Estudantes criam óculos que ajudam pessoas com deficiência visual a identificarem obstáculos e cores; entenda tecnologia | Piracicaba e Região

Grupo de alunos e orientador de Piracicaba, que criaram protótipo finalista de programa da Samsung — Foto: Divulgação/Centro Paula Souza

Um grupo de estudantes de uma escola estadual em Piracicaba (SP) desenvolveu um aparelho para auxiliar pessoas com deficiência visual a identificarem obstáculos e cores. O projeto atualmente é semifinalista de um programa da Samsung, que estimula estudantes do ensino médio a detectarem problemas reais e desenvolverem soluções em ciência e tecnologia.

Os jovens cursam o último ano do ensino médio integrado ao técnico em mecatrônica na Escola Técnica Estadual (Etec) Cel. Fernando Febeliano da Costa. Eles desenvolveram o “VisualRise” como trabalho de conclusão de curso (TCC).

O dispositivo, que está em fase de protótipo, é uma espécie de óculos, que tem sensores identificam obstáculos dos lados e à frente, além de identificar as cores primárias. No caso de um obstáculo, um poste por exemplo, o aparelho emite uma vibração na direção, para que o usuário consiga desviar.

O intuito dos alunos é ampliar esses sensores para que o aparelho seja capaz de identificar todas as cores no futuro.

Com o protótipo, os alunos foram selecionados entre os 20 semifinalistas da 10ª edição do Solve For Tomorrow Brasil. A premiação é uma iniciativa global da Samsung para incentivar estudantes a desenvolverem projetos na área de tecnologia e ciências, para resolver problemas reais.

O programa agora está na fase que os alunos recebem mentorias e aprimoram o projeto e, na sequência, serão divulgados os dez finalistas e, por fim, selecionados três vencedores.

Alunos de Piracicaba criaram projeto de óculos para pessoas com deficiência visual identificarem obstáculos — Foto: Divulgação/Centro Paula Souza

Segundo Isaac Ferreira Souza Santos, um dos integrantes do grupo, a ideia surgiu como forma de ajudar o próximo. Durante o curso chegou a pensar em fazer algum dispositivo para cadeirantes. No fim, decidiu pelos óculos. “A ideia era um dispositivo que ajudasse essa pessoa a se locomover”, explicou.

Para isso, o grupo, que também é composto por Fernando Davanso Donato, João Alex, Lawana Maffei e Renan Ramos Rodrigues, decidiu fazer uma pesquisa para entender quais eram as dificuldades das pessoas com deficiência visual, para que o dispositivo de fato atendesse essa demanda.

Eles visitaram uma ONG em Piracicaba que atende pessoas com deficiência visual para conversar com as pessoas atendidas.

“Lá nós fizemos um formulário e a gente entrevistou as pessoas, o que elas precisavam, o que elas mais sentiam falta. Muitas falavam que era a questão da locomoção, que era a questão das cores, e daí nós tivemos certeza que era viável o projeto”, afirmou Isaac.

Com orientação dos professores Luís Henrique Bernardo e Marcos Anibal da Cunha, os alunos então começaram a desenvolver a tecnologia dos óculos.

Esboço de projeto de alunos de Piracicaba de óculos para auxiliar pessoas com deficiência visual a identificarem obstáculos — Foto: Divulgação/Centro Paula Souza

Conforme Isaac, a tecnologia parte de uma placa principal do dispositivo, que foi pré-programada pelo grupo com um microcontrolador.

“Nós fizemos a programação com sensores ultrassônicos, justamente para fazer a medição da distância, aí vai dar o sinalzinho, que vai ser a vibração para a pessoa quando chega perto, por exemplo, na parte frontal”, explicou.

Além da frente, o dispositivo também tem sensores nas laterais, que funcionam da mesma maneira, para identificar a proximidade de obstáculos.

“Por enquanto nós estamos fazendo testes, mas a pessoa se aproximou, ela já vibra. Algum objeto, alguma coisa, por exemplo algum poste se aproxima, aí ela vibra. Se for na parte frontal, ele vai vibrar na parte frontal. Se há alguma parte lateral, direita ou esquerda, vai vibrar em uma dessas partes”, explicou o estudante.

O aparelho também tem sensores de cores. Por enquanto, essa parte ainda está em desenvolvimento, mas os óculos já identificam as cores primárias. O intuito é ampliar para todas as cores no futuro.

Protótipo de óculos que ajuda pessoas com deficiência visual a identificarem obstáculos — Foto: Divulgação/Centro Paula Souza

Conforme o orientador do grupo, Marcos Anibal da Cunha, os alunos tiveram autonomia para desenvolver o projeto e os professores foram apenas auxiliando.

“Eles vão tirando as dúvidas e a gente vai norteando. A partir do projeto que eles se propõem a fazer, vão pesquisar os equipamentos, os componentes que vão ser utilizados. E a gente vai mediando na medida possível só, dando uma orientação para eles”, afirmou.

O professor conta que se surpreendeu quando os alunos contaram que foram até a ONG para entrevistar as pessoas com deficiência. “Foi uma ideia muito boa, eu fiquei muito surpreso, uma surpresa muito boa. Quando eles chegaram e falaram eu até parabenizei. É isso aí, tem que ter iniciativa, tomar essas atitudes. É isso que a gente procura trabalhar com eles.”

Para além de desenvolver um dispositivo para ajudar pessoas com deficiência visual, o grupo também queria que o aparelho também fosse acessível. Segundo Issac, durante a fase de entrevistas, os alunos também conversaram sobre outros dispositivos existentes no mercado.

“A maioria das reclamações é que eles não tinham condições para obter esses dispositivos, justamente porque eram muito caros. Por exemplo, um que foi citado é um dispositivo que é acoplado na ‘perna’ do óculos e ele serve para fazer leituras […] São muito caros, acima de R$ 3 mil, R$ 5 mil, alguns até R$ 20mil”, afirmou Isaac.

Estudantes de Piracicaba desenvolveram óculos para auxiliar pessoas com deficiência visual a identificarem obstáculos — Foto: Divulgação/Centro Paula Souza

Segundo ele, o intuito do aparelho desenvolvido por eles não tem intuito de fazer leituras, mas ele foi desenvolvido para ser mais acessível, para que de fato as pessoas consigam comprar e usar no futuro.

“A gente planeja com que o produto seja alcançável para o público, sabe? Para o pessoal conseguir ter condições de comprar, tanto é que ele não é um produto muito caro.”

Segundo o professor, os alunos estavam confiantes no projeto quando se inscreveram para o Solve for Tomorrow, mas como foram cerca de 3 mil participantes, ainda assim foi uma surpresa quando foram selecionados. Isso também incentivou os demais alunos da escola.

“Mostrou até para os outros alunos que a gente tem capacidade. Nós estamos aqui bem embaixo, mas eles têm capacidade de serem protagonistas do futuro deles. Então é bom que mostrou para todos os outros alunos. E foi essa a surpresa. Foi um momento muito bom.”

“Eu nunca pensei que ia crescer tanto assim. Eu estava com a intenção que o projeto fosse alcançar pessoas, mas não imaginava que teria toda essa repercussão”, completou Isaac.

O professor afirma que, a três semanas da final, o protótipo já foi aprimorado e os alunos continuam nas mentorias. “Agora nós estamos esperando a próxima fase, que é a final. A gente espera ter uma ótima surpresa também”, concluiu.

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