Cultura
A partir do dia 4 de agosto, mais de 120 artistas/coletivos ocuparão espaço de 7,6 mil metros quadrados em Belém, capital do Pará.
Belém, Amazônia paraense — Uma Bienal de Arte tão superlativa quanto as regiões que busca representar. Em sua primeira edição, a Bienal das Amazônias tem como tema “Bubuia: Águas como Fonte de Imaginações e Desejos” e abrirá ao público no dia 4 de agosto e estender-se-á até novembro. Criada com a proposta de despertar a reflexão sobre como se faz arte na região sem estereótipos, a nova instituição de arte ao Sul global reunirá mais de 120 artistas/coletivos de oito países da Pan Amazônia, além da Guiana Francesa. Do Brasil, estarão presentes representantes dos nove estados da Amazônia Legal (Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, e a Amazônia Oriental, composta, por exclusão, pelos estados do Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso).
Quebra de paradigmas — O local da Bienal não poderia ser mais simbólico ao que essa nova instituição se propõe desde sua nascente e ocorrerá em um espaço que já foi a maior loja de departamentos de seu tempo: quatros pavimentos e 7,6 mil metros quadrados, no centro comercial da capital paraense.
Esses espaços, outrora ocupados com roupas, alimentos e eletrodomésticos, agora serão cenário da arte produzida por artistas, convidados ou selecionados pelo corpo curatorial Sapukai.
Durante três meses, o público terá uma amostra do que se faz de arte na Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana, Guiana Francesa e Brasil (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, para além de outros estados brasileiros), unidades de um todo, da Pan-Amazônia.
A escolha do espaço, diverso dos habituais museus e galerias e o foco nos artistas das Amazônias, é parte da estratégia incorporada pela Bienal de romper com os “usuais” modos de fazer arte, considerando métodos, estética, materiais, espaços e narrativas.
A expectativa é que a médio e longo prazo, a instituição possa fortalecer e dinamizar as metodologias amazônicas no que tange às produções simbólica e artística.
Uma das metas é impulsionar o intercâmbio entre criadores e espectadores de todos os países e estados que compõem a região, bem como as demais regiões do mundo, em especial o Sul Global.
As atividades previstas para Belém e outras cidades da Amazônia Brasileira devem atender direta e indiretamente cerca de 300 mil pessoas até 2024. Novo horizonte — Ao criar esse espaço de protagonismo das artes amazônicas, a Bienal quer se firmar como uma instituição de arte que nasce no Sul Global (América Latina) e potencializa o poder narrativo dos povos amazônicos, em muito invisibilizado ou tomado por terceiros.
No entender da idealizadora da Bienal e diretora executiva, a produtora cultural Lívia Condurú, essas ações planejadas pela instituição geram “o deslocamento do debate sobre as artes, seu status quo e poderes de transformação econômica e social, que, historicamente, têm partido dos eixos dominantes do mercado das artes”.
Lívia observa que, apesar da multiplicidade de realidades vividas nos estados e países que compõem a Amazônia Legal, “estamos habituados a assistir pessoas e projetos usando o nome da Amazônia de maneira rasa e irresponsável, cheia de conceitos como ‘sustentabilidade’, ‘carbono neutro’, ‘pulmão do planeta’ que pouco reverberam na realidade local”. Condurú defende que “é urgente que se enxergue as Amazônias para além do seu bioma. Não há floresta que se mantenha em pé, quando toda a sociedade que existe nela não é ouvida, não é ‘convidada’ a participar de maneira ativa do debate”. E esse debate também deve fazer parte das artes.
A Bienal é um projeto que está se tornando possível graças à política pública de incentivo à Cultura O projeto é financiado via lei Rouanet. Um dos principais parceiros é o Instituto Cultural Vale. Para o diretor presidente do Instituto, Hugo Barreto, a Bienal das Amazônias é uma oportunidade de mostrar a potência criativa da região e democratizar o acesso à cultura. “Ao reunir uma produção artística contemporânea que valoriza diversas identidades, a Bienal se conecta a diferentes públicos e nos convida à reflexão sobre o poder transformador da arte” Por que Amazônias? A Pan-Amazônia é formada por oito países localizados na América do Sul, mais a Guiana Francesa, que têm a floresta amazônica em seus territórios. Eles apresentam características geográficas comuns do bioma formado pela floresta, pela fauna e pelos rios. Para além de dividirem fronteiras, compartilham modos de vida associados aos recursos naturais – mantendo seus múltiplos territórios, múltiplas formas de viver e contextos históricos próprios.
Múltiplos, singulares e com problemáticas semelhantes — historicamente, seus povos são invisibilizados: uma maneira de manter os modelos de exploração econômica em vigência. Com inúmeros problemas gerados pela cobiça e exploração dos recursos naturais por agentes externos.
Artistas Bienal das Amazônias
ADRIANA VAREJÃO
AIDA CHIQUENO
ALVARO BARRINGTON
AMANDA LEITE
ANA PICANERE
ANDREZA AGUIDA
ANITA EKMAN
ANNA BELLA GEIGER
ANTONIETA FEIO
ARMANDO QUEIROZ
AUÁ – AWÁ ARÃ MURA AYCOOBO
BONIKTA
CARLOS CRUZ-DÍEZ
CENTRE D’ART ET DE
RECHERCHE DE MANA (CARMA) CARMÉZIA EMILIANO
CHRISTIAN BENDAYÁN CHRISTIE NEPTUNE
CLAUDIA ANDUJAR
CLAUDIA COCA
CRISTIANA NOGUEIRA
DÉBA TACANA
DENILSON BANIWA
DIRCEU MAUÉS
DUHIGÓ
ÉDER OLIVEIRA
ELAINE ARRUDA E
MESTRE JOÃO AIRES
ELIENI TENÓRIO
ELISA ARRUDA
ÉLLE DE BERNARDINI
ELVIRA ESPEJO AYCA
ELZA LIMA
EMANUEL FRANCO
EMMANUEL NASSAR
EVNA MOURA
FAÍSCA
FRANCELINO MESQUITA FRANCISCO DA SILVA
FRANCISCO VERA PAZ
GABRIEL BICHO
GÊ VIANA
GENOVEVA ORIREPIA GERARDO PETSAÍN
GERVANE DE PAULA
GILBERTTO PRADO E GRUPO POÉTICAS
GLICÉRIA TUPINAMBÁ GRACIELA ARIAS
GUSTAVO CABOCO
HAL WILDSON
HELDILENE REALE
HÉLIO MELO
IWIRI-KI
JAIRON BARBOSA GOMES JOELINGTON RIOS
JOHN LIE-A-FO
KEILA SANKOFA
KENNETH FLIJDERS
KEYLA SOBRAL
KIT-LING TJON PIAN GI LASTENIA CANAYO
LIÇA PATAXOOP
LILLY BANIWA
LISE LOBATO
LKPROD
LOVA LOVA
LUA CAVALCANTE
LÚCIA GOMES
MANAUARA CLANDESTINA MARCEL KAKAÏ
MARCEL PINAS
MARCELA CANTUÁRIA MARCONE MOREIRA MARCOS ZACARIADES MARIA JOSÉ BATISTA MARIANO KLAUTAU FILHO MARY RODRÍGUEZ
MIGUEL CHIKAOKA
MIGUEL KEERVELD
MIGUEL PENHA
MOARA TUPINAMBÁ NANCY LA ROSA
NAY JINKNSS
NINA MATOS
NOARA QUINTANA
NOEMÍ PÉREZ
NOUN E T2i
PABLO MUFARREJ
PANMELA CASTRO
PAOLA TORRES NÚÑES DEL PRADO
PAULA SAMPAIO
PAULO DESANA
PITUKO WAIÃPI
PP CONDURÚ
PV DIAS
RAFA BQUEER
RAFAEL MATHEUS MOREIRA RAFAEL PRADO
RAMON REIS
RENÉ TOSARI
ROBERTA CARVALHO
ROSEMAN ROBINOT
SANDRA BREWSTER
SÃNIPÃ
SEREIA CARANGUEJO SOEMI AMIEMBA
SOFÍA ACOSTA VAREA SOFIA SALAZAR ROSALES STÉPHANIE MOREIRA TABITA REZAIRE
THEATRO FÚRIA
THIAGO MARTINS DE MELO TI’IWAN COUCHILI
UELITON SANTANA
UÝRA SODOMA
VAL SAMPAIO
VENUCA EVANÁN
VÉRONIQUE ISABELLE E DÉBORA FLOR
WALDA MARQUES
VICTOR KILINAN
WALEFF DIAS
XADALU TUPÃ
Fotógrafa paraense é a artista homenageada na 1ª edição
Há 40 anos Elza Lima vem registrando as diferentes faces da região criando um mosaico tão diverso quanto o próprio cenário das imagens. Nascida em Belém do Pará, em 1952, Elza Lima começou a fotografar ainda no início da década de 80 – chega, no ano que vem, aos 40 anos de profissão – e é considerada uma das fotógrafas mais inventivas e originais do Brasil. A Amazônia, para além do lugar onde nasceu, é também o cenário que ela escolheu para fotografar, com todas as suas paisagens e personagens únicas. Na obra de Elza é possível visualizar o ribeirinho, o caboclo, a criança amazônida e toda a imensidão da cultura popular que emana dessa região tão diferenciada do restante do País.
Para Elza, fotografar a Amazônia representa, também, a chance de resgatar os sonhos da menina que foi criada pelos avós Luzia e Justino, com quem aprendeu a gostar de literatura, música e mitologia. Já adulta e mãe, decidiu dar os primeiros passos na linguagem fotográfica a partir da Fotoativa, do mestre Miguel Chikaoka. A ideia era eternizar momentos com as filhas ainda pequenas. Em 1985, numa ação da Funarte na capital paraense, apresentou as primeiras fotos ao público.
Foi também em 1985 que Elza começou a trabalhar na Secretaria de Estado de Cultura, onde acredita, de fato, que mergulhou na cultura da Amazônia e teve o desejo de fotografá-la ainda mais de perto.
Elza considera a fotografia uma construção que, nem sempre, está clara à primeira vista. É preciso procurá-la, inclusive na imaginação, capacidade que, acredita, desenvolveu desde criança, a partir dos estímulos propiciados pelos avós. É também isso que busca ao retratar a Amazônia, lugar rico de imagética, aponta ela.
Para a fotógrafa, ser a artista homenageada pela Bienal das Amazônias é também uma forma de reconhecer e premiar a todas as mulheres que decidiram, de alguma forma, se enfronhar na tarefa de desnudar a região, em seus aspectos reais e imaginários. “Eu estou muito tocada com essa homenagem, primeiro pela minha própria condição feminina. É muito importante poder receber um reconhecimento como esse em um país no qual, muitas vezes, a mulher é deixada de lado. Creio que é uma homenagem não só a mim, mas a todas as mulheres que atuam no Brasil, representadas no meu trabalho. É importante também porque a Bienal vai abranger desde o início do meu percurso fotográfico até hoje, ou seja, há fotos que fiz no ano passado e neste ano também. É uma visão dos meus 40 anos de profissão, por isso, estou muito tocada, muito sensibilizada, pelo fato de as pessoas lembrarem desses 40 anos de trabalho na Amazônia e, por isso, gostaria de levar comigo todas as mulheres fotógrafas que retratam o seu próprio canto”, destaca.
Serviço
Rua Senador Manoel Barata, 400. Comércio – Belém, Pará, Amazônia
4 de agosto a 5 de novembro aberto ao público, de terça a sexta, das 9h30 às 19h; aos sábados, das 11h às 20h, e aos domingos, das 11h às 18h.
Apoiadores:
Projeto realizado por meio da Lei Rouanet de Incentivo Federal à Cultura.
Patrocínio Master: Instituto Cultural Vale Patrocínio: Mercado Livre
Apoio Institucional: Embaixada da França no Brasil, Goethe Institut, British Council, Sistema Integrado de Museus e Memoriais do Pará, Secretaria de Cultura do Pará, Governo do Estado do Pará, Fundação Cultural do Munícipio de Belém, Prefeitura de Belém, Museu da UFPA, Universidade Federal do Pará, Fundação Amparo ao Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp) e Instituto Peabiru.
Apoio: Prosas, Eletrotransol Tecnologia, Jurunense Home Center e Design da Luz Iluminação e Projeto.
Transportadora oficial: Art Quality.
Realização: Bienal das Amazônias, Apneia Cultural, Ministério da Cultura, Governo Federal.
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