturei o troféu Empreendedoras Colaborativas do Instituto Negra Linda, no qual sou embaixadora, tenho uma medalha Dama Comendadora de Honra ao mérito na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, levei os prêmios de Melhores do Ano do Mirror Fashion Day – como CEO da BEPAlemanha e como Makeup Artist no Copacabana Palace –, o Estrela da Comunidade Brasileira [melhor do Brasil na Europa], ‘Mulher Extraordinária’ na abertura da BEPAlemanha, ‘Mulher de Alto Valor’ e estou na premiação do troféu Melhores do Ano no Fasano, Rio de Janeiro (novembro 2023), o Mirror Fashion Day.”

Debora Denecke comentou sobre as premiações que já recebeu — Foto: Divulgação

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