“Este atraso, de facto, está a provocar uma tensão política absolutamente desnecessária”, afirmou o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, quando questionado pela Lusa.
Segundo Augusto Mário Silva, depois das eleições legislativas, realizadas em 04 de junho, “houve uma manifestação de alívio” por parte da população, nomeadamente porque todos sabiam que em termos de direitos humanos o Governo cessante era “muito insensível aos valores da dignidade humana”.
O responsável referia-se a uma série de perseguições, espancamentos e detenções arbitrárias de que vários cidadãos foram vítimas, que “estavam a minar anos de luta pela estabilização democrática”.
“Com as eleições houve uma manifestação de satisfação, de alívio, por parte da população, que espera que seja desta que o país vá encontrar caminhos para a reconciliação, estabilidade governativa e para criar bases para o desenvolvimento”, disse.
Esta demora na formação do Governo, para Augusto Mário Silva, está a “gerar tensões políticas e sociais desnecessárias”.
“Então é preciso evitar que isso continue a agravar-se para que efetivamente possamos ter um país governável. Nós renovamos o nosso apelo, sobretudo ao Presidente da República e ao presidente da Assembleia Nacional Popular, no sentido de trabalharem de forma articulada para a formação, no mais curto espaço de tempo, do novo Governo”, afirmou.
Para o dirigente da Liga, a população “já fez o seu trabalho” e agora cabe aos líderes políticos “respeitarem a vontade popular expressa nas urnas e isso passa necessariamente pela formação do novo Governo”.
O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos considerou igualmente que é preciso que a classe política perceba que a “situação social e económica do país é muito crítica”.
“Os nossos concidadãos estão a viver numa situação difícil. O poder de compra baixou muito, os camponeses estão a enfrentar dificuldades, também devido à má campanha da castanha de caju e tudo isto está a contribuir para a elevação da tensão social e o nível de crispação”, afirmou.
Portanto, continuou Augusto Mário Silva, é preciso que o novo Governo entre rapidamente em funções para que haja soluções para os problemas e os desafios que o país enfrenta.
A Guiné-Bissau realizou as legislativas em 04 de junho e o parlamento guineense tomou posse em 27 de julho.
O líder da Plataforma da Aliança Inclusiva — Terra Ranka, que venceu as legislativas com maioria, Domingos Simões Pereira, lamentou hoje nas redes sociais os atrasos verificados na formação do novo Governo, salientando que a coligação ainda não recebeu uma carta da Presidência guineense para indicar um nome para primeiro-ministro.
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