Debate sobre o Estado da Nação encerra Ano Parlamentar com governo confiante

O chefe do governo cabo-verdiano no debate sobre o Estado da Nação lembrou que  em 2020 a contração económica foi de 20,8%, mas logo nos dois anos seguintes a recuperação foi notória, sendo 7% em 2021 e 17,7% em 2022. Ulisses Correia e Silva, afirmou  que a recuperação económica de Cabo Verde  tem tido impacto no emprego.

A taxa de desemprego baixou. Em 2016 era de 15% baixou para 11,3% em 2019 (antes da pandemia), aumentou para 14,5% em 2020 (com a pandemia) e voltou a baixar para 12,1% em 2022, inferior ao período da governação do PAICV. A taxa de desemprego jovem baixou de 41% em 2016 para 27,3% em 2022. O número de jovens fora da educação, da formação e do emprego diminuiu de 68.120 em 2015 para 51.654 em 2022, devido às políticas ativas de emprego e da gratuitidade do ensino”, disse o primeiro-ministro cabo-verdiano.

Sobre a alegada fuga de jovens/quadros para o exterior apontada pelo maior partido da oposição (PAICV) Ulisses Correia e Silva disse que “há uma diferença entre a constatação de um fenómeno e a sua amplificação e dramatização” e avançou que “quem faz a afirmação categórica de que há uma emigração em massa de jovens, saída massiva de quadros e jovens bem formados, deve estar em condições de apresentar os números; quantos são? disponibilizem a esta assembleia, neste debate, o número de vistos de  trabalho concedidos a jovens quadros, licenciados, doutorados ou com certificados de formação profissional. E não misturem os dados com os vistos de turismo e de estudantes. Há sim, jovens à procura de oportunidades fora do país. Este fenómeno existe em Portugal relativamente à Inglaterra, no Brasil em relação a Portugal e em outras partes do mundo.”

O PAICV que tem afirmado que há fuga de jovens quadros para o estrangeiro não respondeu aos questionamentos do primeiro-ministro. 

O líder do maior partido da oposição, João Baptista Pereira considerou que o Estado da Nação é de “grande privação em virtude do “declínio da oferta de alimentos e do aumento generalizado dos preços de bens e serviços”.

“De 2018 a dezembro de 2022, o Índice Geral de Preços (IPC) aumentou cerca de 15%. Quando analisado de forma desagregada, a situação torna-se mais preocupante, porquanto os aumentos verificados nos itens essenciais foram ainda maiores. Com efeito, constatamos, nesse período, os aumentos seguintes: Pão e cereais            21,74 %; Carnes -23,56%; Leite, queijo e ovos- 38,84%; Frutas 33,40%; Produtos hortícolas 23,65; Açúcar, compota, mel, chocolate e produtos de confeitaria 41,86 %; Eletricidade 18,41%; Gás            19,13; Combustíveis líquidos 88,19 e Produtos farmacêutico 52,32 %” afirmou o líder parlamentar do PAICV, João Baptista.

A terceira força política no parlamento no debate sobre o Estado da Nação, chamou atenção para as desigualdades sociais no país e criticou o “tempo limitado” para discutir questões “importantes”.

E o partido da situação, o MPD, enfatizou  que Cabo Verde avança com “passos firmes e determinação rumo a um futuro mais próspero” enaltecendo as conquistas alcançadas pelo Governo liderado por Ulisses Correia e Silva em diversas áreas, desde a economia até a educação, saúde, emprego, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, embora num contexto desafiador após a pandemia e incertezas causadas pela crise energética e a guerra na Ucrânia.

O líder da Bancada Parlamentar do MpD, Paulo Veiga, criticou a postura da oposição, acusando-a de falhar em contribuir para o desenvolvimento do país ao disseminar discursos vazios e políticas obsoletas. “Em vez de se unir a nós na busca de soluções e no avanço do país, a oposição parece mais preocupada em disseminar discursos vazios e políticas obsoletas que pouco ou nada têm a oferecer ao povo cabo-verdiano”, disse Paulo Veiga

O debate sobre o Estado da Nação marca o último ponto da sessão plenária de Julho, que encerra o Ano Parlamentar, entrando os deputados de férias parlamentares. 

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