A cada aumento de 10% no desmatamento, a quantidade de chuvas anuais diminui em aproximadamente 49,2 mm por ano, como mostra o estudo de por Argemiro Teixeira Leite Filho publicado em 2021 na revista Nature. Os rios voadores secam com o desmatamento, uma vez que as árvores não liberam a umidade que armazenam no ar, reduzindo as chuvas nas áreas agrícolas.
Suicídio agrícola
O fenômeno que já está afetando a agricultura do Brasil é muito simples. Sem chuvas ou com períodos de chuvas muito mais intensas, fora dos regimes regulares de chuvas, plantas como a soja, o milho ou a cana-de-açúcar não prosperam. Com a escassez de chuvas, as plantas não se desenvolvem e sua produção cai significativamente, afetando a renda dos agronegócios; com umidade acima do normal, o risco de pragas e doenças, como a ferrugem da soja, é muito maior. Prevenir ou lidar com elas também reduz substancialmente os lucros.
De acordo com Gabriel Quijandría, vice-presidente da IUCN para a América do Sul, as evidências científicas são cada vez mais convincentes de que a alteração dos padrões de chuva na Amazônia está ligada à mudança climática global e ao desmatamento impulsionado pela colonização para fins agrícolas. “É impossível pensar em desenvolvimento sustentável para a América do Sul se não estabelecermos uma estratégia que preserve os processos ecológicos fundamentais da região”, afirma.
Até 2019, um quarto do sul da Amazônia brasileira — nos estados do Acre, Amazonas, Rondônia, Pará, Tocantins e Mato Grosso do Sul — já havia atingido o limite crítico de redução de chuvas devido à perda de florestas. Em algumas regiões, a redução das chuvas devido ao desmatamento já comprometeu 48% do volume total anual de chuvas. Considerando que a grande maioria das terras agrícolas do Brasil depende das chuvas, as consequências da interrupção das chuvas são uma ameaça real à economia brasileira.
A solução está nas cidades?
Uma das teses desenvolvidas pelos especialistas do Banco Mundial defende que a solução para reduzir a pressão sobre a Amazônia está em aumentar a produtividade e competitividade das cidades. De fato, o documento publicado em novembro de 2022 sugere que “o fraco crescimento da produtividade nos setores urbanos do Brasil, especialmente na indústria e em determinados serviços, prejudica o progresso econômico e acelera o desmatamento”.
Os autores, Marek Hanusch e Joaquim de Souza, explicam o fenômeno:
“Embora seja uma simplificação, isso é sustentado por dados básicos: nos períodos em que a produtividade total dos fatores cresceu no Brasil, a cobertura florestal na Amazônia Legal também aumentou (nesse gráfico, um aumento da produtividade de 1% reduz o desmatamento em 9%). O fim do último superciclo de preços de commodities prejudicou ainda mais a produtividade — e o desmatamento voltou a aumentar. O crescente desmatamento não apenas coincide com o afrouxamento da aplicação das leis de proteção florestal, mas também é impulsionado por fatores econômicos. Na verdade, os dois aspectos podem se reforçar mutuamente: à medida que crescem os retornos econômicos do desmatamento, é provável que aumente o lobby por menos rigidez nos controles e na aplicação da legislação florestal.”
O caso do Brasil é um exemplo eloquente de como os setores econômicos estão interligados e de como a deterioração das condições econômicas de um país pode, em última instância, levar à destruição de suas florestas e de todo o seu ecossistema.
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