“Do feedback que tenho dos festivais em Cabo Verde, nenhum se compara ao Baía das Gatas”, diz vereador da Cultura da CMSV

Os preparativos para a 39.ª edição do Festival Baía das Gatas que arranca na noite desta sexta-feira, 11, estão a todo o vapor na ilha de São Vicente. Quem o diz é o vereador da Cultura da Câmara Municipal de São Vicente, Janísio Neves.

“Não diria que está tudo a postos, mas estamos a caminhar para mais tarde termos um bom festival. Sabemos que o Baía das Gatas exige uma logística grande e ano após ano estamos a fazer melhorias no que tange ao espaço, a logística e até mesmo a nível de artistas. É um grande desafio, mas espero que hoje à noite esteja tudo preparado para o início da 39.ª edição”, diz o vereador da Cultura, Janísio Neves, em entrevista ao Balai.

Este ano a organização apostou em três palcos, um principal e dois para animação dos DJ, que, segundo o responsável do pelouro da Cultura, é uma forma de manter a intensidade do festival e de acabar com as interrupções na hora da mudança dos artistas no palco. “Os palcos já estão prontos, estamos a fazer as últimas afinações para ter tudo a postos para hoje arrancarmos com o tributo a Bana, que é o homenageado desta edição.”

No que tange aos artistas, Janísio Neves garante que praticamente todo os internacionais já se encontram na ilha e que o público pode esperar um festival à altura.

“Digo que o público é felizardo porque vão ter um festival à altura. Um festival multicultural e que abrange desde os mais novos aos mais velhos, ou seja, quem tem a sua avó ou avô pode levá-los porque vão ouvir boa música e vão conviver. Aliás, sabemos que o Baía das Gatas que muitas pessoas vão apenas para conviver e, às vezes, há pessoas que nem chegam perto do palco”, diz e afirma que as pessoas vão para conviver e para aproveitar o clima saudável no areal da Baía das Gatas.

Baía das Gatas, um festival que movimenta a economia local

É o mais antigo do país e segundo o vereador da Cultura, Janísio Neves, o Festival Baía das Gatas é muito importante para movimentar a economia da ilha de São Vicente.

“O Baía das Gatas traz a comunidade que reside no exterior. Há pessoas que vem dos Estados Unidos da América, Holanda e de diversos partes do mundo especialmente só para acompanhar o festival. Muitos têm casa na Baía das Gatas e outros nem por isso, mas o turismo já é direcionado para o festival, ou seja, daí vê-se logo a importância que cada ano o festival tem no impacto na economia da ilha. Temos falta é de mais hotéis para poder atrair mais turistas e nacionais, mas o nosso foco é a nossa comunidade que reside no exterior. Há hotéis a serem construídos e que vão ser uma mais valia.”

Segundo o vereador da Cultura, o Festival Baía das Gatas movimenta perto de 100 mil pessoas nos três dias do certame. “Do feedback que tenho dos festivais em Cabo Verde, nenhum se compara ao Baía das Gatas, quer em termos musicais quer em termos de logística.”

No que se refere à segurança, a mesma fonte adianta que já montaram um dispositivo com a Polícia Nacional, bem como com o comando militar e a segurança privada.

Questionado sobre o orçamento desta edição, Janísio Neves não quis adiantar um valor. “Os valores a nível do orçamento são remetidos diretamente nos planos de atividade da Câmara Municipal e ainda não há um estudo sobre o valor necessário para a elaboração do festival. Com o tempo temos que fazer as contas para saber qual é o valor real do Baía das Gatas. Posso dar um valor agora e errar totalmente.”

O festival está marcado para arrancar as 21h00 desta sexta-feira e o encerramento do primeiro dia está previsto para às 05h00 da manhã deste sábado.

Portagem de residentes, um protocolo que causa indignação

Todos os anos a edilidade disponibiliza portagens para os residentes na Baía das Gatas para um maior controlo na hora da entrada, mas este protocolo tem causado ano após ano descontentamento nos que escolheram residir a 10 km a leste da cidade do Mindelo.

Vitelmo Ramos construiu uma casa na Baía das Gatas há três décadas e há vários anos na altura do festival tem que se dirigir à Câmara Municipal, munido de documentos, para fazer o levantamento da portagem de residente para poder ter acesso á sua residência na Baía das Gatas.

“Todos os anos é a mesma coisa, tenho que trazer todos os documentos desde a conta da eletricidade, aos documentos de pagamento do imposto, entre outros e tenho que ficar aqui a pedir esmola para ter acesso à minha residência na altura do festival. (…) Tenho casa na Baía das Gatas e acho que é um direito meu ter acesso à minha residência a qualquer momento. Esse protocolo não presta, é só para atrapalhar a nossa vida”, diz revoltado em entrevista ao Balai.

Fausto Mendes também anualmente enfrenta o mesmo problema. “Sou sempre obrigado a apresentar documentos, quando a câmara tem documentos quer dos carros quer da minha residência. Portanto, não vejo a necessidade de todo esse protocolo, a câmara devia ser mais facilitadora.”

Segundo o vereador da Cultural, a portagem de residente “é uma forma para um maior controlo na hora da entrada na Baía das Gatas. Sabemos que o festival acarreta muitos custos, ou seja, há o recurso à venda de portagens para podermos arrecadar algum valor para a realização do certame.”

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