Depois de participar da criação do real digital, BV lança novo ecossistema de inovação, chamado de BVx | Empresas

Ricardo Sanfelice, diretor executivo de Produtos, Clientes e Inovação do BV — Foto: Divulgação

Uma das 16 organizações escolhidas para ajudar o Banco Central a lançar os pilares do real digital, em um projeto piloto que começa sua fase de testes em setembro e deve se encerrar no final de 2024, o BV decidiu que este era o melhor momento para apresentar ao mercado sua nova frente de negócios, o BVx.

“Não estamos criando uma área de inovação dentro do banco”, diz Ricardo Sanfelice, diretor executivo de Produtos, Clientes e Inovação do BV – banco controlado pelo grupo Votorantim e pelo Banco do Brasil. “O BVx não é uma área específica, e sim algo transversal que atinge todos os departamentos do banco. Além do BV Lab, área responsável por incubar novos produtos e serviços, inclui também os investimentos em CVC, os nossos programas de inovação aberta, as parcerias digitais e todas as iniciativas de aproximação com o ecossistema de startups.”

De acordo com o executivo, o nome BVx não deixa de ser uma espécie de símbolo, que tem como missão reforçar o “compromisso de longo prazo da marca em trabalhar com transformação tecnológica e inovação”. “Mas é também um convite aos diferentes players do sistema para estabelecer novas parcerias comerciais”, diz Jimmy Lui, head de Inovação e Open Finance do banco BV.

Jimmy Lui, head de head de Inovação e Open Finance do banco BV — Foto: Divulgação

Sob o comando de Lui, estão as áreas de BaaS (Bank as a Service), que fornece serviços financeiros digitais às startups, e a frente de investimentos no ecossistema. Esses investimentos se dividem entre os aportes diretos em empresas como Méliuz, Neon e Portal Solar, e participação em 12 fundos, entre eles Kaszek, Iporanga, Monashees, Redpoint eventures e Astella. A empresa não revela o valor total de recursos destinados a fundos de inovação, dizendo apenas que “são investimentos relevantes”.

“Nossa estratégia é investir em inovação que gere diversificação de receita”, diz Sanfelice. “Veja bem, o BV nasceu como uma casa de crédito voltada para o financiamento de veículos, e essa área respondia por 85% da nossa carteira. Hoje são apenas 50% – o restante foi para startups inovadoras.” Uma das áreas em que o BV começou a apostar recentemente foi a de energia renovável, aportando na startup Portal Solar. “Para entrar nesse segmento, achamos que era melhor a empresa se associar com alguém que já conhecia muito bem o tema, em vez de começar do zero.”

No ano passado, o quinto maior banco privado do país se conectou com 450 startups, fez negócios com 50 delas e firmou parcerias com 13. O BV encerrou o ano com lucro líquido recorrente de R$ 1,47 bilhão, um recuo de 6,6% na comparação a 2022. O resultado, segundo a empresa, foi “reflexo de um cenário macroeconômico desafiador, que teve impacto no financiamento de veículos e na concessão de crédito.”

O futuro é Drex

A associação com o real digital começou em um programa do BV chamado de “Dinheiro do Futuro”, lembra Jimmy Lui. “Nós entendemos que, num futuro próximo, em até cinco anos, uma parte relevante da infraestrutura de serviços financeiros vai ser em blockchain. Não sei vai ser 100% ou menos, mas vai acontecer. Então o que está em jogo agora é a maneira como grandes players vão integrar essa tecnologia à infraestrutura que existe hoje”, afirma o executivo.

Para conseguir estar na linha de frente dessa revolução, ao lado de outras 15 instituições financeiras, o BV precisou comprovar que atendia a todos os requisitos exigidos pelo Banco Central. “Para entrar no projeto piloto, era preciso mostrar que você tinha experiência com tokenização e moedas digitais, dar uma ideia do time que iria alocar, dizer quem seriam os seus parceiros [a startup Parfin é parceira do BV no projeto] e explicar como iria trabalhar com a nova moeda”, diz Jimmy Lui.

O BV é uma das empresas a participar da implementação do Drex — Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Os 16 selecionados receberam então o desafio mais relevante dessa primeira fase: provar que era possível transferir o real digital (Drex) de um lugar para outro. “Pode parecer simples, mas é um processo extremamente complexo, que envolve não apenas questões tecnológicas de interoperabilidade entre sistemas diferentes, mas também de segurança e privacidade”, diz o head de Inovação. Mais do que lidar com uma nova tecnologia, o processo envolve responder a novas perguntas. ‘O que acontece se eu pedir dados para o banco A e a resposta vier em branco?’ e ‘Quais são as questões legais para operar uma segunda moeda nacional?’ são apenas algumas das dúvidas discutidas pelo grupo. “E tem um monte de questões em que a gente ainda nem pensou”, completa.

Em seu processo de viabilização de uma moeda digital, o Brasil está em um estágio bastante avançado, acredita o executivo. Até hoje, apenas 11 países já lançaram suas moedas digitais, segundo estudo do Atlantic Council, dos Estados Unidos: Nigéria, na África, e 10 países no Caribe: Bahamas, Jamaica, Anguila, Antigua e Barbuda, Granada, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia, Dominica, Montserrat e São Cristóvão e Neves. Além disso, há outros 21 países testando projetos pilotos, como o Brasil.

A fase inicial do Drex se encerra em fevereiro de 2024, quando já terá sido criada uma infraestrutura em comum para o real digital e serão conhecidos os resultados dos testes com casos de uso. “Ainda não sabemos se vai dar tudo certo. Mas com certeza teremos muitos aprendizados”, afirma o executivo. O lançamento do real digital para o público está previsto para o final de 2024 ou início de 2025.

Com o novo sistema financeiro, o Banco Central pretende trazer eficiência para o sistema bancário e garantir um acesso mais democrático aos benefícios da digitalização da economia. “Essas 16 organizações têm o privilégio de serem as primeiras a ter uma curva de aprendizado legal sobre a nova moeda”, diz Sanfelice. “A implantação do Drex é uma ótima oportunidade para reunir 16 grandes players em um fórum capacitado e discutir questões de privacidade, segurança e usabilidade.” Ou, como diria Jimmy Lui, “é a indústria decidindo o que é melhor para a própria indústria”.

Beyond banking

Até o final deste ano, o BV deverá oferecer a modalidade de “shopping” dentro do seu aplicativo. A novidade é um dos desdobramentos da compra de uma fatia da Méliuz, empresa de cashback e fidelização de clientes, em dezembro do ano passado. “Queremos trazer para o nosso aplicativo a possibilidade do cliente ter ofertas de e-commerce, dentro da tendência de beyond banking [além dos serviços bancários, em tradução livre]. Ele vai poder comprar uma passagem aérea, uma geladeira e assim por diante”, afirma Sanfelice. “Esse é um exemplo de como estamos usando novas parcerias para agregar valor aos serviços”, diz.

Outro foco de inovação do BV é experimentar novos modelos de negócio a partir da tokenização de ativos. Por meio de uma parceria com a startup Liqi, a empresa está transformando recebíveis do banco em tokens. Ao lado da Betablocks, lançou um NFT social, para doação de recursos ao Instituto Próxima Geração.”Dessa maneira, conseguimos também testar o mecanismo de doação, conhecer a tecnologia e o parceiro”, diz o diretor executivo de Produtos. A empresa é ainda parceira do Google Cloud, com quem desenvolveu um algoritmo para personalizar as ofertas do banco. “Esse é outro pilar que estamos buscando: encontrar parceiros no ecossistema que melhorem a nossa experiência digital.”

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