Livros: A China vista pelo Conde de Arnoso no final do século XIX. Uma raridade na literatura de viagens em Portugal
Bernardo Pinheiro Correia de Melo deve ter sido dos primeiros portugueses a subirem à Grande Muralha da China. Foi no outono de 1887, quando aquele amigo de Eça de Queirós estava a negociar o tratado que cedeu a Portugal “a perpétua ocupação e governo de Macau”. O livro em que relata a viagem até Pequim e os quatro meses que lá viveu, intitulado “Jornadas pelo Mundo”, também é um testemunho pioneiro, mas estava esgotado há mais de um século. Mesmo quando saiu, em 1895, não teve grande eco na imprensa, constatou o escritor Francisco José Viegas, responsável pela nova edição, lançada este verão. “A China não nos interessava”, acrescenta o editor. Em Portugal — diria o embaixador Luís Esteves Fernandes, antigo encarregado de negócios da Ligação Portuguesa em Pequim — “aludia-se à China como coisa irreal, embelezada pela distância e a que ninguém prestava atenção”.
“Jornadas pelo Mundo” é uma raridade na literatura de viagens em Portugal: “Não há nada assim, com tanto pormenor, escrito em português sobre a China moderna”, diz Viegas. O autor é igualmente especial: “dandy e provinciano”, “com um sentido culto da viagem”. Correia de Melo era um dos “Vencidos da Vida”, grupo constituído por Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Joaquim Oliveira Martins, Ramalho Ortigão e seis outros influentes intelectuais da época. Foi secretário particular do rei D. Carlos, que lhe concedeu o título de primeiro Conde de Arnoso.
Crédito: Link de origem



Comentários estão fechados.