“Uma soma de situações complexas” é como o representante especial da ONU para a África Ocidental e Sahel, Leonardo Simão, descreveu o desenrolar de crises na região africana.
O enviado apresentou seu primeiro informe ao Conselho de Segurança, desde que assumiu o cargo, em maio, pedindo “apoio concreto, realista e de longo prazo à região e e outras áreas” como parte da busca de uma paz duradoura.
Segurança dos países de acolhimento
Simão recomenda a todas as partes interessadas que apoiem a preservação da dignidade dos refugiados e a segurança dos países de acolhimento. Estima-se que a insegurança na região africana já tenha causado 6,3 milhões de deslocados.
O relatório destacou a realização de processos eleitorais na região. O documento cita a Guiné-Bissau, observando que a oposição obteve maioria absoluta nas recentes eleições parlamentares pacíficas, cujos resultados foram aceitos por todos.
Para o enviado, pleitos em países como Benin, Gâmbia, Mauritânia, Nigéria e Serra Leoa foram “passos essenciais para a consolidação democrática” porque permitiram a escolha de líderes e representantes em níveis nacional e subnacional.
Jovens processos eleitorais e de tomada de decisão
O representante também mencionou Cabo Verde pela parceria que organizou o Fórum Regional da Juventude, que culminou com a Chamada de Ação de Mindelo. Simão reafirmou a defesa da maior inclusão dos jovens nos processos eleitorais e de tomada de decisão, apoiando contatos com estudantes e jovens profissionais.
Na visita realizada ao arquipélago e a diversos países, Simão falou de interações com as autoridades sobre processos de transição em curso e para entender a dimensão da crise que o Sahel atravessa.

Fórum Regional da Juventude culminou com a Chamada de Ação de Mindelo
Para processos políticos e tomada de decisões, a preocupação é com a sub-representação contínua das mulheres que “priva metade da população de direitos essenciais, mas também é um grande impedimento ao desenvolvimento”.
Coordenação entre a ONU e o Mali
O enviado da ONU destacou ainda a piora da situação de segurança no Mali onde acontecem “múltiplos ataques contra civis e forças de defesa e segurança, sobretudo na zona de Liptako Gourma”.
Ele frisou que o processo que levará ao fim do mandato da Missão das Nações Unidas no Mali, Minusma, em dezembro, continua a exigir grande atenção internacional.
Simão, que prepara uma viagem ao Mali, declarou que seu escritório continuará a interação com a Comissão Econômica dos Estados da África Ocidental e outros parceiros.
No entanto, contou que à medida que países costeiros intensificaram seus esforços para fortalecer a segurança interna e a cooperação bilateral, observa-se uma ameaça potente com episódios de insegurança que tendem a se espalhar para o sul.

Fraca representação de mulheres que priva metade da população de direitos essenciais na África Ocidental e Sahel
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